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Novas roupas, velhos fios: a perigosa ofensiva das direitas na América Latina

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Conforme o velho mundo morre, disse Antonio Gramsci, é no “interregno” que surgem os monstros. As imagens em Novas roupas, velhos fios fazem uso da sátira e a zombaria para enfrentar os monstros dos movimentos fascistas e de direita emergentes na América Latina. Afinal, a sátira tem sido usada historicamente como uma forma de arte de resistência para enfrentar o fascismo. Usando colagens digitais e mashups estilísticos, fotografias de movimentos e de líderes contemporâneos de direita são transformadas em uma nova iconografia de monstros, como em um Tarô: O Libertário, O Anarco-Capitalista, O Anti-Cientista, O Senhor Tecnofeudal, A Salvadora Anticomunista, O Pacifista e O Intervencionista. Pairando acima dessas figuras está uma caricatura do maior medo da direita – “O Espectro” – que para o resto de nós é um símbolo de esperança e resistência que está por inaugurar um novo mundo.

 

Introdução

 

 

O mundo ocidental vive insatisfeito. Por um lado, os modelos progressistas não conseguiram manter os níveis de politização, a mística, a capacidade de interpelação, a vocação para a transformação e as possibilidades de mudanças concretas para a maioria. Por outro lado, os projetos neoliberais deixam sistematicamente de cumprir as aspirações que eles próprios promovem: aproveitar as novas tecnologias, apostar na capacidade empreendedora e conseguir melhorias significativas na qualidade de vida das populações.

 

 

Os modelos de sucesso vinculados à ascensão social pelo trabalho ou ao fato de as próprias pessoas se tornarem empresárias de si mesmas vão ficando para trás e colocam a maioria em uma situação de constante frustração e descontentamento. Este é, sem dúvida, um terreno fértil para novas operações das direitas em todo o seu amplo espectro. Em parte, trata-se da situação descrita por Mark Fisher (2016) em seu livro Realismo capitalista, em que a catástrofe se desenrola lentamente: o futuro só oferece o mesmo que o presente, o que não é muito auspicioso.

 

 

Até certo ponto, as promessas do mundo livre após a desintegração da União Soviética – que conectavam de maneira indissociável progresso econômico, liberdades individuais e vida democrática – não fizeram mais que fracassar miseravelmente. Na região latino-americana, a terra arrasada neoliberal não pôde impedir o ressurgimento das lutas e o florescimento de novas lideranças populares que alcançaram seu esplendor na primeira década do século XXI. Essa nova ascensão de governos populares e mobilizações de massa conseguiu perturbar a tranquilidade sepulcral em que os projetos neoliberais buscavam nos manter. Esperanças renovadas, novos mitos, novas identidades políticas, novas lutas e novas táticas colocaram sobre a mesa, para milhões de pessoas, um sentido popular, massivo e mobilizador pelo qual lutar e pelo qual viver.

 

 

No entanto, o mundo gira em outra direção. A quebra da inércia neoliberal permitiu à região latino-americana reconstruir os laços entre os povos, dignificar excluídas e excluídos, melhorar as condições de vida, mas no marco de uma tendência à precarização total da vida que não pôde ser alterada em sua raiz. Isso em um contexto, ademais, de um triunfo cultural do neoliberalismo que mudou radicalmente a subjetividade das maiorias. Uma hegemonia que tem raízes profundas com base no individualismo, no consumismo e na perda de perspectivas de futuro que apenas estreitam o nosso horizonte ao possível, o que para a grande maioria da humanidade é a sobrevivência. Nesse ponto, como sugere Fisher, “o poder do realismo capitalista deriva parcialmente da maneira como o capitalismo consome e inclui todas as histórias anteriores” (2016, p. 25). Esse é o contexto político-cultural do Ocidente, sobre essa decadência é que os projetos neoliberais tiveram um novo palco ofensivo centrado em Washington a partir de 2012. Golpes suaves, golpes duros, lawfarefake news, exércitos de haters; foram diferentes formas de guerra híbrida que o hard power estadunidense levou adiante. Aumentou seus níveis de intervenção, sofisticou seus métodos e atingiu seu objetivo de desestabilizar o equilíbrio progressista da região latino-americana em poucos anos.

 

 

É claro que, como dissemos, as formas das direitas tradicionais vinculadas ao programa do globalismo neoliberal ou às visões conservadoras mais históricas das elites oligárquicas não cumpriram suas promessas baseadas no antipopulismo. Ao contrário, são também parte do problema. No entanto, o surgimento de Donald Trump nos Estados Unidos e a pandemia de Covid-19 eliminaram as poucas certezas que restavam. As direitas adotam novas faces que se confundem com as antigas e, ao mesmo tempo, rompem com elas. Direitas alternativas, direitas neorreacionárias, ultradireitas, direitas pós-fascistas, fundamentalismos religiosos, anarco-capitalistas; todos esses setores passaram das margens completas do sistema político para lugares de importância relativa no Norte Global. Só para citar um dos exemplos mais proeminentes, Steve Bannon, um supremacista branco que manipulava dados nas redes sociais, tornou-se um dos principais conselheiros da Casa Branca por oito meses. Depois de sua saída, sobretudo porque ficou demonstrado que manipulava dados de usuários do Facebook para fins eleitorais, o ex-conselheiro de Trump se dedicou a desenvolver vínculos entre os diferentes partidos ou experiências das novas direitas nacionalistas em toda a sua variada paisagem em terras europeias. Junto ao belga Mischaël Modrikamen, promoveram o que ficou conhecido, em 2018, como O Movimento, um espaço de coordenação e apoio a novos projetos de direitas nos diferentes países da região. Dessa forma, foram fortalecendo os laços com partidos de ultradireita de diferentes países e líderes da estatura de Viktor Orbán, presidente da Hungria, Matteo Salvini, que foi primeiro-ministro da Itália, Marine Le Pen, na França, referências ligadas à Vox, na Espanha, Amanhecer Dourado, na Grécia, entre outros. Os eventos se sucederam vertiginosamente. A pandemia de 2020 mostrou que o declínio do Ocidente capitalista é profundo, que seu modelo de civilização está em uma crise de grandes dimensões. Isso proporcionou um mapa de possibilidades para as iniciativas da extrema direita que tomaram o lugar da denúncia do “sistema”, da necessidade de romper a inércia, da expressão do tédio e do cansaço provocados pelo realismo capitalista que não oferece alternativas que, para Gramsci, podem ser assumidas num bom sentido no seio do povo.

