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O SUS: esta preciosidade que o Brasil possui!

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Foto de Maya Lima

 

Depois de ver pessoas em lojas e mercados pressionando o litro de álcool gel à disposição dos clientes e fazendo O Nome do Pai, antes de esfregá-lo nas mãos (como faziam com o vidro de água benta ao entrar em igrejas), passei a chamá-lo de “álcool angel”, já que se tornou “O” produto de proteção contra a Covid19. No entanto, ainda muito mais que o álcool, anjos da guarda e garantia de proteção de fato quem nos oferece é o SUS, embora para muitos esta ficha parece ainda não ter caído.

 

Há 30 anos na ativa, dando assistência a enfermos, salvando vidas, formando médicos competentes no dia a dia dos atendimentos, cumprindo um papel diversificado e fundamental à saúde de toda a população, o SUS é um serviço que devia nos orgulhar muito e contar com a nossa total defesa, sobretudo quando ameaçado por um projeto de lei, como o do acintoso governo atual, que debilita ainda mais os seus já insuficientes recursos para tanto o que fazer.

 

Quem viveu dramáticas passagens, ocorridas com pessoas da família ou com amigos que, entretanto, tiveram a assistência de equipes médicas de prontos-socorros do SUS, sabe bem o que significa esta preciosidade de serviço público que o Brasil dispõe, desde 1988, quando foi criado. Agora, em tempos de Covid nos ameaçando indistintamente, a experiência e o relato são outros e acerca de suas unidades básicas de saúde (UBS/SUS).

 

Incentivada por um amigo, solidário, ao saber o que eu vivia – passávamos por momento e situação semelhantes, de sintomas e suspeita do pior –, busquei uma UBS da Asa Sul do Plano Piloto para fazer o teste e saí de lá tão encantada quanto ele, com o atendimento recebido. No prédio onde se fazem as triagens e consultas há limpeza e organização, e atenção, simpatia, acolhimento por parte de médicos, enfermeiros, assistentes e vigilantes – do que mais se precisa que isso? Tudo conforta e anima o paciente, pois é um modelo padrão, ditado ao país todo.

 

Os testes no barracão

 

Esta Unidade em que fomos atendidos, os testes são feitos em um barracão (foto ao alto), naturalmente ventilado, situado na parte de trás do pavilhão da entrada. O espaço é aberto e há verdes, árvores, plantas, algumas flores e um amplo terreno que se estende além do barracão; o cenário lembra o das instalações do início de Brasília – como as do Clube da Imprensa, cujo charme se devia exatamente a seu despojamento e simplicidade.

 

Fica-se por ali perto do barracão, enquanto se espera ser chamado pelo nome. Depois de realizado, o resultado sai em cindo minutos. Bem, há dois tipos de testes e a adequação de cada um é verificada na triagem. Quem contraiu de fato o coronavírus, recebe orientação e apoio das equipes do pavilhão principal. E quem precisa de assistência para outros casos, também tem ali atendimento, além de receber até mesmo os remédios necessários ao tratamento. Tudo gratuitamente.

 

O amigo que me encorajou a sair de casa para testar e parar de ficar cismada e amedrontada com a suspeita, felizmente negativada, incentiva a busca do serviço também para outras questões. Diz textualmente, ele, Ralph Gehre:

 

Ralph Gehre (foto do arquivo pessoal)

 

“Tenho 68 anos e moro em Brasília desde 1962, mas só agora recorri ao SUS, pois, sendo artista plástico, não tenho recurso para bancar um plano de saúde. Eu, porém, desconhecia o que o Serviço significa. Motivado por uma suspeita enganosa de Covid, fui com meu filho ao posto de saúde do nosso bairro, esta é a orientação, onde fomos atendidos, rápida, simples e objetivamente, numa tarde de um dia de semana, quando a Covid foi logo descartada. Mas lá estando, eu disse ao médico que gostaria de fazer meus exames de rotina, em especial, o preventivo do câncer masculino, se possível. Pois, prontamente agendou-se uma consulta, com ficha criada no sistema, hoje todo informatizado, e a anamnese anotada”.

 

Ralph Gehre continua seu relato, enfatizando a importância de se compreender que o SUS funciona como um sistema de saúde familiar, um posto de saúde próximo de seu endereço: há unidades instaladas em todo o DF. Uma das injustas críticas que fazem ao Serviço é quanto ao atendimento, que ele protesta: “90% das pessoas que o buscam vão ao Pronto Socorro, que é voltado a casos de emergência. Para o atendimento cotidiano há as UBS”.

 

Ghere não esconde a sua irrestrita admiração pelos médicos do SUS e a forma como atendem, o cuidado e respeito que têm para com a saúde do paciente. “Eu me sinto super bem atendido e seguro – e muito feliz por isso. O ambiente é agradável, os funcionários são todos formidáveis, desde o pessoal da farmácia que me entrega o remédio, ao médico, ao residente, à enfermeira, à recepcionista, ao segurança. Todos são impecáveis no trato, são profissionais seríssimos e considero isso um privilégio, uma coisa maravilhosa”, elogia.

 

Foto de Maya Lima

 

Defender o SUS, como Ralph Gehre salienta, é uma postura política que todos devemos assumir. Especialmente no momento em que há uma ameaça concreta de desmonte do Sistema. “A estrutura está sendo minada em suas bordas. O sistema manicomial já está corroído. E quantos precisam de seus atendimentos e medicamentos para sobreviver. A necropolítica neoliberal escamoteia a saúde pública, que é obrigação do Estado. Os governos têm apenas de cumpri-la. O desmonte do SUS não é iniciativa criminosa do SUS”, sustenta. (Térreo UBS Asa Sul, à esq.)

 

Assim, Gehre conta que após ser atendido, decidiu divulgar o Serviço aos amigos, com a sua história pessoal. Ele insiste: “Vá ao posto de saúde da sua vizinhança e diga no guichê que você precisa fazer exames. A partir dali, tudo vai acontecer. É fundamental que homens adotem o exame regular anual de urologia, a partir dos 40 anos ou 45 anos. Lá, eles podem receber esse acompanhamento. E eu fico ali, sem saber como agradecer a cada um daqueles profissionais que simplificam as minhas angústias, atendendo às demandas da minha saúde, e que me curam. Isso é maravilhoso. Quero dizer o meu muito obrigado a cada uma dessas pessoas do Sistema Único de Saúde do Brasil”.

 

Sim, o Brasil precisa do SUS. E como frisa Chico Buarque em vídeo de apoio à campanha que se inicia nesta terça-feira (clique aqui para assistir), “o SUS é simplesmente o maior serviço de saúde pública do mundo”. Nós precisamos apenas de apoiá-lo e defendê-lo – e de usufruir dos seus benefícios. Caetano Veloso também gravou vídeo em defesa do SUS. Clique aqui para ver.

 

 

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