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O fim dos concursos públicos e a militarização do governo

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O governo federal cancelou praticamente todos os concursos públicos previstos para 2019 e anuncia que não haverá concurso em 2020, para reduzir bastante o número de funcionários nos órgãos públicos, como professores universitários e das escolas técnicas; médicos e enfermeiros dos hospitais federais e unidades básicas de saúde; fiscais dos diversos órgãos como IBAMA e das Agências reguladoras; funcionários de atendimento à população no INSS, entre outros.

No entanto, esse mesmo governo que não quer contratar civis para a administração pública, publicou, no dia 2 de março, medida provisória que possibilita a contratação de mais de oito mil militares, segundo o governo, para “reduzir a fila de atendimento do INSS”. Militares esses que não entendem nada de processos da Previdência. Qual seria o real objetivo? Garantir cabos eleitorais afinados com o governo nas eleições municipais?

Para se ter ideia da militarização do governo, destacamos algumas manchetes da imprensa:

  • General de 4 estrelas, Braga Netto, assume cargo na Casa Civil; essa nomeação marca a volta de um nome das Forças Armadas ao ministério após 39 anos
  • Com escolha de Braga Netto, só militares ocupam gabinetes de ministros no Planalto
  • Bolsonaro supera Geisel, Médici e Figueiredo em ministros militares

Governar é contrariar interesses. Todo governo começa com muito apoio da população e vai se desgastando com as decisões e atitudes que toma, gerando insatisfação aqui e acolá. Em todo o mundo é assim. Desse modo, a militarização é um sério risco para o papel das Forças Armadas, que devem se manter neutras, cumprindo função de estado e não de governo. A não ser que o fraco presidente Bolsonaro esteja pensando em dar um golpe dentro do golpe, retomando uma rígida ditadura militar, pior do que aquela iniciada em 1964. Quanto mais fraco estiver, maior será essa vontade.

A sociedade brasileira precisa se prevenir e reagir a essa pretensão, reforçando o papel do Congresso, do STF e dos movimentos sociais, além de exigir a volta de concursos públicos.

O sucesso dessa reação poderá fazer a diferença entre um futuro ensolarado ou um futuro sombrio. Cabe a nós decidir.

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