Publicidade

Países europeus ouvem sindicatos e retomam as aulas somente após pico do vírus

  • em


Depois da passagem do pico da pandemia do novo coronavírus pela Europa, o primeiro país a reabrir as escolas foi a Dinamarca. Não fez isso de cima para baixo, como vem ocorrendo no Brasil e no Distrito Federal. Primeiro, o país respeitou o isolamento social. Depois, o governo se reuniu com sindicatos da educação para traçaram juntos as estratégias de retomar as atividades escolares.

 

O poder público dinamarquês buscou se basear também na sapiência dos trabalhadores da educação, na experiência de sua representação sindical e no compromisso de cada com a construção de um plano retorno às atividades para pôr em curso uma retomada segura da normalidade. Uma matéria do Jornal Hoje, da TV Globo, mostra que o vice-presidente da União Dinamarquesa de Professores disse à imprensa que os sindicatos foram levados muito a sério e isso garantiu segurança na retomada das aulas.

 

No acordo com os sindicatos, o país apostou nas aulas fora da escola, em ambientes externos e arejados (confira o vídeo no final deste texto). O jornal destacou as relações democráticas entre sindicatos e governos na volta às aulas em outros países. Na França, a mesma coisa. Governo, sindicatos da educação, pais e mães dialogaram, responsavelmente, para iniciar a volta às aulas e estabeleceram comportamentos diferentes para lidar com a nova realidade.

 

No país gaulês, só voltaram às escolas os estudantes até 15 anos. Os mais velhos e os que vivem nas áreas muito afetadas pelo novo coronavírus continuaram em casa. Na Espanha, as escolas estão se organizando para receber os estudantes a partir de segunda-feira (25). O desejo do governo espanhol era o de que as aulas tivessem voltado há mais tempo, mas os sindicatos argumentaram que era muito cedo e tudo foi suspenso para uma ocasião apropriada.

 

Em todos os países europeus, a palavra de ordem é cuidado com a pandemia e respeito à vida. As escolas são os últimos setores que estão em fase de reabertura, geralmente, estão sendo reabertas mais de 70 dias após o pico. Lembrando que o pico da pandemia na Europa ocorreu em março. Antes de reabrirem, estão sendo preparadas para receber os estudantes com distanciamento de pelo menos 2 metros bem definidos entre um e outro nas salas de aula e outras medidas de segurança, como monitoramento da saúde e testagens.

 

Na semana passada, Portugal voltou às aulas para cerca de 200 mil estudantes finalizarem o ano letivo. Adotaram o monitoramento diário da temperatura dos estudantes na entrada e na saída das escolas. Entre outras ações, eles e elas têm de lavar as mãos ao entrar e ao sair da unidade escolar. Nas salas de aula, uma fila com estudantes e outra vazia para garantir o distanciamento.

 

Em todos os países os horários foram reorganizados para evitar aglomerações nos intervalos, na entrada e na saída. Professores e diretores afirmam que os reencontros, principalmente na hora do recreio, são inevitáveis e representam um desafio porque crianças e adolescentes têm atitudes calorosas uns com os outros após tantos dias sem se verem. O momento exige das escolas, dos professores e dos governos uma responsabilidade maior.

 

No Brasil e no DF, tudo ocorre aos trancos e barrancos, de forma grosseira, abjeta, sem a menor consideração com o direito à vida. Os gestores públicos assumem atitudes desmazeladas, de baixo nível, autoritárias e ignorantes, sem respeito à ciência e nem à medicina. Coloca até a expertise da Organização Mundial da Saúde (OMS) em xeque para justificar o percurso da necropolítica. O governador Ibaneis, a Secretaria de Estado da Educação (SEEDF) e o Conselho de Educação, por exemplo, se juntaram para definir, autoritariamente e contra todos, o retorno às aulas em pleno pico da pandemia.

 

O interessante é que, neste período de isolamento social, o governo Ibaneis ignora as entidades representativas vos trabalhadores em educação, mas tem dado ouvidos aos sindicatos patronais da educação e aos donos de escolas privadas. Por causa disso, levou uma sacudida dos pais de estudantes dessas escolas. Esses, pegaram carona na campanha “Não somos cobaias”, do Sinpro-DF, e obrigaram o governador Ibaneis, a SEEDF e os dons das escolas privadas a desistirem do plano de reiniciarem as aulas em maio e junho. Na educação pública, o comportamento do governador Ibaneis é outro. Parece se sentir o dono da vida e da morte dos estudantes e dos trabalhadores da educação e quer dar a esse segmento de mais de meio milhão de pessoas a covid-19 como garantia de vida.

 

“O Sinpro-DF defende a vida, a educação pública, gratuita, laica e de qualidade socialmente referenciada para todos os estudantes sem nenhuma exceção. Queremos sim a volta às aulas, mas apenas no momento em que isso for seguro para todos. Temos a mesma preocupação dos pais, mães e responsáveis e tememos pela vida e saúde de nossos estudantes e acreditamos que esses pais e mães querem, também, o bem dos professores, de forma que desejam e defendem um retorno em que todos possam voltar com segurança e saúde. As aulas, a gente recupera depois”, finaliza Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF e da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

 

  • Compartilhe