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“Os projetos levam ao recomeço” – entrevista com o professor Adão Francisco de Oliveira, doutor em Geografia e professor da UFT de Porto Nacional (TO)

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Os livros, as leituras, as ideias e as experiências:

componentes básicos para a superação de vazios e para a saída em busca de novas realizações

 

 

Adão Francisco de Oliveira, doutor em Geografia pelo Instituto de Estudos Sócio Ambientais (IESA) da UFG, graduado em História pela Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia (FCHF) da Universidade Federal de Goiás e mestre em Sociologia pelo Departamento de Ciências Sociais (DCS) da Universidade Federal de Goiás. Foi Secretário de Educação, Juventude e Esportes do Tocantins tendo acumulado o cargo de Secretário de Estado da Cultura do Tocantins. É Professor da Graduação e do Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFT de Porto Nacional.

 

Atualmente, por causa da pandemia da Covid-19 e respeitando as orientações e as regras sobre o distanciamento social, a entrevista ao Jornal Brasil Popular foi por meio virtual para Maria do Carmo Ribeiro, estudante de Jornalismo na Universidade Federal do Tocantins, Campus de Palmas, na qual o professor, Doutor Adão Francisco de Oliveira fala sobre a perspectiva do lançamento de mais um livro de sua autoria sendo esse com a temática “Educação, Território e Desenvolvimento Regional” . Como sempre, muito bem descontraído nos atendeu prontamente e conta como pretende desenvolver mais um projeto de importância social, educacional e democrática que vem ao encontro dos anseios de quem deseja boas leituras, verdadeiras informações e buscam novos conhecimentos.

 

Jornal Brasil Popular: Como surgiu a ideia de escrever um livro com essa temática: Educação, Território e Desenvolvimento Regional?

 

Professor Adão: Esse livro é uma demanda reprimida minha sobre mim mesmo. Na verdade, esse é um projeto pronto e maduro desde 2016 e que, no entanto, eu não consegui executar porque vivi um estágio depressivo entre esse ano e 2019. Ou seja, mesmo eu contando com todos os recursos para a publicação, eu não consegui colocar em prática, pois a depressão sempre acabou falando mais forte. Mas é necessário se fazer uma explicação disso tudo.

 

Eu sou um hiperativo que, para viver, necessito de abrir e tocar sempre vários projetos. Isso me motiva, me orienta, me organiza e me direciona. Acontece que eu sempre dependi de mim mesmo para a realização de meus projetos, contando vez ou outra com a ajuda de algum amigo ou de algum orientando. Porém, quando eu assumi a Seduc-TO, eu pude contar, na implementação da política de Educação Integral, com toda uma estrutura administrativa e burocrática para isso e, é claro, isso me deixou encantado e confortável (risos). Eram técnicos educacionais, assessoria jurídica, orçamentária, de comunicação e de gabinete suportando o projeto de Educação Integral com todos os seus matizes. Então, durante aquele período as coisas aconteceram com base nessa prerrogativa.

 

Quando eu deixei a secretaria e voltei para a universidade, voltei também para o meu mundo solitário de execução de projetos. Eu não tenho o menor receio em dizer que isso foi um grande impacto! Contudo, voltei empolgado, lancei uma nova disciplina no Mestrado em Geografia da UFT/Porto Nacional, cujo título é Educação, Território e Desenvolvimento Regional e, imediatamente, projetei lançar 5 livros: 1. Dinâmicas Regionais do Tocantins; 2. Palmas: a produção do espaço da jovem capital; 3. Índice de Desigualdade Socioeducacional: mapeamento das fragilidades do processo de escolarização; 4. Formação Humana para a Vida: a Educação Integral em pauta; e 5. Heterotopia, Democracia e Gestão Urbana (minha tese de doutorado). A organização desse material e a viabilização dos meios para o seu lançamento se tornaram a minha energia vital naquele momento. Porém, o choque da nova (velha) realidade e as tensões normais da gestão de um órgão da dimensão de uma Seduc (que se tornaram durante 3 anos fantasmas para mim), me provocaram o estágio depressivo. Daí eu não consegui avançar com os livros…

 

No entanto, tudo passa e em 2019 eu fui dominando o vazio, superando os fantasmas, me resituando em meu universo e recontrolando os meus projetos. Isso me permitiu que eu me organizasse para sair para o pós-doutorado (que estou fazendo em Geografia no Instituto de Estudos Socioambientais da Universidade Federal de Goiás – IESA/UFG) e recolocasse os projetos da publicação em pauta. Contudo, com a necessária atualização dos temas, dado o tempo passado de seu lançamento. Me aproveitei para isso de um seminário internacional que organizei juntamente com outros professores e alunos em 2017 no nosso Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFT de Porto Nacional, chamado Meio Ambiente, Desenvolvimento Regional e Planejamento Territorial na Amazônia e no Cerrado – Madreplac.

 

Enfim, a publicação que está saindo foi reorganizada no contexto da minha disciplina do mestrado e deste seminário e surge como uma série chamada “Coleção Madreplac – Educação, Território e Desenvolvimento Regional”. Esta série tem 3 volumes: 1. Dinâmicas Regionais do Tocantins; 2. As Cidades na Amazônia Legal Brasileira; e 3. Índice de Desigualdade Socioeducacional: mapeamento das fragilidades do processo de escolarização. Os dois primeiros eu sou o organizador e eles são constituídos por artigos diferentes de vários intelectuais do Tocantins, de Goiás e do Maranhão. Já o terceiro é autoral e um ex-orientando meu o assina comigo.

