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Os pequenos que eles não veem

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Na atualidade, os MEI (Microempreendedores Individuais), as micro e pequenas empresas são a ampla maioria da composição empresarial do país.

 

Os escritórios de advocacia individuais ou de dois ou três associados são também a maioria do setor. A maior parte das empresas de gastronomia são de pequenos, só para citar outro segmento.

 

Grandes empresas são poucas, como bancos são pouquíssimos.

 

Havia um tempo que só no Rio Grande do Sul havia mais bancos do que são todos aqueles que temos hoje em dia no Brasil.

 

No passado, as empresas tinham dono e regra geral era alguém conhecido. A. J. Renner era o capitão das indústrias e aqui todos o conheciam. Mas quem é dono da Renner agora?

 

Na atualidade a mídia fala dos mais contumazes sonegadores e mais cruéis empresários desempregadores: O dono da Havan, Madero, Coco Bambu, Bob’s etc. Isto criou nas redes sociais um movimento por compras de pequenos e de valorização das atividades do bairro.

 

A mídia omite os bons exemplos locais. E isto também gera oposição à mídia, dando caldo as mídias alternativas. No Rio Grande do Sul foram construídas entidades fortes tanto no setor empresarial como laboral.

 

E a pergunta que não quer calar: como andam nossas instituições?

 

Estas representam a todos?

 

Não. Nunca foram entidades globalizadoras.

 

E com o passar do tempo estas representações foram se atrofiando, diminuindo seu peso político-institucional, estando divididas em grupos de interesse.

 

Já desde as famigeradas jornadas de junho de 2013, ampliadas com o golpe contra a presidenta eleita, as direções de muitas entidades foram se distanciando do dia a dia de seus representados, para se juntar aos setores políticos conservadores, dando combustível a ações destrutivas destes segmentos que levaram ao Planalto um governo que a cada dia avança em suas posições fascistas, apesar das últimas desavenças no seu QG.

 

No momento em que escrevo a Covid-19 já matou mais de 16 mil.

 

Mesmo sem a churrascada prometida pelo presidente há uma semana, caiu o Ministro da Saúde. O presidente fala de um mediante que a mídia imputa ser de um laboratório com a sociedade de Trump, modelo de gestão do presidente local.

 

Não bastasse isso, os chefes das entidades pouco fizeram para escorar e dar suporte a seus representados neste período de pandemia.

 

Não criaram um Comitê de Crise Empresarial, ficando em demandas e rusgas com o prefeito e o governador.

 

Deles não se ouviu uma palavra por um Programa de Microcrédito quanto mais esperar deles uma proposta de Renda Básica Estadual ou Municipal complementar à ajuda federal, precaríssina e que deixou milhões de pessoas de fora. Os grandes falam em shoppings o tempo todo, mas nenhuma palavra para os pequenos.

 

Diante deste quadro, coloca-se a urgência de re(unir) de forma ousada os esquecidos, os “invisíveis” do mercado. Há momentos em que alguns diligentes mais parecem um projeto de Luis XIV, num absolutismo total no comando de suas entidades.

 

Eu desafio os pequenos a construir uma instituição em rede, agregando vários e diversos setores, com câmeras setoriais, numa engenharia horizontalizada.

 

Adeli Sell é vereador do PT de Porto Alegre

 

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