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O limite do sistema de saúde é nosso limite de sobrevivência

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Fala-se em gargalo do sistema de saúde. Vamos ser sinceros, ele já está estourado. As formas de combate ao covid-19 são: isolamento social, disponibilidade de leitos de UTI e leitos clínicos, além da vacina. Em termos práticos, no Maranhão temos apenas 67% das formas disponíveis.

 

O problema é que a taxa de isolamento social hoje (dados de 15/04) é de 47,6%, enquanto a média nacional é ainda menor, 46,8%. Temos hoje no Maranhão, apenas 252 leitos (leitos SUS disponíveis na rede SES/MA), dos quais 132 são leitos de UTI e 120 leitos clínicos. Especificamente em São Luís, epicentro estadual da crise, são 80 leitos de UTI e 80 leitos clínicos.

 

Desses, temos 45 leitos de UTI ocupados e 35 livres; 72 leitos clínicos ocupados e 8 livres. Entretanto, as informações oficiais contrastam com a situação real, ou seja, não temos mais leitos disponíveis. Como temos a rede privada superlotada, Hospital Universitário no limite e a rede municipal esgotada, o resultado é bastante previsível. Há uma quantidade enorme de pessoas contaminadas nas UPAs aguardando o resultado bastante demorado do exame de confirmação da covid-19.

 

É preciso entender que cada leito tem um tempo de ocupação, que no caso do covid-19, significa entre 15 e 20 dias em média. Ou seja, a liberação do leito é lenta para um tipo de vírus que tem elevada capacidade de circulação na população. No período de incubação da doença, até sua resolução com a cura ou a morte, cada contaminado pode infectar até 6 pessoas.

 

Como estamos no limite da capacidade de absorção de novos pacientes pelo sistema de saúde, a infecção seguirá circulando e mais pessoas necessitarão de respiradores e atenção médica concentrada. Isso significa que a taxa de letalidade será aumentada exponencialmente. É por isso que o índice de isolamento social é tão decisivo: quanto menor ele for, afastando-se do mínimo ideal que está estimado em 70%, mais o vírus terá possibilidade e capacidade de propagação na população.

 

A posição de Bolsonaro de flexibilização radical do isolamento é criminosa. Parte significativa da população, deseducada e de alguma maneira sádica, segue acreditando que o covid-19 é uma estratégia global para dissolução particular do governo Bolsonaro. Ou tomamos medidas severas aqui no Maranhão, ou vamos ter uma carnificina. O covid-19 não é mais uma abstração espectral, ele passou a ter nomes próprios próximos e conhecidos de todos nós.

 

Saulo Pinto Silva é professor do departamento de economia da UFMA
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