 

Jornal Brasil Popular: Você já escreveu outros livros, vários artigos e tem uma gama de outras habilidades, é um escritor, um profissional de renome até internacional, um pesquisador, enfim, um currículo construído através de resultados muito eficazes. Como você define mais esse relevante projeto na sua vida?

 

Professor Adão: Diante desse contexto difícil relatado acima, eu me sinto muito feliz e leve por concluir esse projeto. É claro que ao longo desse tempo eu não fiquei na inércia. De 2016 prá cá eu coordenei 4 projetos de pesquisa; publiquei 15 artigos em revistas científicas; 5 capítulos de livros; 19 artigos em eventos científicos; 15 artigos em jornais de notícias; e orientei 8 dissertações de mestrado, dentre outras coisas. Então, eu não fiquei parado.

 

 

“Eu me sinto muito feliz e leve por concluir esse projeto.”

 

 

Mas desde 2010 eu não publicava livros; 10 anos! Por isso, há um gosto especial em contribuir com os leitores de nosso país permitindo mais 3 importantes obras: uma sobre o Tocantins, outra sobre a região Norte/Amazônia Legal e outras sobre a Educação nacional. Com certeza, todas elas terão um grande impacto na compreensão dos fenômenos de que tratam.

 

Jornal Brasil Popular:  Quando você está escrevendo, que elementos utiliza para prender a atenção dos leitores?

 

Professor Adão: A novidade! Por mais que os temas e os objetos analisados sejam conhecidos, gosto de abordagens novas e de analisar sistemática e criticamente aquilo que trato. No caso das obras organizadas é a mesma coisa: essa dinâmica se aplica não só aos artigos que eu assino, mas também aos dos demais intelectuais. Por outro lado, julgo ser muito importante atualizar o leitor. Isso é algo que gera o seu interesse. Portanto, a análise de conjuntura é sempre um recurso metodológico do qual utilizo.

 

Jornal Brasil Popular: Até o momento, qual a sua avaliação sobre o que você já definiu em relação ao livro? Qual é a previsão de publicação desse livro?

 

Professor Adão: A Coleção Madreplac – Educação, Território e Desenvolvimento Regional será lançada nos próximos 3 meses. Em agosto o primeiro volume, em setembro o segundo e em outubro o terceiro. Nesse primeiro volume, que trata das Dinâmicas Territoriais do Tocantins, teremos 10 artigos, que tratam de questões demográficas, hídricas, econômicas, rurais, eleitorais, ambientais e de políticas públicas. Eu garanto ao leitor e ao estudioso sobre o Tocantins que ele já pode soltar a ansiedade e deixá-la o dominar!

 

Jornal Brasil Popular:  Você é um profissional de qualidade histórica no meio docente, isso é fato. Um ser humano com história e histórico, mas nunca é tarde para ensinar, tampouco para aprender, sobretudo com algo tão relevante como é a função de escrever, se apropriar de ideias e palavras. Neste projeto, o que você mais aprendeu?

 

Professor Adão: Essa é uma boa pergunta! Eu creio que a lidar com a angústia. Pessoas hiperativas sempre atuam com várias frentes ao mesmo tempo e é comum alguns projetos empolgantes no princípio se transformarem em decepções no futuro, fazendo com que a pessoa até mesmo os abandone sem os concluir. Isso já me ocorreu várias vezes. Mas esse não é o caso dessas obras. Eu nunca as abandonei; fiquei mesmo amarrado na indisposição psíquica da depressão, que gera alheamento, desconcentração, distração. Assim, eu abria o meu computador e via toda a possibilidade diante de mim, mas ao mesmo tempo não conseguia organização o suficiente para destravar o processo.

 

Então, a angústia me consumia diante do tempo que passava… E eu fui cobrado por isso; pessoas próximas que sabiam do contexto e que tentavam me acordar, me despertar, me impulsionar. Certamente, isso também me ajudou. O fato é que teremos os livros! Talvez não os 5 que compunham o projeto inicial, mas esses 3 da série Madreplac estão garantidos. Os demais dependerão de uma nova articulação editorial.

 

É importante ressaltar que essa séria será lançada inicialmente no formato e-book pelo OPTE – Observatório de Políticas Territoriais e Educacionais da UFT, que eu coordeno, e totalmente grátis! Todos que tiverem o interesse terão acesso à obra, que será gravada em PDF. Penso que do ponto de vista do atrativo, não haveria notícia melhor. Posteriormente, faremos tiragens impressas dos 3 volumes dessa coleção.

 

 

Jornal Brasil Popular: Que mensagem você deixa aqui para os leitores e as leitoras?

Professor Adão: Primeiro: leiam livros! Segundo: leiam os meus livros! O conhecimento acumulado mediante a leitura possui um valor incalculável e é o motor de grandes e profundas transformações na vida pessoal e social. Mas cuidado! Em época de “fake news”, de tantas notícias falsas veiculadas muito facilmente por vários veículos de comunicação, é preciso saber também ser cuidado com o que se lerá. De minha parte, garanto que os livros que organizo ou assino contêm um conteúdo absolutamente isento, científico e original.

 

Palmas, 31 de julho de 2020

 

P.S. terminar um mês atípico como foi esse julho e ter o privilégio de estagiar como jornalista numa entrevista com um dos mais respeitados professores doutores das federais é um orgulho e, particularmente falando: histórico, pois tudo isso é foco, reflexão, projeto e ação.

 

Obrigada, meu professor.

Maria do Carmo Ribeiro é professora aposentada, idealizadora dos Projetos Cinema em Casa com as Crianças, Fotografando Sonhos e estudante do curso de Jornalismo na Universidade Federal do Tocantins, Campus de Palmas.
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