A decisão foi tomada nesta sexta-feira, 30 de julho, em reunião do Conselho Universitário (Consun), que é o órgão máximo para tomada de decisões na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O motivo é a Reforma Administrativa, realizada por Carlos Bulhões quando assumiu, sem consultar o colegiado. O parecer obteve 55 votos a favor e seis contrários.Carlos André Bulhões foi nomeado para o cargo em setembro de 2020, mesmo sendo o menos votado na lista tríplice. Em mais uma decisão antidemocrática já que a intervenção coube ao presidente Jair Bolsonaro.

 

Aliás, na mesma reunião, o Consun aprovou, com 52 votos favoráveis, 4 contrários e 10 abstenções, uma nota de apoio ao impeachment de Jair Bolsonaro. As vidas perdidas por conta da Covid-19 no Brasil, que poderiam ter sido poupadas se o governo federal tivesse agido devidamente, foram destacadas no documento. “Vivemos um momento muito grave no nosso país. Temos mais de meio milhão de vidas perdidas, vítimas da pandemia da Covid-19 mas vítimas também do negacionismo do governo federal, que tem tido como política agir de forma contrária às medidas apontadas pela ciência para combater a pandemia. Já perdemos muitos colegas da universidade, familiares e amigos. A grande maioria dessas vidas poderia ter sido poupada se a aquisição das vacinas tivesse ocorrido de forma acelerada em tempo hábil, facilitando a vacinação da população, como a emergência do momento demandava”, como mostram alguns trechos do documento.
Mais adiante, o Conselho Universitário “se manifesta em apoio ao pedido de impeachment, pois considera que a universidade e seu conselho devem cumprir seu papel histórico posicionando-se de forma contundente diante da gravidade dos fatos”.

 

É o primeiro Conselho Universitário do país a aprovar nota com esse teor.

 

Repercussões

 

“Parabéns pelo pioneirismo em assumir publicamente o lado certo na história. Que seja contagiante”, manifestou-se a União Nacional dos Estudantes (UNE) em seu Twitter. A deputada federal Maria do Rosário (PT) também disse:“todo o meu apoio à corajosa posição do Conselho Universitário da UFRGS que pede o fim do governo Bolsonaro. Inaceitável a destruição da educação e a omissão criminosa que levou milhares de vidas pelo negacionismo e a corrupção”. A deputada Fernanda Melchiona (PSOL) também ressaltou a decisão, “apoiamos a corajosa atitude do Consun da UFRGS em enfrentar Bulhões, o reitor interventor indicado por Bolsonaro, que vem promovendo um desmonte da universidade através de reforma administrativa”.

 

Na sexta-feira, à tarde, houve protestos de integrantes da comunidade universitária que estenderam faixas no viaduto Loureiro da Silva, próximo à avenida Salgado Filho, no Centro Histórico de Porto Alegre. Mas tiveram que retirar as faixas depois de abordagem dos policiais da Brigada Militar.