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O comandante do Exército  em SP pede respeito às urnas

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A nervosa expectativa que marcou as vésperas da reunião de Lula com os comandantes das Forças Armadas na sexta-feira foi reduzida por uma entrevista de Celso Amorim, seu ex-Ministro do Exterior e agora chefe de sua Assessoria Especial, a um dos mais importantes programas políticos da rede mundial da BBC, o “Hard Talk” (Conversa Dura).

 

Só porque não quer, aos 80 anos de idade, é que Amorim não está no ministério de Lula, no qual poderia ocupar, entre outras, a função de Ministro da Defesa, que exerceu no governo Dilma. Na assessoria direta de Lula ele pode acompanhar, sem os encargos burocráticos e políticos do exercício de um ministério, as demandas de múltiplas áreas do governo.

 

Na entrevista à BBC, Amorim disse não acreditar que as Forças Armadas tivessem planejado dar um golpe para derrubar o governo e acreditar que a invasão terrorista de 8 de janeiro foi uma tentativa de golpe, “longe de ter sido planejada pelos militares”.

 

– Eu pessoalmente – acrescentou Amorim –  não acho que os militares (…) estavam planejando um golpe militar, porque se eles tivessem feito isso eles teriam ido muito além. 

 

Os vândalos – prosseguiu – acreditavam que o que estavam fazendo era um golpe, mas não aconteceu: 

 

– Provavelmente contavam com algo desse tipo [um golpe], mas isso não aconteceu. No fim das contas, não houve ação militar. Acho que vivemos em uma situação que não é simples, mas acho que vamos conseguir lidar com eles (militares). E eu acho que vamos com o tempo retomar a confiança completa nas nossas Forças Armadas. 

 

Foi com certeza para essa retomada de confiança que Lula se  encontrou na manhã de sexta-feira com os comandantes das Forças Armadas, numa reunião a que estavam presentes o Ministro d Defesa José Múcio e o Presidente da Fiesp, Josué de Alencar Gomes da Silva, acompanhado de cinco outros empresários.

 

Depois da reunião, José Múcio afirmou que não foram discutidos os atentados terroristas de bolsonaristas em Brasília no dia 8, mas sim “os investimentos da indústria de Defesa brasileira.”

 

– Foi para tratar dos investimentos da indústria de Defesa do Brasil. Se os senhores me perguntarem se nós tratamos do dia 8, não tratamos. Isso está com a Justiça. Nós tratamos da capacidade de geração de emprego que o Brasil tem na indústria de Defesa. 

 

Os comandantes nada declararam depois da reunião, mas o site Metrópoles registrou em sua coluna principal, do jornalista Guilherme Amado, que na quarta-feira o Comandante Militar do Sudeste, General do Exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, fez “um forte discurso em defesa da democracia”, durante uma cerimônia em São Paulo, sede do comando, que homenageou os militares brasileiros mortos no Haiti .

 

Segundo o General, “é papel dos militares respeitar o resultado das urnas, mesmo que haja diferenças com o governo eleito”.

 

Tem que respeitar. É essa a convicção que a gente tem que ter, mesmo que a gente não goste. Nem sempre a gente gosta, nem sempre é o que a gente queria. Não interessa. Esse é o papel da instituição de Estado, da instituição que respeita os valores da pátria. Somos Estado”, disse.

 

O General disse ainda que militares não podem aderir a correntes políticas publicamente, o que não significa não ter opiniões pessoais:

 

– Ele pode ter, mas não pode manifestar. Ele pode ouvir muita coisa, muita gente falando para ele fazer isso ou aquilo, mas ele fará o que é correto, mesmo que o correto seja impopular”.

 

Mais tarde, na sexta-feira, os sites UOL e de O Globo, publicaram a notícia, acrescentando este que o vídeo com o discurso foi publicado no canal oficial do Comando Militar do 

 

Sudeste no Youtube

 

Até a noite de sexta-feira não parecia haver qualquer registro de reação militar negativa ou positiva a esse pronunciamento.

 

200 MILIONÁRIOS EM DAVOS

 

De O Globo de quinta-feira:

 

Mais de 200 milionários de 13 países pediram em uma carta aberta no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nesta semana, que eles sejam mais tributados “para o bem comum”.

 

– A carta é um apelo para que líderes mundiais criem um imposto para taxar os mais ricos. Entre os milionários que assinam a carta estão representantes da família Disney, Abigail e Tim, e personalidades como o ator americano Mark Ruffalo. A maioria é dos Estados Unidos e Reino Unido, mas há ainda alemães, canadenses, holandeses, franceses, italianos e suecos. Não há brasileiros na lista.

 

– A mensagem dos milionários se repetiu em um relatório da ONG Oxfam nesta semana, que afirma que as desigualdades se agravaram dramaticamente nos últimos 10 anos. Desde 2020, a riqueza combinada dos bilionários aumentou US$ 2,7 bilhões por dia, segundo a organização.

 

– A Oxfam informou em seu relatório que, desde 2020, o 1% mais rico da população mundial acumulou quase dois terços de toda a riqueza mundial – seis vezes mais do que os 7 bilhões de pessoas que compõem os 90% mais pobres da humanidade.

 

 

(*) Por José Augusto Ribeiro – jornalista e escritor. Publicou a trilogia A Era Vargas (2001); De Tiradentes a Tancredo, uma história das Constituições do Brasil (1987); Nossos Direitos na Nova Constituição (1988); e Curitiba, a Revolução Ecológica (1993). Em 1979, realizou, com Neila Tavares, o curta-metragem Agosto 24, sobre a morte do presidente Vargas.

 

 

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