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O Trump dos trópicos

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Jair Bolsonaro, o presidente da extrema-direita brasileira, está de visita à Hungria no dia 17 de fevereiro. Esta é, provavelmente, sua forma de agradecer a Orbán por assistir, pessoalmente, à cerimônia de inauguração do Brasil em 1º de janeiro de 2019. Os líderes das democracias do mundo estiveram conspicuamente ausentes do evento, com Trump apenas twittando uma mensagem de bondade.

 

É claro que Orbán pode não ter ido ao Brasil para o desconhecido Bolsonaro, mas para encontrar o então primeiro-ministro israelense Netanyahu e enviar uma mensagem ao Trump sobre seu desejo de uma reunião presencial. Há muitas semelhanças entre Bolsonaro e Orbán. Em 2022, ambos enfrentam eleições, ambos se isolam do mundo democrático com sua própria retórica, ambos se opõem à mensagem dos estudos de gênero, ambos estão em guerra com os gays, ambos querem ver os desprivilegiados, ambos têm casos de corrupção familiar.

 

Eles veem o meio ambiente e as organizações sociais que o defendem como um mal necessário, fazem esforços para reescrever a história, negligenciam os serviços públicos, imaginam que sua influência seja maior do que realmente é, lidaram mal e com sigilo com a crise da cobiça. Bolsonaro foi processado pela morte de mais de 600 mil pessoas. Vamos analisar mais de perto a situação no Brasil.

 

O Brasil teve, sem dúvida, um período em sua história em que seu progresso em relação ao resto do mundo não pôde ser questionado. Durante este período, primeiro, Luiz Inácio Lula da Silva – de 2002 a 2010 – e, depois, Dilma Rousseff – de 2011 a 2016 – presidiu o grande país. Os dois presidentes do Partido dos Trabalhadores (PT), que marcaram o período de maior sucesso na história do Brasil, foram eleitos duas vezes consecutivas.

 

Mas Dilma Rousseff foi destituída, em 2015, suspensa por 6 meses por acusações de fraude orçamentária e, temporariamente, dada à Presidência pelo ex-vice-presidente do MDB, de centro-direita, Michael Temer. Durante este período, os principais processos políticos no País continental foram, de fato, determinados pela imprensa e pelos tribunais. Preso após o golpe militar de 1964, acusado de ser um guerrilheiro urbano marxista, torturado na prisão e de origem búlgara, a carreira política de Rousseff estava, praticamente, terminada, embora durante sua presidência, seguindo as diretrizes políticas de Lula, o desenvolvimento econômico do País fosse evidente e os resultados espetaculares fossem alcançados na luta contra a pobreza e a fome.

 

O Brasil sediou a Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e as Olimpíadas em 2016. Nos anos sob o PT, o Brasil mostrou um forte crescimento. No ranking de países por Produto Interno Bruto (PIB) do Fundo Monetário Internacional, o Brasil ficou em oitavo lugar entre 194 países, e em nonagésimo em outras listas, à frente do Canadá, Rússia, Coréia do Sul, Espanha, Austrália e muitos outros países líderes da economia mundial.

 

Jair Messias Bolsonaro foi eleito presidente em 2018. Antes disso, ele foi um soldado até 1988, e, depois, passou 27 anos como backbencher*** no Parlamento brasileiro como político dos partidos democratas-cristãos e liberais de direita. Como ele tem dito repetidamente, seu surgimento dos bastidores foi inesperado para ele… Nós sabemos o resto.

 

Mas como o paraquedista agressivo se tornou um político? A promessa de ordem, de libertação da corrupção e do crime foi suficiente para conquistar o eleitorado? Obviamente, não. Em 2018, o político mais popular do Brasil foi Luiz Inácio Lula da Silva, que tinha um histórico comprovado de dois mandatos presidenciais, falou com a voz do povo e desfrutou de um índice de popularidade de quase 80%, apesar de ter sido atacado ferozmente pela imprensa.

 

Ele não podia ser espancado, apenas afastado da vida pública. Lula teve de ser colocado em uma posição na qual o PT não pudesse nem sequer concorrer às eleições. Foi o que aconteceu. Vítima de uma guerra jurídica (lawfare), Lula foi julgado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro sem provas. Assim, um político menos conhecido, Fernando Haddad, um cristão de origem libanesa, foi eliminado, perdendo para Bolsonaro no segundo turno.

 

Lula foi condenado a 9 anos e meio de prisão. Ele apelou – a sentença foi aumentada para 12 anos e um mês pelo ex-juiz de Sérgio Moro, de Curitiba, Paraná. Bolsonaro o nomeou ex-juiz a Ministro da Justiça. É uma situação estranha: tanto o ex-juiz como Lula – que foi libertado após 580 dias de prisão – estão concorrendo nas atuais eleições presidenciais. Lula está à frente em todas as pesquisas e está previsto ganhar em uma corrida de um round.  

 

Sob a presidência de Bolsonaro, a economia brasileira caiu do oitavo para o 12º lugar. A questão agora é se o País, dado o seu potencial, voltará a crescer ou continuará seu deslize. Não é correto politicamente alinhar as políticas do ex-presidente Lula com as políticas do atual presidente dos EUA, Joe Biden, que mantém todas as ações de sabotagens e sanções contra países independentes. Mas existe quem faça esse paralelismo: compara Lula e suas próprias políticas com as de Biden e, Bolsonaro, com as de Trump. Outros apelidaram Bolsonaro de “O Trump dos trópicos” em um país que muitos consideram a quarta democracia mais populosa do mundo.

 

A questão é: como pode um presidente ser misógino, antifeminista, antigay, cujos alvos demagógicos são universidades e intelectuais, que elogia a ditadura civil-empresarial-militar de 1964, na qual a intimidação, a prisão e a tortura foram um meio de manter o poder, que condena os protestos de seus partidários exigindo o fechamento dos tribunais e do Congresso Nacional, instituições do Estado de direito…?

 

Ainda não sabemos que tipo de futuro Bolsonaro tem no Brasil, mas talvez já saibamos o que ele fez para ganhar a hospitalidade de Viktor Orbán

 

(*) Por György Droppa – Jornal Brasil Popular

 

 

O articulista György Droppa é húngaro, integra a Rede de Intelectuais em Defesa da Humanidade, criada por Fidel Castro e  Hugo Chávez. Fala o português porque viveu o Rio de Janeiro de 1961 a 1968, onde se tornou campeão em atletismo pelo Flamengo.


 

(***) Nos sistemas parlamentares de Westminster, um backbencher é um membro do parlamento ou legislador que não ocupa nenhum cargo governamental e não é um porta-voz da bancada na Oposição, sendo simplesmente um membro da “base”




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