Publicidade

Paraná: 40% de todos os óbitos por dengue registrados no país são do estado

  • em


Em meio à pandemia da Covid-19, os casos de dengue no Brasil chamam a atenção, principalmente a situação vivenciada no Paraná. Segundo o Ministério da Saúde, entre 29 de dezembro de 2019 até 27 de junho foram registrados 874.093 casos suspeitos da doença e contabilizados 415 óbitos, em todo o país. Neste mesmo período o estado contabilizou 260.307 registros e 170 mortes por dengue.

 

 

Os dados do Ministério da Saúde indicam que as mortes relacionadas a dengue no estado correspondem 41% de todos os óbitos registrados no país. Em relação ao total de casos suspeitos, esse percentual é de 29,8%. Devido ao alto índice da doença, o governo do Paraná decretou em março estado de epidemia.

 

O vírus da dengue possui quatro sorotipos (DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4) e cada vez que o paciente é infectado por algum deles ele adquire imunidade a esse sorotipo. Segundo a coordenadora de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde do Paraná, Ivana Belmonte, o alto índice de contaminação da doença no estado se deu por conta da introdução do sorotipo DENV-2, que segundo ela foi trazido por moradores de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

 

“É um novo sorotipo que chegou no estado e encontrou a população sem imunidade. Durante 10 anos havia a predominância de um tipo, o mais comum. Agora, com esse novo sorotipo, tivemos uma epidemia com esse impacto.”

 

De acordo com a coordenadora, “não existe muita diferença no quadro clínico dos pacientes infectados por cada um dos sorotipos da dengue”. Ela afirma que os sintomas nesses sorotipos possuem pequenas diferenças e o que leva ao agravamento da dengue é ser infectado pela segunda vez.

 

A Secretaria de Saúde do Paraná afirma que neste ano houve um aumento de 100% nos casos de dengue e um aumento de 80% no total de mortes. Os dados da pasta referem-se aos registros da doença entre o final de julho de 2019 e 14 de julho deste ano e seguem uma metodologia própria, diferente da adotada pelo Ministério da Saúde.

 

Forma grave da dengue pode ser fatal; descubra os grupos que correm mais risco

 

Recomendação

 

No final de março, o Ministério da Saúde publicou uma nota informativa com recomendações para o trabalho dos agentes de combate a endemias durante a pandemia da Covid-19. O documento orienta esses servidores a não entrarem na casa dos moradores e limita a fiscalização feita por eles ao quintal ou a frente do domicílio. Caso os agentes verifiquem que algum morador tenha sintomas do novo coronavírus, o servidor deve informar a situação na Secretaria Municipal de Saúde.

 

Na cidade paranaense de Cianorte, entre 28 de julho de 2019 a 11 de julho deste ano, foram confirmadas três mortes por dengue. A supervisora do Programa de Combate às Endemias do município, Vera Lúcia Fusisawa, alega que apesar da mudança que a pandemia impôs ao trabalho dos agentes, em nenhum momento esses trabalhadores interromperam o serviço.

 

“Os agentes não pararam as atividades, eles continuam fazendo as visitas de rotina, só não entram nas casas e, se algum morador relata que está em isolamento social, o servidor evita ao máximo ter algum contato”, afirma Fusisawa.

 

País

 

Apesar do alto índice, em um ano, houve redução de 35,5% no número de registros e de 43% das mortes ocasionadas pela dengue no Brasil, segundo o boletim epidemiológico do Ministério da Saúde. Após o Paraná, São Paulo é o estado com o maior registro de casos da doença (202.577), seguido por Minas Gerais (80.500) e Bahia (65.718).

 

O mosquito Aedes Aegypti se reproduz em recipientes com água parada. Segundo o Ministério da Saúde, a principal forma de se prevenir a doença é eliminar locais com água armazenada que podem se tornar possíveis criadouros do mosquito, como em vasos de plantas, galões de água, pneus, garrafas plásticas, piscinas sem uso e sem manutenção.

  • Compartilhe