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Os não-vacinados que morrem e matam

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Números da Covid computados na semana passada no Brasil mostravam uma situação aparentemente contraditória e merecedora de mais detalhamento e esclarecimento por parte da mídia, inclusive a alternativa.

 

Segundo essas contas, o número de mortes pela Covid voltava a passar de mil por dia, chegando a quase 1.300 na quarta-feira. Ao mesmo tempo caía em São Paulo o número de internações e no Rio o de internações e procura de testes. Enquanto isso, o total de vacinados no país encalhava em sucessivas e insignificantes frações de 70%.

 

Uma dedução possível desse conjunto de números seria a seguinte: se a Covid está matando mais de mil pessoas por dia e se esse total chegou a quase 1.300, enquanto cai o número de internações e de procura por testes, só pode ser porque esses mortos não estavam vacinados ou não tinham procurado a segunda ou a terceira dose da vacina.

 

Outros números confirmavam nesse momento que pelo menos 85% dos leitos de hospital ocupados por doentes de Covid estavam entregues a pacientes não vacinados.

 

Outra dedução permissível seria a de que esses mortos não se limitavam a morrer. Eles também matavam, porque podiam ter contaminado outras pessoas, provavelmente pessoas também não vacinadas, que teriam o potencial macabro de contaminar outras mais, num ciclo infernal de transmissão multiplicada da variante ômicron.

 

Além de submeterem a maioria de 70% de vacinados aos riscos do contágio, esses 30% de não vacinados ocupam todos os hospitais do SUS e seus leitos de UTI que poderiam estar disponíveis para outros casos, tão ou mais urgentes que os de Covid.  

 

Transposta para o universo político, essa situação configuraria um quadro de fato: um país literalmente governado pela minoria insensata de seus 30% de não-vacinados, ao colocar em risco permanente e desnecessário a maioria de 70% dos vacinados.

 

Esse quantitativo de 30% corresponde de certo modo às melhores expectativas eleitorais do bolsonarismo e de Bolsonaro e acentua ainda mais o paralelismo entre o “governo” de fato dos 30% de não-vacinados e o governo legal de Bolsonaro, que sabota de todos os modos a vacinação e todas as outras medidas contra a Covid.

 

Felizmente outros números mostravam nesse momento que a Covid perdia terreno no Brasil, embora fosse ainda muito prematuro afrouxar na cobrança da vacinação e de outras medidas de acautelamento.

 

A média móvel de mortes continuava péssima, 85% maior que duas semanas antes – mortes que em pelo menos outros 85% dos casos atingiam pacientes não-vacinados. Ou seja, a Covid matava cada vez mais pessoas não-vacinadas. Mas a média móvel de novos casos tivera em 14 dias uma redução de 20%. Ou seja, a vacinação mostrava resultados e reduzia o número de pessoas contaminadas.

 

Esses resultados seriam muito menores se o governo legal de Bolsonaro não se acumpliciasse tanto com o “governo” real da minoria antivacina na sabotagem da luta contra a Covid. Tal parceria tem a reforçá-la a estratégia eleitoral de Bolsonaro, de seu gabinete do ódio, de suas milícias digitais e dos idiotas criminosos que agora se valem dos recursos da internet para saudações nazistas e para a defesa do que consideram liberdade de expressão e não passa de uma escalada suicida no rumo da liquidação futura da democracia e de todas as liberdades públicas.

 

A prevalecer e avançar essa permissividade criminosa que tudo justifica e perdoa em nome de um suposto direito de tudo dizer e fazer, o próprio Código Penal teria de ser revogado para não sancionar os piores comportamentos. 

 

Fomos na verdade mergulhados numa situação em que a mentira funciona como instrumento político e eleitoral consentido e arrasta atrás de si toda a tragédia da Covid. Em nome de uma reeleição cada vez mais distante, Bolsonaro tenta conseguir que se repita o que aconteceu em 2018, o ano de sua eleição.

 

Na noite daquela eleição, o caudal de mentiras, violência e ódio despejado ao longo da campanha culminou em Salvador com o assassinato do Mestre Moa, um capoeirista querido e inofensivo, apenas por ter dito que não votara em Bolsonaro. Nesta campanha vamos ter um novo Mestre Moa, além dos mortos da Covid?

 

(*) José Augusto Ribeiro – Jornalista e escritor. Publicou a trilogia A Era Vargas (2001); De Tiradentes a Tancredo, uma história das Constituições do Brasil (1987); Nossos Direitos na Nova Constituição (1988); e Curitiba, a Revolução Ecológica (1993). Em 1979, realizou, com Neila Tavares, o curta-metragem Agosto 24, sobre a morte do presidente Vargas.

 

 

 




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