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O comunismo explicado no acampamento de Brasília 

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Enquanto eram mais travadas que adiantadas as tentativas de remoção do acampamento bolsonarista diante do QG do Exército em Brasília, a transição para o governo Lula na área militar teve de viver a posse do novo comandante da Marinha, almirante Marcos Olsen, sem a presença de seu antecessor, almirante Almir Garnier, que insistiu em fazer esse protesto silencioso.

 

Essas duas situações foram um contraste único à intensa atividade de todo o novo governo desde as primeiras horas de seu funcionamento, quando Lula transformou em ordens executivas, como decretos ou medidas provisórias, muitas das decisões que vinha anunciando. Tais ordens se desdobraram já a partir do dia seguinte nas medidas complementares e em outras medidas anunciadas na posse de cada um dos ministros. Por causa das circunstâncias em que assumiu, o novo Ministro da Defesa, José Múcio, foi o único que nada pôde anunciar de planos para sua área.

 

A atitude de protesto do almirante Garnier foi acompanhada de uma atitude sem protesto mas muito reservada dos demais comandantes que deixaram e assumiram os respectivos comandos. Essa reserva nos comandos militares vem de longe, vem das reverberações até hoje da tentativa insurrecional da Aliança Nacional Libertadora em 1935, contra o primeiro governo de Getúlio Vargas, a célebre “Intentona” comunista. 

 

Paralelamente a essa atitude de reserva e resistência, que Lula enfrentou com habilidade e êxito em seus governos anteriores, existe hoje o protesto visível dos acampamentos diante do QG de Brasília e de outros quartéis, assim como certamente existirá uma central ainda invisível de instigação a manifestações golpistas e de estímulo e apoio (inclusive financeiro) a que não desistam e procurem ampliar-se.

 

Alguns jornalistas têm conseguido penetrar em pontos mais frágeis dessa mobilização e organização e descobrir como funcionam. Thais Oyama, do UOL, por exemplo, conseguiu entrevistar um ex-participante do acampamento de Brasília e pelo que ouviu dele dá para perceber de um lado o primarismo de apelo com que as pessoas são convencidas e, de outro lado, como essa desinformação contribuiu para a massa de votos de Bolsonaro na eleição presidencial e contribui agora para a sobrevida do protesto visível nos acampamentos e para a persistência e expansão dos protestos invisíveis nas redes sociais.

 

Entrevistando o ex-participante do acampamento de Brasília, Thais começa perguntando:

 

Por que o senhor decidiu levar a sua mulher e seus dois filhos para ficarem 60 dias acampados numa barraca diante do quartel-general do Exército? 

 

A resposta foi muito esclarecedora da amplitude das ambições do movimento:

 

— Para impedir que o comunismo tome conta do país. O que é o comunismo? Comunismo é o seguinte: você trabalha e você tem dois celulares. Aí tem outro que não tem nenhum. “Dá o seu celular pra ele, coitado”. Você trabalha, tem uma terra e tem outro que não tem terra nenhuma. “Ah, divide a terra com ele, coitado”… É gente que quer viver na aba do governo. O comunismo é isso. E Bolsonaro é o único que pode impedir o Brasil de ser tomado pelo comunismo… 

 

Foi com uma variedade de argumentos dessa ordem, simplórios e estúpidos, que esse ex-participante veio a levar mulher e dois filhos para dois meses no acampamento. E para a permanência das pessoas na mobilização, o cotidiano é de excitação permanente, como nos Estados Unidos na mobilização de Trump para a invasão do Capitólio em 2021. 

 

O entrevistado de Thais, integrante da Polícia Legislativa do Congresso, função que exige um mínimo de formação e informação, atribuiu ao cansaço sua saída do acampamento – e sua resposta foi de novo muito esclarecedora:

 

— Mas o cansaço físico é o de menos. Eu estou mais cansado mentalmente. Essa guerra de informações é que mata. “É hoje!”. “Você viu o sinal? Vai começar!”. Um dia desses aí, perto do Natal, soltaram fogos….  “Pá-pá-pá-pá-pá”. Pôxa, a gente chegou a comemorar, achando que já era alguma coisa. Aí não era nada. Aí começa tudo de novo. E aí não acontece nada outra vez. Eu estou com os nervos à flor da pele…. 

 

Essas poucas informações deixam claro que existe método e organização nesse movimento e que ele não é nada espontâneo – é tão organizado quanto a invasão do Capitólio nos Estados Unidos. E essa organização pode ser apenas o remanescente do gabinete do ódio chefiado pelo filho 02 na campanha eleitoral? 

 

 

(*) Por José Augusto Ribeiro – jornalista e escritor. Publicou a trilogia A Era Vargas (2001); De Tiradentes a Tancredo, uma história das Constituições do Brasil (1987); Nossos Direitos na Nova Constituição (1988); e Curitiba, a Revolução Ecológica (1993). Em 1979, realizou, com Neila Tavares, o curta-metragem Agosto 24, sobre a morte do presidente Vargas.




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