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Paulo Freire e a política nacional de formação da CUT

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Este artigo é parte da minha dissertação de mestrado “Paulo Freire e a Política Nacional de Formação da CUT: identidades político-pedagógicas”, defendida em 2001, no Departamento de Educação: Currículo, da Faculdade de Educação da PUC-SP. Ela foi fruto de duas vertentes: minha experiência de nove anos trabalhando como assessor coordenador da Secretaria Nacional de Formação da Central Única dos Trabalhadores (SNF-CUT), 1986 a 1995, onde colaborei na formulação, estruturação e consolidação da Política Nacional de Formação da CUT (PNF-CUT) e da minha paixão e identificação político-pedagógico-ideológica com a obra de Paulo Freire.

Em minha pesquisa, constatei que as ideias do “Pedagogo dos Oprimidos” haviam deixado marcas indeléveis na PNF-CUT, desde a sua criação enquanto política assertivamente planejada, até o seu momento de maturidade e consolidação, passando pelas suas indagações, questionamentos, dúvidas, tensionamentos e busca de caminhos. Ele próprio participou de várias atividades formativas nos espaços educativos da CUT, fazendo palestras, debates, seminários, consultorias, reuniões e conversas informais.

É interessante notar que no período que precede a criação da CUT há um movimento simultâneo das três correntes constitutivas tanto da Central quanto do Partido dos Trabalhadores (igreja progressista, esquerda tradicional e sindicalismo combativo), em direção às chamadas “bases”, na busca de captar os seus anseios e transformá-los em motor da luta social, por meio de novas práticas sociais, principalmente da “educação popular”. E Paulo Freire e sua obra foram, certamente, os principais inspiradores dessa nova prática em gestação.

A concepção metodológica de formação levada à prática pela PNF-CUT, certamente recebeu influências de outras concepções já existentes e de experiências consolidadas de educação popular, tanto no Brasil quanto em outros países. Essas referências trouxeram para o caldeirão da prática pedagógica da CUT pitadas de seu tempero com prováveis identidades e também pontos divergentes, mas é inegável a profundidade que a obra e a prática pedagógica de Paulo Freire impregnaram a experiência de formação sindical da CUT e deram uma grande contribuição para a construção dos pilares político-pedagógicos que a sustentam.

Portanto, a pesquisa que desenvolvi, somada à minha experiência como educador e assessor da PNF-CUT, buscou localizar e resgatar algumas ideias-forças que conformam as identidades entre o pensamento freireano e a concepção metodológica de formação implantada pela PNF-CUT. Não houve nenhuma pretensão de apresentar um levantamento definitivo dessas intersecções. Entendo que cada olhar sobre essa questão poderá vislumbrar outro conjunto de ideias-forças ou distintas maneiras de conceituá-las ou reagrupá-las. Apenas busquei dar a minha contribuição para essa investigação e sistematização segundo o meu prisma de visão.

Apresento a seguir os frutos da colheita deste meu trabalho, listando as ideias-forças que identificam a obra e a prática pedagógica de Paulo Freire e as publicações e a prática pedagógica da Política Nacional de Formação da CUT. São elas:

  1. a) A educação como instrumento de libertação.
  2. b) A formação integral do ser humano.
  3. c) A prática social como referência para a formação.
  4. d) A relação dialética entre teoria e prática: a práxis.
  5. e) A valorização do saber do educando.
  6. f) A construção coletiva do conhecimento.
  7. g) O diálogo como condição necessária para a formação: a dialogicidade.
  8. h) A consciência do inacabamento do ser humano.

                         

Minha pesquisa me fez crer, de forma inequívoca, que há uma grande influência e identidade entre a obra de Paulo Freire e a Política Nacional de Formação da CUT. Desde a concepção de mundo, onde a Educação é vista como instrumento de libertação social, até a construção coletiva do conhecimento, passando pela práxis e pela relação dialógica entre educador e educando, entre outras. A paridade de conceitos se estende por outras ideias-força. O aprofundamento de cada uma delas é assunto para outro artigo. Arrisco-me a afirmar também que o pensamento freireano influenciou até mesmo no processo de construção da CUT e do PT, uma vez que as três vertentes sociais que afluíram para a criação da Central e do Partido, tiveram no trabalho de base a sua pedra angular. E esse trabalho se engendrou, sobretudo, a partir da visão educativa do “Pedagogo da Esperança”. Mas isso é tema para outros estudos e pesquisas.

 

 

(*) Jeter Gomes é graduado em Engenharia Mecânica (UFU), especializado em Economia do Trabalho e Sindicalismo (Unicamp) e mestre em Educação (PUC-SP). É poeta bissexto e consultor para assuntos de Projetos Sociais, Formação Sindical, Participação Social, Economia Solidária / Cooperativismo, Movimentos Sociais e Projetos Culturais e de Economia Criativa.

 

 

 

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