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O massacre de índios de 20 de janeiro de 1565

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A cidade do Rio de Janeiro comemorara um feriado nesta data em homenagem ao São Sebastião.

 

Mas, na verdade, em 20 de janeiro de 1565, aconteceu o maior massacre de índios     na área dos bairros Flamengo e Glória. Havia uma luta dos portugueses pela expulsão dos franceses comandado por Nicolas Durand de Villegaigon, que se estabeleceu em duas ilhas, atual ilha de Villegaigon e do Governador.

 

Os franceses contavam com os aliados da tribo Tamoio comandando por Aimberê. Houve uma matança de índios onde os rios jorravam sangues e as areias ensopadas de sangues de milhares de indígenas. Os portugueses eram comandados por Mem de Sá, que mandou seu sobrinho Estácio de Sá fazer o serviço de crueldade nesta cidade.

 

O professor e escritor Ivan Cavalcanti Proença relembrou que os sons das águas e o próprio Rio Carioca é que inspiravam dos Tamoios nas suas composições musicais, acompanhadas por flautas, tambores e maracás.

 

Depois de tantas guerras, o líder Aimberê teve a esposa Iguaçu atingida no peito e morreu fulminantemente. Ela acompanhava o marido em todas as lutas. Mas, Aimberê prosseguiu sua luta e quando encontrou Estácio de Sá, atingiu-o com uma flechada e morreu dias depois.

 

Com a derrota dos franceses e seus aliados indígenas, a data 20 de janeiro era em homenagem ao Dom Sebastião de Portugal, e a cidade foi batizada de São Sebastião do Rio de Janeiro, que tinha o nome Urumirim.

 

Depois de dois anos de batalha, os Tamoios sobreviventes dos massacres fugiram para Cabo Frio, onde criaram a Confederação dos Tamoios. O capanga da Coroa, o governador Antonio de Salema partiu para Cabo Frio, em 27 de agosto, com 1.100 soldados. Os Tamoios estavam entrincheirados com tanta segurança realizada por dois franceses e um inglês, que possuíam grandes experiências militares. Mas com o cerco, os Tamoios sitiados ficaram com fome e sede. Salema mandou padre jesuíta Baltazar Alvares espionar e levar um tratado de paz. Salema conseguiu plantar uma cruz no campo da Confederação, mas acabou massacrando 500 Tamoios, que ficou conhecido como ‘salemada de Cabo Frio’, em 26 de setembro de 1575.

 

Em defesa da ‘civilização cristã’, Antonio de Salema, que tem nome numa rua do bairro de Tijuca,  destruiu impiedosamente a Confederação dos Tamoios, aniquilando-os de forma tal que se tornasse impossível seu reagrupamento. Dos nativos que sobraram, separaram os filhos dos pais e o marido da mulher. Um era mandado para São Vicente, em São Paulo e o outro para o Espírito Santo, o estado mesmo.

 

O escritor Dalmo Barreto relembrou que a conquista da terra não se restringiu à catequese e conversão dos índios. Ao contrário, foi banhada de sangue pela desafeição contra o índio, contra o qual se praticavam ‘as maiores iniquidades, como aquelas de Mem de Sá e Jerônimo Albuquerque, ao mandarem colocar à boca de bombardas, feito em pedaços, os índios que mataram cristãos’. José de Anchieta enalteceu Mem de Sá no seu famoso “De Gestis Mendi de Saa”.

 

A dupla maquiavélica Jerônimo de Albuquerque e Vasco Fernandes de Lucena, para não guerrear diretamente com os índios, para enganá-los com boas palavras, embebedavam-nos com vinho de que gostavam. Valendo-se da embriaguez, eles diziam as verdades; a bebida servia para saber quais, dentre eles, eram os inimigos. Como também passaram a se acusar uns aos outros, para justificá-los exemplarmente, Jerônimo de Albuquerque mandou amarrar alguns índios na boca de um canhão e mandou bala. Jerônimo investiu 10 mil flecheiros numa rebelião no Monte dos Guararapes, onde havia índios entrincheirados, e ele acabou levando uma flechada que arrancou o olho.

 

As verdadeiras histórias macabras da colonização do Brasil, devemos ao Frei Vicente do Salvador, onde foi citado várias vezes nas obras do historiador Manoel Bomfim. Trata-se de Vicente Rodrigues Palha, nascido em Salvador, em 1564. Sua importante obra ‘História do Brasil’, foi concluída em 20 de dezembro de 1627, mas só foi publicada na íntegra, em 1888, pela Biblioteca Nacional do  Rio de Janeiro.

Sergio Caldieri é jornalista, escritor e diretor do Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro – SJPERJ

 

 

 

 

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