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O Assassinato de Moise Mugenyi Kabagambe

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A dor da violência racial é insuportável

 

 

Aos olhos complacentes de muitos, no Rio de Janeiro, no bairro da Barra da Tijuca, três homens espancaram até a morte o imigrante Congolês Moise Mugenyi Kabagambe, de 24 anos, por que foi cobrar o pagamento atrasado por seu trabalho. Tanto nos bairros brancos da zona sul quanto nas favelas das zonas Norte, Sul e Oeste são frequentes os assassinatos de negros e pobres por milícias formadas por ex-policiais e policiais da ativa, protegidas por empresários, vereadores, deputados e membros na estrutura do poder do estado, pois além do gás e da Internet, essas milícias juntamente com algumas denominações evangélicas já controlam o processo eleitoral nas comunidades.

 

 

As poderosas organizações que controlam o consumo, o tráfico de drogas e o jogo do bicho, movimentam bilhões de dólares e alimentam uma rede que já está enraizada na própria estrutura de poder do próprio estado. A mesma classe média reacionária e xenófoba que assassinou Moise e que também assassinou Mariele Franco, que elegeu Bolsonaro e seus filhos no RJ e é a mesma que usa as milícias e a polícia do estado para a defesa de seus próprios interesses.

 

 

Na vigência do governo fascista do Bolsonaro, a cada dia assistimos a uma guerra sangrenta crescente alimentada pelo racismo e pelo ódio à população negra, indígena, LGBT e aos imigrantes pobres. Negros e negras morrem diariamente de mortes matadas e mortes morridas. A barbárie naturalizada já não incomoda mais. Em tempos da Covid-19, enquanto diariamente milhares de vidas negras e pobres cotidianamente são dilaceradas, consequência direta de um governo genocida, fascista e fundamentalista, seus milicos e seguidores, à sombra do estado, em operações macabras, desrespeitando a ADPF 635 estabelecida pelo STF, promovem e organizam a ascensão dos grupos de extrema direita ao poder e fortalecendo as ideias nazistas de supremacia racial e de classe favorecendo a expansão do capitalismo na América Latina e no mundo.

 

 

No Brasil, com uma democracia em ataque permanente pelos que controlam a guerra cultural, um poder judiciário amedrontado e uma classe média dividida, que ora oscila para a extrema direita ora para a defesa de seus privilégios de classe, os tempos são de ódio neo-nazista, enquanto mais 628 mil vidas já foram ceifadas, a maioria do povo afunda na miséria, nos elevados custos de vida e da carestia, na desmontagem do SUS e privatização da saúde, privatização das estatais, desmatamento da Amazônia, desastres ambientais monumentais como de Brumadinho, fim aos direitos trabalhistas, expansão do desemprego e política econômica que privilegiam os banqueiros, os industriais, os sanguessugas do agronegócio, os larápios do dinheiro público, agora “donos da chave” do cofre nacional, que se apresentam tranquilos com seus lucros em alta. Neste cenário não há espaço para direitos trabalhistas e nem respeito aos direitos humanos.

 

 

A repercussão do brutal assassinato de Moise Mugenyi assim como o de Marielle Franco denunciam ao mundo que o Brasil não deixou seus métodos de tortura, castigo e horror para com a população negra desde a invasão pelo poder colonial. A prática escravocrata sofisticada do século XXI é agora sustentada pelas oligarquias remanescentes, que descumprem as leis, a Constituição Federal quando lhes é conveniente e fazem as suas próprias leis pra garantir a exploração da mão de obra geral e negra.

 

 

Vivemos, todos os dias, um estado de violações de direitos, violências e genocídio constantes contra a população negra e pobre, imigrantes, Mulheres, Juventudes, na discriminação de pacientes no sistema de saúde, do estado de desemprego crônico, nos salários mais baixos, nas prisões ilegais, nas invasões dos domicílios nos bairros populares, nos assassinatos cometidos pela polícia sob a alegação de “envolvidos” ou do conhecido argumento de auto de resistência, assim como vivenciamos o alarmante crescimento do trabalha análogo à escravidão. Mães negras, faveladas e empobrecidas choram seus filhos que quase anônimos tombam todos os dias sem chance sequer de reivindicar seus direitos.

 

 

O Brasil que assinou todos os tratados internacionais de garantias dos direitos humanos demonstra o quanto a classe dominante e parte da classe média opera na garantia dos seus e na violação permanente dos direitos das maiorias, pois a população negra representa 56,2% do país, temos os nossos parentes Indígenas que lutam secularmente contra as brutalidades, e, em conjunto, orientadas e orientados pela nossa postura internacionalista, antirracista, de esquerda e anticapitalista, não podemos aceitar que no contesto da nossa Pátria Grande na América Latina, denominada de Améfrica por Lelia Gonzalez, que a xenofobia contra nossos irmãos e irmãs africanos e de toda a Diáspora seja a e realidade, e, como sempre nos lembrou Abdias Nascimento que a nossa gente não seja humilhada e massacrada no Brasil. Que a nossa história seja de um país que acolhe e demostra a força da solidariedade, através da ação humanitária permanente.

 

 

Neste ano de 2022 em que o Brasil reflete criticamente os 200 anos da Independência, os 100 anos da Semana de Arte Moderna e os 21 anos das Ações Afirmativas e da Declaração de Durban – 3ª Conferência Mundial Contra o Racismo, ocorrida na África do Sul em 2001, temos muito a nos comprometer com os direitos humanos, para nós e para todos que buscarem a nossa solidariedade. Responderemos sobre estes compromissos nas eleições de 2022, que se aproxima, quando o povo terá a chance de mudar e pôr para correr Bolsonaro e toda a sua ordem miliciana, pois acreditamos e afirmamos um mundo de direitos!

 

 

Salvador, 02 de Fevereiro de 2022

 

 

Que Yemanjá proteja nossas demandas e acolha a Mãe e toda a Família de Moisé!

 

(*) Por Tania Palma e Vilma Reis 
Ativistas da Coletiva Mahin Organização de Mulheres Negras para os Direitos Humanos – Organização membro da Executiva da Coalizão Negra por Direitos.

Artigo publicado, originalmente, no site Prerrô — Grupo Prerrogativas

 




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