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Oposição protocola 64º pedido de impeachment contra Bolsonaro

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Os seis partidos políticos de oposição ao governo federal, na Câmara dos Deputados, apresentaram, nesta quarta-feira (27), o 64º pedido de impeachment contra o Presidente da República. PT, PSB, PDT, PCdoB, PSOL e Rede embasaram o pedido em 15 crimes cometidos pelo presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19.

 

Na peça, a oposição comprova o comportamento negligente e omisso do governo federal. Um dos exemplo é o colapso do sistema de saúde de Manaus. O documento mostra que Bolsonaro soube com 10 dias de antecedência que faltaria oxigênio nos hospitais da capital do Amazonas e nada fez para impedir as mortes por asfixia e nem controlar a pandemia na região e nem no Brasil.

 

Esse é o 64º pedido de impeachment remetido à presidência da Câmara dos Deputados. O deputado Ênio Verri (PT-PR),  líder da bancada do PT na Câmara, destacou, durante o ato público realizado no Salão Verde da Casa Legislativa, que o comportamento do Presidente foi, ostensivamente, de desprezo pelas vidas perdidas, asfixiadas por falta de oxigênio.

 

“Quando um agente público tem conhecimento de um fato e não toma atitude alguma sobre o assunto, ele pode ser enquadrado no crime funcional de prevaricação. Ora, Bolsonaro e Pazuello souberam mais de uma semana antes que faltaria oxigênio e não se mexeram para resolver a demanda. Abandonaram a população”, disse Verri.

 

Os participantes da cerimônia de apresentação do pedido de impedimento, disseram que, pouco antes de o caos da saúde se estabelecer na capital, o governo federal visitou o estado para uma pesada e coercitiva campanha de recomendação do uso de medicamentos de ineficácia e ineficiência cientificamente comprovadas.

 

O site do Ministério da Saúde oferecia um aplicativo que recomendava o uso de cloroquina, ivermectina, azitromicina, até para bebês. Nessa terça-feira (26), o ministro Benjamin Zymler, do Tribunal de Contas da União (TCU), apontou ilegalidade no uso de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) para o fornecimento de cloroquina para o tratamento de pacientes com coronavírus. Ele emitiu um parecer dando 5 dias para o Ministério da Saúde apresentar explicações.

 

A deputada federal Érika Kokay (PT-DF) postou em suas redes sociais: “Acabamos de protocolar um novo pedido de impeachment contra Bolsonaro. O novo pedido é com base nos crimes cometidos durante a pandemia, incluindo a falta de oxigênio em Manaus. Assinam o pedido, além do PT, PSOL, PC do B, PSB, PDT e Rede. Impeachment Já!”

 

O deputado federal David Miranda (PSOL-RJ) também comemorou nas redes sociais: “Acabamos de protocolar um novo pedido de impeachment de Bolsonaro. Pela vacina! Pela vida! Pela democracia!”

 

Wolney Queiroz (PDT-PE), líder do PDT na Câmara, escreveu: “56, 62, 64? Quantos pedidos de #impeachment serão necessários para abrir o processo contra Bolsonaro e salvar o povo brasileiro? Já são mais de 218 mil mortos por Covid-19 e o PR continua negando a pandemia”, postou.

 

A Secretaria Geral da Mesa da Câmara dos Deputados disse que até esta terça-feira (26) havia 61 pedidos de impeachment protocolados, mas que, com o pedido de impeachment de cerca de 1.500 estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), feito em 20/1; o pedido dos religiosos, nessa terça-feira (26); e o dos partidos de oposição, nesta quarta (27), são 64 pedidos.

Verri informou que “há vários outros fatores, todos ocorridos durante a pandemia, que revelam o comportamento inadmissível de um governo que concorre, deliberadamente, para que o número de mortos não cesse”.

 

E acrescentou: “Infelizmente, o impeachment é uma medida extrema, de difícil decisão e de consequências difíceis. Porém, o Brasil é grande demais para se permitir ser asfixiado por alguém, cuja aspiração máxima é ser um pária mundial. É urgente impedir que Bolsonaro mate mais brasileiros”, declarou o deputado petista.

 

A oposição pediu também a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os crimes de responsabilidade por ação e omissão do governo Bolsonaro durante a pandemia. O anúncio foi feito no momento da apresentação do pedido de impeachment, pelo líder da minoria, deputado José Guimarães (PT-CE).

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