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Perdemos o combatente Eduardo Chuhay, aos 87 anos

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O ex-deputado Eduardo Chuahy, faleceu vítima de um infarto na madrugada de domingo, em São Conrado, no Rio de Janeiro.

 

 

Chuahy nasceu em 13 de julho de 1933, em São Paulo, filho de um libanês do ramo de tecelagem, estudou economia e seguiu a carreira militar onde sempre esteve ao lado dos nacionalistas. Na campanha da legalidade lutou ao lado de Leonel Brizola quando assumiu o comando de um quartel no interior do Rio Grande do Sul.

 

Com João Goulart assumindo o governo em 1961, logo após a renúncia de Jânio Quadros, Chuahy foi convidado para participar do gabinete militar como capitão de ordens, ao lado de Juarez Motta. Um dos primeiros a ser cassados pelos golpistas de 1964.

 

O dirigente do PDT, advogado Trajano Ribeiro lembrou que Leonel Brizola durante a refundação do Partido Trabalhista Brasileiro, delegou ao Chuahy o registro e a reorganização do PTB. Mas Brizola acabou perdendo a sigla para a ex-deputada Ivete Vargas, numa manobra maquiavélica do general Golbery do Couto e Silva. O bruxo do SNI tinha muito interesse na fundação do Partido dos Trabalhadores, dividindo os trabalhistas e impedir o sonho da candidatura Leonel Brizola à Presidencia da República. Fez parte da organização do PDT

 

Com a cassaçao de Chuahy, impedido de trabalhar, foi um grande incentivador da área cultural quando fez parte da diretoria da Editora Vozes, de Petrópolis, onde editou vários livros, entre eles, ‘1964: A conquista do Estado’, do uruguaio René Dreiffus, ‘A originalidade das Revoluções’, do seu grande amigo Edmundo Moniz, e várias obras do General Nelson Werneck Sodré.

 

Na Editora Vozes, que completará 120 anos, no próximo dia 3 de março, Eduardo Chuahy foi muito amigo do frei progressista Ludovico Gomes de Castro que atuou como Diretor-Geral entre 1964 a 1986 e passou a investir nas publicações destinadas aos universitários com teses e dissertações.

 

Chuahy foi o maior incentivador do filme ‘Jango’, do cineasta Silvio Tendler. Tudo começou quando o jornalista Raul Ryff, assessor de imprensa de João Goulart convidou Silvio Tendler para um jantar na casa do Eduardo Chuahy. Ryff queria mostrar um filme do Jango sendo recebido por Mao Tsé Tung, na porta do Palácio Vermelho. Ryff falou para Silvio fazer um filme sobre Jango. Chuahy se entusiasmou e já começou a arrecadar fundos e fazer contato para os depoimentos dos entrevistados. Para Silvio, Chuahy foi um gigante na produção do histórico filme Jango.

 

Chuhay escreveu vários livros da área econômica: ‘A construção e destruição do setor elétrico brasileiro’, ‘ Populismo: A quem serve a confusão conceitual?’, ‘Educação o sonho acabou?’ ‘Amazônia azul’ e vários artigos.

 

Em 1982, com apoio do líder comunista Luiz Carlos Prestes, Chuahy foi eleito deputado estadual pelo PDT, no primeiro governo do Leonel Brizola, assumindo a presidencia da Alerj, em 1986/87, quando representou o governador várias vezes. Uma vez assumiu o governo do Estado e representou o Brizola numa solenidade militar no Monumento dos Pracinhas, no Aterro do Flamengo. Foi marcante e inesquecível assistir os militares reacionários baterem continência a um militar cassado no golpe militar de 1964.

 

Chuahy visitava sempre o Darcy Ribeiro na Secretaria Estadual de Cultura e depois dava uma passada na sala do subsecretário Edmundo Moniz, que recebia vários amigos para longas conversas, entre eles: os brigadeiros Ruy Moreira Lima (comandante da FAB na II Guerra Mundial), Francisco Teixeira (ex-ministro da Aeronáutia do João Goulart), Wilson Fadul (coronel da Aeronáutica e ex-ministro da Saúde de João Goulart), o coronel Kardec Lemme, o Modesto da Silveira (advogado de presos políticos) e seu fiel amigo jornalista Cursino Raposo, desde a fundação do movimento trotskista com Mário Pedrosa.

 

Foi um dos fundadores do MAPI/PDT e atuante nas reuniões onde realizou várias palestras, e dirigiu o Detran, em 1999.

 

Segundo Norma Sousa Bittencourt, viúva do Chuahy: ‘Tenho muito orgulho de ter participado como esposa da trajetória de vida de Eduardo Chuahy. Homem honesto, trabalhador, transparente e sempre prevaleceu em todos os cargos que ocupou. Votou a favor da cassação do presidente Collor de Mello. Atuou sempre em defesa do povo. Ele governou um ano e meio durante a gestão do Leonel Brizola, que foi pouco noticiado. Ele sabia muito bem dividir paralelamente sua vida política e pessoal. Sempre foi um pai maravilhoso para as nossas filhas, assim como um marido presente e carinhoso. Nossas filhas seguiram o seu exemplo, estão muito bem e encaminhadas graças aos seus conselhos e exemplos’.

 

Sergio Caldieri é jornalista, escritor e diretor do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Rio de Janeiro – SJPERJ
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