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O que as futuras mamães precisam saber sobre a Covid-19

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Médico da SBRA ressalta que, apesar da inexistência de evidências de impacto da doença durante a gestação, é preciso acompanhar as atualizações científicas

 

Como o coronavírus pode impactar na gestação? Quais os riscos e os cuidados necessários para quem planeja engravidar? E quais são os males para a futura mamãe e o feto? Com o crescente avanço do coronavírus (SARS-CoV-2) no Brasil, esses questionamentos já estão sendo feitos por quem está aguardando a chegada do bebê ou vivendo a expectativa da gravidez.

 

Segundo Bruno Ramalho, médico e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), até o momento não existem evidências de que mulheres grávidas estejam em maior risco de doença grave pelo coronavírus do que a população em geral.

 

Sabe-se que epidemias anteriores semelhantes à Covid-19 impactaram diretamente os resultados obstétricos, trazendo complicações maternas e para os recém-nascidos, incluindo aumento da mortalidade. Por esse motivo, Ramalho acredita que é preciso ter cautela e acompanhar as atualizações científicas constantes sobre o assunto.

 

De acordo com ele, nos registros científicos mais recentes ainda é pequeno o número de gestantes e neonatos com Covid-19 documentados. Ou seja, ainda é preciso esperar a ocorrência de mais casos para se inferir conclusões mais categóricas. “O que sabemos até agora é que, diferentemente do que foi observado no passado em infecções por vírus semelhantes na gravidez, a Covid-19 não parece levar ao aumento da mortalidade materna ou fetal”, diz.

 

“Além disso, os casos documentados até o momento envolveram apenas mulheres no terceiro trimestre gestacional. Por isso, ainda não temos respostas sobre o efeito da infecção por esse coronavírus na saúde do embrião ou do feto no primeiro ou no segundo trimestres de vida intrauterina”, afirma. Esse é um dos motivos pelos quais os especialistas recomendam evitar, por ora, uma nova gestação.

 

Sobre o impacto nos fetos – O impacto do SARS-CoV-2 nos fetos é outro ponto que ainda requer mais estudos e observações médicas e científicas. Sobre esse ponto, Bruno Ramalho explica que ainda não foi observada nenhuma ocorrência de transmissão vertical (que é da mãe para o bebê) do coronavírus em gestantes.

 

Prova disso é a inexistência de SARS-CoV-2 em amostras de placenta, líquido amniótico, sangue do cordão umbilical, esfregaço da garganta neonatal e leite materno de mulheres positivas. “Por esse motivo, é possível deduzir que os fetos estão protegidos da infecção, ao menos nos casos em que a doença materna acontece no fim da gravidez”, esclarece.

 

Recomendações – Mesmo ainda não existindo conhecimento específico sobre o impacto da Covid-19 em grávidas, o ideal é que as mulheres evitem uma gestação durante a pandemia. Para quem já está grávida, é importante lembrar que as gestantes já são consideradas uma população de risco maior – com necessidades de manejo semelhante ao das pessoas idosas e/ou com saúde vulnerável. Por esse motivo, a orientação é tomar todas as precauções possíveis para reduzir o risco de exposição ao coronavírus e evitar o pânico.

 

“Também recomenda-se uma atenção redobrada aos cuidados mínimos para evitar a transmissão, como lavar as mãos com sabão, não tocar seu rosto e praticar o distanciamento social (físico). E no caso de mulheres grávidas que já contraíram a Covid-19, acredito que elas necessitem de maior atenção, assim como ocorre quando a paciente apresenta qualquer outra infecção durante a gravidez”, adverte o médico.

 

Aleitamento materno – Até o momento, ainda não há consenso sobre  contraindicação para o aleitamento materno. Por esse motivo, não existe proibição formal para a mãe que deseje amamentar, sendo necessário usar máscara facial para reduzir o risco de transmissão ao filho e tomar todas as outras medidas de proteção descritas. “Aparentemente, os serviços chineses têm contraindicado a amamentação para os casos de Covid-19 maternos (mesmo os apenas suspeitos), mas não se demonstrou, até agora, a presença do SARS-CoV-2 no leite humano”, observa Ramalho.

 

A SBRA e a Red Latinoamericana de Reproducción Asistida (REDLARA) seguem acompanhando de perto as informações divulgadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS), Ministério da Saúde e comunidade científica internacional para continuar orientando os profissionais da área, seus pacientes e toda a sociedade. “Certamente, o maior conhecimento da doença, advindo de novos casos e de estudos científicos bem desenhados, determinará a manutenção do que se sabe hoje ou o surgimento de outras verdades sobre a doença em gestantes. Até lá, devemos analisar com cautela o que temos e ficar atentos às notícias”, finaliza.

 

Vale ressaltar que as informações e orientações que fundamentaram a elaboração deste texto foram produzidas pelo médico com base nos estudos e pesquisas publicados até o dia 31 de março nas principais plataformas científicas.

 

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