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O Jogo Mortífero e a Lógica da Cova Rasa

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A curva ascendente de infectados e mortos com a Covid-19 mostra o jogo mortífero da política macabra contra os vulneráveis jogados hoje à própria sorte com a estúpida incompetência dolorosamente revelada na ingovernabilidade destrutiva de Bolsonaro, que equaciona os vivos e os mortos utilizando a sinistra lógica da cova rasa.

 

O país vive hoje um dos piores momentos da sua história, ao tornar-se evidente o sacrifício de vidas em prol do funcionamento de uma máquina fundada na desigualdade e na injustiça, quando um fascista se aproveita de uma pandemia para minar as instituições e alimentar sua ânsia de poder.

 

Com um discurso em favor da morte e mil tensões em sequência, Bolsonaro vem adotando a política de avestruz num clima de apocalipse e de guerra santa fanatizada, com seus fantasmas espectrais provocando ruídos no próprio governo cuja queda está na ordem do dia.

 

O primeiro consenso que podemos extrair da pandemia é o fracasso e a negligência do Governo Federal, que ao incorporar a inércia e a indiferença norte-americana em relação à letalidade do novo coronavírus perdeu um tempo precioso que custou e custará dezenas de milhares de vidas.

 

Agora, a situação piorou. A descrença se transformou em ação política, convertendo a arrogante postura governista em verdadeiro desdém organizado contra a sociedade brasileira.

 

A realidade se impõe e o caos se agrava no Brasil, que é a única Nação – com exceção da Bielorrússia – cuja autoridade máxima não só minimiza a força avassaladora do novo coronavírus, como também defende que as mortes devem fazer parte da rotina do país, custe o que custar.

 

Na verdade, Bolsonaro quer escolher quem vai sobreviver e quem vai morrer, com suas políticas de controle através da morte – a chamada necropolítica – com milhares de cidadãos submetidos a condições de vida que lhes conferem o estatuto de “mortos-vivos”.

 

Com uma manifestação abertamente mortífera, Bolsonaro ensaia um salto para o abismo multiplicando polêmicas e disputas políticas vazias com a produção contínua de bodes expiatórios, valorizando rixas improdutivas em seus círculos de fanatismo e canalizando energia anti-sistêmica para a exposição da população à morte.

 

Antonio Carlos Lua é jornalista
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