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Pensar o futuro, uma obrigação

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Segundo o pensador R.Triffin, o conceito de riqueza é medido pelo valor de troca e determinado pela escassez, mas riqueza não é isso, mas justamente o contrário, abundância e vida digna para todos.

 

 

No tempo presente, temos notícias de que 35% dos jovens entre 18 e 24 anos se encontram fora do mercado de trabalho em nosso país. Daí que a autoavaliação da garotada sobre satisfação da vida presente se deteriorou fortemente. O jovem reclama, com razão, e se diz insatisfeito com nosso sistema educacional, bem como pela provação e falta de recursos monetários e matérias para sobreviver com dignidade, na décima mais importante economia do planeta. Tem gente migrando para países mundo afora.

 

 

O fim da fase mais aguda da pandemia em alguns países ricos trouxe à tona, na Reunião do G-7 mais recente, a preocupação com a vacinação em massa e com o planejamento do futuro de nossas nações. O revigoramento da produção pode trazer de volta oportunidades para a juventude e infraestrutura de mais qualidade para a maioria da população. Inovar para superar gargalos históricos na terra da jabuticaba é a senha básica. Garantir prosperidade e desconcentração da renda é que trará de volta a esperança para nossa juventude.

 

 

Evidentemente, como justificar a riqueza de 62 brasileiros que, em situação de pandemia, quase dobrou de R$ 127,1 bilhões para R$ 219,1 bilhões enquanto metade da população não tem como garantir comida na mesa?

 

 

 

Esse capital altamente concentrado não é só vadio, ele é efetivamente criminoso, porque assenta-se sobre quase 500 mil vidas perdidas para a Covid-19, porque produz 116 milhões de famintos, 15 milhões de desempregados, 5 milhões de desalentados e mais de 40 milhões de trabalhadores e trabalhadoras informais precarizados. Enquanto a soma da riqueza encolheu 4,1%, e os rendimentos do trabalho, 6,5%, o número de super-ricos cresceu, o que fez com que a soma da riqueza apropriada saltasse de 7,5% do PIB, em 2019, para 15,2%, em 2020.

 

 

Nos países capitalistas avançados, bem como no Brasil, as camadas intermediárias, a pequena burguesia e a classe média tradicional, após terem desempenhado um papel um papel progressista, lutando contra regimes oligárquicos e populistas, ou pela industrialização acelerada, no tempo presente recuou para uma posição conservadora antipopular, contra as classes populares e a favor do capital monopolistas das grandes empresas internacionalizadas que dominam os principais mercados de oferta de bens e serviços, em escala planetária.

 

 

O capitalismo atual opera um aumento da proporção de trabalhadores no setor terciário e, ao mesmo tempo, um processo acelerado de mecanização nos setores industriais e agrícolas. Isso junto com as mudanças climáticas provoca arrepios.

 

 

Exemplo concreto disso: as ações das empresas globais ganham mais US$ 600 bilhões no teto do mercado esta semana para atingir novos máximos históricos – tudo em face de novas evidências de aumento da inflação junto com uma reabertura robusta da economia. Todas as ações agora valem um recorde de US$ 116,4 trilhões, igual a 132,7% do PIB global. A malta endinheirada está rindo de ponta a ponta.

 

 

Na terra da jabuticaba não é diferente. Já o andar de baixo ainda sonha com vacinação e oportunidades produtivas num futuro próximo. Afinal, como já definiu o pensador Sir William Petty – que, junto com Adam Smith, foi um dos mais importantes economistas da história – “na produção da riqueza, o trabalho é o pai, e a terra é a mãe”. Aguardemos, pois!

 

 

Reprodução do Monitor Mercantil e texto de Ranulfo Vidigal, economista.

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