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O triste destino do juiz que ia limpar o Brasil 

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Terminou na sexta-feira, sem maiores surpresas, o prazo para as últimas decisões sobre candidaturas e entre os casos de maior destaque um passou quase despercebido, até porque pouco se falara nele antes: o Senador Álvaro Dias, candidato a Presidente da República em 2018 e hoje principal figura do partido Podemos, recusou nova candidatura à Presidência, proposta em estranhas circunstâncias e à sua revelia na convenção nacional do partido.

 

O Podemos já tinha tido um candidato aparentemente forte à Presidência, Sérgio Moro, levado ao partido pelas mãos de Álvaro Dias na expectativa de que pudesse ultrapassar nas pesquisas a barreira simbólica dos 10% e tornar-se o candidato de toda a então esperançosa Terceira Via, arrastando para uma coligação com o Podemos outros partidos que não queriam ou não quereriam nem Lula nem Bolsonaro.

 

Moro parecia talhado para esse papel de candidato do nem um nem outro: em 2018 pusera Lula na cadeia com uma condenação sem provas e feita sob medida para eleger Bolsonaro; e em 2020 deixara o Ministério da Justiça de Bolsonaro, rompendo com ele.

 

Sem qualquer experiência política, partidária e eleitoral prévia e devorado por dentro por uma ambição sem limites e sem cuidado, Moro não teve paciência para esperar nem os 10% nas pesquisas nem a adesão de outros partidos de centro-direita e de direita, entre os quais certamente o União Brasil, fruto da fusão entre o PSL (que lançara a candidatura Bolsonaro em 2018) e o DEM (que nessa eleição não o apoiara mas se ajeitou com ele no governo). Depois o PSL rompeu com Bolsonaro ou Bolsonaro rompeu com ele e o União Brasil surgiu como um partido que poderia ter candidato forte contra Bolsonaro e contra Lula em 2022, graças ao fato de dispor das maiores verbas dos fundos partidário e eleitoral.

 

Isso seduziu Moro. Sem dar satisfações ao padrinho Álvaro Dias e ao Podemos, que já gastara bom dinheiro com o lançamento de sua candidatura, Moro filiou-se imprevista e incondicionalmente ao União Brasil, acreditando que este o faria candidato a Presidente, disponibilizando-lhe muito mais dinheiro de campanha que o Podemos. Logo, porém, a direção do União Brasil, comandada por Luciano Bivar, fez saber que Moro poderia ser candidato a qualquer outra coisa, mas não à Presidência.

 

Para disputar a Presidência, Moro poderia continuar a ser eleitor em seu Estado, o Paraná. Mas ele decidiu ser candidato a Senador por São Paulo, até na esperança de acabar aceito como candidato a Presidente, e pediu transferência de domicílio eleitoral, apresentando como prova de que se mudara de Curitiba a nota fiscal de um apart-hotel paulista. O pedido foi impugnado e a transferência de domicilio eleitoral foi negada pelo TRE de São Paulo, que ainda abriu sindicância para investigar a possível ocorrência de fraude no pedido.

 

Moro, então, contentou-se em ser candidato a Senador pelo Paraná mesmo, onde Álvaro Dias já era candidato à reeleição como senador. Como a rejeição a Moro é muito alta, logo surgiu em grupos de esquerda a proposta de voto útil em Álvaro Dias, para garantir a derrota de Moro. Ao mesmo tempo era discutida a hipótese da impugnação de sua candidatura pelo Paraná, já que Moro se filiara ao União Brasil em São Paulo, não em Curitiba.

 

Na sexta-feira Álvaro Dias não aceitou a candidatura sem a menor chance à Presidência, preferindo continuar candidato ao Senado, com boas chances contra Moro.

A reação de Moro, pelo twitter, foi imediata:

 

Tem gente da velha política do Paraná que só sabe disputar eleição passando a perna nos outros. Quer ganhar no tapetão. Vamos deixar o eleitor decidir. 

 

O alvo dessa reclamação não era qualquer inimigo de Moro, mas o parceiro político no qual ele passara a perna e que agora poderia vencê-lo nas urnas. É esse o ex-candidato a Presidente que como juiz resolveu que ia limpar o Brasil.

 

 

(*) Por José Augusto Ribeiro – jornalista e escritor. Publicou a trilogia A Era Vargas (2001); De Tiradentes a Tancredo, uma história das Constituições do Brasil (1987); Nossos Direitos na Nova Constituição (1988); e Curitiba, a Revolução Ecológica (1993). Em 1979, realizou, com Neila Tavares, o curta-metragem Agosto 24, sobre a morte do presidente Vargas.

 




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