Publicidade

O Feitiço de Sérgio Ricardo 

  • em


Seu show no Feitiço Mineiro, foi num determinado sábado, lá pelo início dos anos 2000.

 

Nos conhecemos no Festival de Cinema de Brasília. Um encontro de muita atenção e simpatia.

 

Entre um papo e outro, fiz o convite para fazer um show no Feitiço, espaço no qual era eu, o produtor cultural.

 

No início ele recusou dizendo ter vindo à Brasília somente para o Festival de Cinema. Incluir esta programação não estava nos seus planos.

 

Mas, papo vai e papo vem, expliquei que a Casa era pequena e que o show seria para o pessoal do Festival, ou no máximo um ou outro admirador.

 

Concordando em fazê-lo e entendendo que seria para um público muito pequeno, pois que “estava se sentindo enferrujado” e que já havia tempo que não se apresentava, fui à produção do Show.

 

Após boa divulgação na imprensa e no Festival de Cinema, todas as mesas foram reservadas.

 

No sábado do show, ainda cedo, no almoço, mostrei ao Sérgio as matérias dos jornais e falei sobre a chamada nas TVs e rádios, além de informar que as mesas estavam todas reservadas.

 

Na passagem de som, à tarde, o violão do Sérgio não estava muito legal e deu problemas técnicos.

 

Na correria, liguei para o amigo Wilson Moraes, isso na iminência de conseguir o violão do irmão dele, Agostinho, mas havia ido para Patos de Minas.

 

Porém, deixou escapar que tinha um Takamini, mas estava com problemas na quinta corda.

 

Não hesitei. Sai correndo e fui buscar o violão.

 

Na passagem de som, o Serjão notou que a quinta corda não ajustava, mas dava para fazer o show numa boa.

 

Às 22 horas, com o Feitiço Mineiro superlotado, e, meio tímido, Serjão subiu ao palco e empunhou o Takamini. Mandou o repertório completo do filme Terra em Transe, de Glauber Rocha.

 

Também emendou seus outros sucessos para um público participativo e atento, principalmente nas histórias que contou sobre sua carreira musical e no cinema.

 

Com o público empolgadíssimo, já no final do show, Sérgio Ricardo em “transe”, depois de cantar “…te entrega Curisco, eu não me entrego não…”, foi emocionadamente aplaudido de pé pelo público por mais de dez minutos …

 

Àquela cena foi linda, maravilhosa, um filme musical inesquecível, que eternizou sua história com o Feitiço Mineiro e em Brasília…

 

Após alguns poucos cumprimentos, me pediu para levá-lo ao apartamento do amigo onde estava hospedado.

 

Embaixo do prédio, ao nos despedirmos, me abraçou demoradamente e ainda com o suor do palco, nos tornamos amigos eternos…

 

Robson Silva é jornalista e produtor cultural – Brasília/DF.

 

  • Compartilhe