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O golpe ganha novos contornos

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A crise brasileira entrou num novo patamar. Desde o pronunciamento do presidente da República em rede de televisão, na segunda, 22, mais e mais setores da sociedade põem em dúvida a capacidade de Jair Bolsonaro em conduzir o País durante a evolução da pandemia do COVID-19.

 

As palavras do chefe do Executivo, colocando a saúde financeira das empresas acima da saúde física da população, tiveram o condão de empurrar profissionais de saúde, economistas, cientistas, governadores, prefeitos e até setores militares ao desacordo em relação aos rumos apontados por Bolsonaro.

 

Criou-se no Brasil uma nova instância de poder, o Fórum de Governadores, que toma decisões e mantém diálogos com Congresso e Judiciário, faz contatos com órgãos internacionais e governos estrangeiros, ao mesmo tempo em que gerencia o dia a dia do combate à pandemia do coronavírus.

 

Nos meios das classes dominantes, a questão agora não é saber se o atual presidente deve ou não continuar à frente do governo, mas como desapeá-lo dessa condição. A imprensa corporativa – Globo à frente –, porta-voz do grande empresariado e, em especial, dos setores financeiros e do agronegócio, martela incessantemente o despreparo do mandatário e prepara a população para uma substituição de titular do Palácio do Planalto. O vice, general Mourão, passa a discordar dos posicionamentos do presidente e posa de alternativa, apesar de não ser o substituto da preferência dos verdadeiros donos do poder.

 

As oposições populares, sem peso real e em franca minoria no Congresso, tentam ter alguma influência nos rumos do País, mas seu distanciamento das bases e a falta de propostas concretas que possam empolgar as multidões indicam que as mudanças que se prenunciam serão feitas tendo esses setores oposicionistas como mero figurantes.

 

Bolsonaro, no entanto, aprofunda sua opção pelo tudo ou nada e põe seus seguidores em ação, por meio de carreatas em diversas cidades, para exigir a reabertura das atividades econômicas fechadas por governadores e prefeitos que seguem as orientações emanadas da Organização Mundial de Saúde.

 

O golpe, iniciado com o afastamento da presidenta constitucionalmente eleita, entra em nova fase.

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