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Brasil supera 115 mil mortes, mas Bolsonaro realiza evento para comemorar “eficiência” no combate à Covid-19

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O Brasil inicia a segunda-feira (24) com mais de 115 mil mortes por coronavírus e mais 3,6 milhões de casos confirmados até as 8h. O levantamento é do consórcio de veículos de imprensa a partir de dados das Secretarias Estaduais de Saúde porque os dados do Ministério da Saúde não correspondem à realidade da pandemia.

 

Apesar das mais de 115 mil mortes totais e mais de mil óbitos nas últimas 24 horas, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) realiza, nesta segunda-feirea (24),  no Palácio do Planalto, um evento intitulado “Brasil vencendo a Covid-19”, para comemorar “eficiência” no combate à pandemia, dando a entender que seu governo está resolvendo o problema da crise sanitária e que está combatendo o novo coronavírus.

 

Trata-se de mais uma grande mentira do governo Bolsonaro, afinal, quase 115 mil mortes por Covid-19 em apenas 5 meses não é hipocrisia: é um genocídio do Estado, uma vez que o Brasil só perde em número de mortes para os Estados Unidos da América (EUA). Além disso, está sem ministro da Saúde desde maio e, desde o início da pandemia, sem nenhuma política de combate à crise sanitária, vem escamoteando números, enganando a população, prejudicando as pesquisas científicas e causando tumultos e escândalos midiáticos para omitir o seu fracasso.

 

Há mais de 190 países no planeta que combateram a pandemia com eficiência, usando o isolamento social, sem subnotificações e sem maquiagem de números como vem, insistentemente, fazendo o governo Jair Bolsonaro, e salvaram vidas e suas economias. No Brasil, o que se tem é um genocídio em andamento que deve levar ainda dezenas de milhares de vida de brasileiros.

 

A previsão é a de que, em dezembro, o País chegue a 200 mil mortes, incluindo aí pessoas que hoje ainda nem sequer foram infectadas, mas o serão por causa da falta de medidas sanitárias e médicas de distanciamento social. O objetivo sistemático do presidente Bolsonaro é omitir o elevado número de mortes e contaminações.

 

Uma das estratégias mais cruéis dessa omissão de dados são as mudanças de metodologia de contagem, feitas no Ministério da Saúde, para esconder a falta de investimento no combate ao coronavírus e o avanço descontrolado da pandemia no País, estimular a população a não praticar o distanciamento social, esconder o fracasso da política econômica neoliberal e não aplicar o dinheiro público na Saúde pública, na pesquisa científica e na educação pública.

 

Quem tem repetido a política do desprezo à população e genocídio do governo Bolsonaro é o governador Ibaneis Rocha (MDB). De olho nas eleições de 2022 e com o projeto de permanecer no poder por muitas décadas, Ibaneis também modificou, na semana passada, a metodologia de contagem no DF para omitir o número de contaminação e mortes e continuar deixando o Distrito Federal submerso na tragédia sanitária que ocorre hoje. Com isso, a capital do País inicia, esta segunda-feira (24), com 2.274 mortes e 148.998 casos confirmados. O levantamento mostra que a curva de contaminação na capital continua em crescimento vertiginoso, mas a população continua nas ruas como se nada estivesse acontecendo.

 

Metodologia errada para esconder os números e não investir no combate

 

O professor e pesquisador da Universidade de Brasília (UnB), Wildo Navegantes de Araújo, professor da Universidade de Brasília (UnB), Campus Ceilândia, e pesquisador do Núcleo de Medicina Tropical da UnB,  informou ao Sinpro-DF que o maior problema da mudança de metodologia de contagem é como isso iniciou e permanece errado, principalmente no governo federal. Ele explica que, em todas as epidemias históricas, as pandemias, registram-se os casos e os óbitos por data de início dos sintomas. E não como o Ministério da Saúde tem feito chamando de data de registro, que pressupõe que é quando o sistema de saúde registra a ocorrência daquele evento.

 

“Isso está errado. Se olharmos os dados do Ministério da Saúde, conseguimos perceber, ao longo dos dias, que todo sábado e domingo há um vácuo, uma diminuição do registro das informações porque, no fim de semana, a maioria dos serviços burocráticos do sistema está fechada. Somente na segunda, terça-feira é esse número se reestabelece”, alerta o professor. No Brasil, segundo ele, deveria ter sido registrado, desde o início, por data do início do sintoma. Quer seja do caso, quer seja do óbito.

 

“Essa é a primeira vez, durante uma epidemia, no mundo, que se trabalha por data de registro no Brasil. Isso leva a uma maquiagem das informações e dos dados e não favorece a nenhuma transparência da informação. Também afeta a análise dos dados secundários, incluindo aí as pesquisas científicas. Além disso, influi negativamente a população: com isso, as pessoas entendem que a doença teve variação no fim de semana favorecendo a ida para as ruas, já que, em tese, pelo que parece, pelos dados do Ministério da Saúde, há uma variação para menos no fim de semana”, afirma o pesquisador.

 

No entanto, há estados que estão trabalhando por data de início de sintomas. Quando se trabalha com data de ocorrência, inibe-se a realização correta das análises. “Isso prejudica as pesquisas. Por exemplo, os cálculos do R-Zero, do número de pessoas infectadas que contaminam outras, fica prejudicado porque a data que deveria ser liberada para análise é a data de início de sintomas e com essa data é possível fazer a chamada curva epidêmica de melhor qualidade”.

 

SAIBA +

 

Os órgãos de imprensa estão usando métricas para tentar corrigir esse desvio do governo Bolsonaro. O R-Zero é número de reprodução de casos: qual a capacidade de uma pessoa infectada transmitir a doença; R-Zero de quatro significa dizer que cada pessoa infectada tem a capacidade de infectar quatro pessoas.

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