Este início do artigo só existiu na primeira parte, colocada entre aspas, mas sua consequência bem que podia ser a continuação. E teríamos, sem passe de mágica, a Nação Soberana e Cidadã, que tanto desejamos e apenas as mentiras que nos enchem cotidianamente os ouvidos e as mentes nos impedem de conseguir.
Estas mentiras compõem, agora e sempre, a pedagogia colonial. A cada domínio, ou seja, a cada ideologia do poder, ela ganha frases diferentes, conceitos novos, explicações distintas que doutrinam como provérbios, que, mesmo sendo contraditórios, se repetem e neles se acredita. Mais vale quem Deus ajuda do que quem cedo madruga ou Deus ajuda a quem cedo madruga?
Liberdade
Veja-se a falácia da liberdade. Todo e qualquer neoliberal, aquele que professa a ideologia reinante desde a última década do século passado, coloca a antinomia liberdade versus comunismo, com a mesma convicção e certeza que o oposto de prego é abacaxi, e de belo é esquecido. Ao que seus adeptos, embasbacados, repetem com religioso fervor. Reflexão? Nenhuma. Crítica? Jamais. Seria ferir o dogma. Mas o que é o dogma? Aquilo que sempre houve e haverá. Só mesmo a chuva de fogo!
E, assim, se constrói a pedagogia colonial.
Temos exemplo verdadeiramente trágico, que está no jornal digital Poder360, de 19/19/2021, terça-feira: “solução final para preços dos combustíveis é privatizar a Petrobrás, escreve Adriano Pires”.
Adriano Pires
Adriano Pires é um economista (UFRJ, 1980), que só conhece empresa de petróleo em visitas. O analista político Samuel Gomes, a respeito deste “queridinho da mídia”, desvendou o que está acontecendo no País: “uma pessoa gravemente doente que pede conselhos de cura a um abutre à espreita”.
São estes os “sábios conselhos” do senhor Adriano Pires, que por pouco não se tornava presidente da Petrobrás (!), e que, indesculpavelmente, para um ex-assessor na Agência Nacional de Petróleo (ANP), desconhece a crueldade do PPI, preço de paridade com o importado, como se o autossuficiente Brasil do século XXI tivesse voltado ao período anterior à Revolução de 1930.
O Brasil já passou por esta época que, um século depois, parece querer retornar.
Nos anos anteriores a 1934 não havia qualquer ação governamental a respeito do petróleo e seus derivados no Brasil. As petroleiras, que haviam dividido o mundo no célebre encontro de Achnacarry (1928), na Escócia, decidiam quanto e a que preço o Brasil receberia de derivados do petróleo. Lucro certo e conveniente à geopolítica das potências da época.
Cabia à Standard Oil, naquela divisão do mundo, abastecer nosso País, o que o fazia, como toda empresa privada, com absoluta prioridade para o máximo lucro, levando o Brasil a ter fragilizada sua segurança, a defesa nacional do País. Naquele ambiente, o general Pedro Aurélio de Góes Monteiro, chefe do Estado Maior do Exército, reclamou por uma legislação que salvaguardasse a soberania nacional e garantisse o suprimento às forças armadas. O que a pedagogia liberal da época não encontrou pronta resposta e repercutiu pela oficialidade brasileira.
A partir de então, com a influência dos generais Júlio Caetano Horta Barbosa, Estêvão Leitão de Carvalho e outros se chegou, pelo Decreto-Lei n° 395, de 29 de abril de 1938, ao Conselho Nacional de Petróleo (CNP), “Art. 4º Fica criado o Conselho Nacional do Petróleo, constituído de brasileiros natos, designados pelo Presidente da República, representando os Ministérios da Guerra, Marinha, Fazenda, Agricultura, Viação e Obras Públicas, Trabalho, Indústria e Comércio, assim como as organizações de classe da Indústria e do Comércio”. E, em 3 de outubro de 1953, era criada a Petróleo Brasileiro S.A. Petrobrás.
E, progressiva e continuamente, o Brasil veio aumentando suas reservas de petróleo, até atingir nos anos 2000, com a descoberta do pré-sal, a autossuficiência: ter todo petróleo que o País precisa para se abastecer, por mais de meio século. Simultaneamente fora investindo no processamento do petróleo e, ainda no século passado, atingiu a autossuficiência na produção de todos derivados, criou a maior distribuidora do País, para abastecer os mais remotos rincões desta continental nação, e impulsionou as indústrias petroquímicas e de fertilizante. Também alcançou o ápice da tecnologia do petróleo, como nenhuma outra companhia no mundo, ganhando sucessivos prêmios internacionais pela produção em águas oceânicas ultra profundas.
Os escravos da pedagogia colonial, aqueles cuja ignorância ou a má fé só tem similar na arrogância, na estulta avaliação de fazem de si mesmos, pedem que se venda a Petrobrás; que se volte há 100 anos, paraíso dos exploradores da miséria, da fome, sem que se ilumine a casa e se obtenha a conservação e o cozimento dos alimentos.
Tudo será jogado ao lixo para atender ideologia inimiga do povo e de nossa tradição pacífica, pois o neoliberalismo trata cada ser humano como um inimigo, a pedagogia colonial nos exige guerra permanente, apenas para continuar vivendo, não tenhamos solo pátrio nem cidadania.
A apatia do povo pode se transformar na chuva de fogo. E, longe de conseguir a reeleição, os atuais dirigentes da Câmara dos Deputados e da República amargarão o repúdio do povo esclarecido.
(*) Por Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, atuou por trinta anos, no Brasil e no exterior, em empresas de petróleo. Artigo publicado, originalmente, no Pravda.
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