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O que o STF vai fazer com relação ao irreal plano de vacinação do governo Bolsonaro?

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No sábado (12), o governo Bolsonaro entregou seu “Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a Covid-19“ ao ministro Ricardo Lewandovski, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das duas ações em que a oposição pediu que o presidente da República fosse obrigado a apresentar um plano de aquisição de vacinas que contemple todas as alternativas viáveis e que adotasse todos os procedimentos administrativos indispensáveis para a compra do imunizante.

 

O documento de 93 páginas é uma peça de fantasia dividida em “dez eixos”, que nem sequer indica uma possível data para início da vacinação. O tal plano inclui vacinas que nem foram compradas e ainda sofre acusação de falsificação de assinaturas por parte de 36 pesquisadores que compõem o grupo técnico assessor do chamado “eixo epidemiológico” do plano de vacinação. Eles divulgaram nota afirmando que não tiveram acesso ao plano enviado ao STF, apesar de suas assinaturas constarem no documento.

 

A nota dos pesquisadores diz que “o grupo técnico assessor foi surpreendido no dia 12 de dezembro de 2020 pelos veículos de imprensa que anunciaram o envio do Plano Nacional de Vacinação da covid-19 pelo Ministério da Saúde ao STF”.

 

Esses pesquisadores fazem parte de instituições renomadas como Fiocruz, Instituto Butantan, Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), entre outras.

 

Para piorar, o governo prevê apenas a necessidade de 108 milhões de doses para vacinar somente 51 milhões de pessoas do grupo prioritário (trabalhadores de saúde, idosos, indígenas, entre outros), deixando de fora milhões de brasileiros.

 

Entre uma fake news e outra, o ministro militar da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a vacinação poderia começar ainda este ano caso a vacina da Pfizer seja aprovação pela Anvisa para uso emergencial. Mas a verdade é que, das cerca de 70 milhões de doses “negociadas”, apenas 2 milhões têm previsão de entrega, só que para o primeiro trimestre de 2021. A vacina da Pfizer já foi aprovada para uso em países como Reino Unido, Estados Unidos e Canadá.

 

O curioso é que a vacina chinesa CoronaVac, que já está sendo fabricada pelo Instituto Butantan, em São Paulo, está citada no documento entre aquelas “com previsão de aquisição pelo Ministério da Saúde”, embora o presidente Jair Bolsonaro já tenha declarado várias vezes que o Brasil não compraria esta vacina. Fica a pergunta: Quem mente? Pazuello, Bolsonaro ou ambos?

 

E fica outra pergunta, ainda mais importante: o que o STF vai fazer com relação ao suspeito plano de vacinação do governo Bolsonaro? Vai deixar por isso mesmo ou vai exigir um plano real?

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