 

 

A América Latina não está a salvo dessa onda de transformações da direita. Desde a eleição de Jair Bolsonaro, no Brasil, o país mais importante da região em termos econômicos e geopolíticos, até a chegada à presidência de Nayib Bukele, em El Salvador, atores da direita não tradicional ganharam peso, visibilidade e incidência de massas. Ao mesmo tempo, misturam ou pelo menos abrem o espectro político-discursivo para que as direitas mais conservadoras e tradicionais de nosso continente encontrem eco na crítica ao progressismo, às esquerdas e aos projetos nacionais-populares.

 

 

Neste dossiê 47 do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social: Novas roupas, velhos fios apresentamos uma análise sobre esses movimentos das direitas na América Latina. Entre o novo e o velho. As novas roupas que são tecidas com os fios do racismo, do classismo, da homofobia, da misoginia, do autoritarismo, do militarismo e da repressão.

 

O grande capital oscila entre as novas e velhas direitas

 

 

Desde a crise de 2008, o capitalismo global acentuou suas tendências anteriores e as ampliou. A financeirização da economia acelerou seu ritmo depois que os Estados do Norte (em particular os Estados Unidos) realizaram resgates multimilionários a bancos de investimento que tinham uma parte muito importante de sua carteira no subprime. Essa nova onda de financeirização acelerou o ritmo de crescimento de novas bolhas e alavancou as novas megacorporações triunfantes: as empresas de alta tecnologia e plataformas. O mundo do trabalho continuou sua trajetória excludente, deixando sem trabalho mais de 50% da população dos países capitalistas do Sul (OIT, 2021), com a acentuação dos deslocamentos produtivos e novos encadeamentos das cadeias globais de valor em que as posições médias continuam a ser ocupadas pelos países do Norte Global, com exceção da China.

 

 

Esses processos foram, sem dúvida, exacerbados pela pandemia de 2020-2021, que atuou como um catalisador para as tensões econômicas acumuladas nos anos anteriores (Tricontinental, 2020). Mas, acima de tudo, mostrou claramente uma distância significativa entre as dinâmicas nacionais de acumulação de capital e as dinâmicas globais, entre as quais prevalece o poder das plataformas e dos bancos de investimento. Amazon, Meta, Alphabet, Apple, Microsoft e Tesla representam os grandes vencedores da nova bolha pós 2008 e, sobretudo, em 2020 e 2021, diante do crescimento exponencial do uso de plataformas e da virtualidade. As grandes empresas financeiras funcionavam como uma engrenagem indispensável para direcionar os dólares em circulação para esses vetores de acumulação de capital.

 

 

Em grande medida, a relação entre os novos desenvolvimentos tecnológicos do Vale do Silício e as novas direitas emergentes é bem conhecida: Peter Thiel, cofundador do PayPal, é um defensor furioso da ideologia da direita alternativa; as criptomoedas e a tecnologia de blockchain são promovidas pelo supremacista branco Richard Spencer como a moeda das direitas alternativas; o CEO da Oracle, Safra Catz, doou cerca de 127 bilhões de dólares para a última campanha eleitoral de Donald Trump, entre outros vínculos. Acima de tudo, setores alinhados a posições neorreacionárias, seguidores de Nick Land, e outras expressões de uma filosofia baseada na ucronia, como Mencius Moldbug, têm reforçado, a partir dos novos desenvolvimentos de plataformas, redes sociais e criptos, as noções antiestatistas e antiglobalistas que são o combustível dos novos movimentos das direitas no Norte.

 

 

Sem dúvida, as direitas alternativas veem, no desenvolvimento do chamado capitalismo cognitivo[1] e nos desenvolvimentos financeiros de blockchain e criptomoedas, formas concretas de favorecer lógicas de acumulação de capital privado nas quais os Estados nacionais têm pouca ou nenhuma capacidade de intervenção. Os programadores ligados às novas ondas do Vale do Silício têm associado os novos desenvolvimentos de empresas de alta tecnologia com o potencial de resolver os “problemas” da democracia e da intervenção estatal. É o que Cédric Durand (2021) chama de “O consenso do Vale do Silício”, que em vez de produzir efeito apenas nesse pequeno grupo de empresas (as chamadas empresas emergentes) tenta realizar uma operação hegemônica, produzir um novo mapa cognitivo que coloca no banco dos réus ​​de falta de produtividade dos empresários os conservadores tradicionais do Partido Republicano e os democratas progressistas que conduzem “(…) à mediocridade igualitária, consumista e multicultural” (Raim, 2017, p. 59). Essa ideologia foi expressa desde 1994 na chamada Uma Carta Magna para a Era do Conhecimento, produzida pela Progress and Freedom Foundation (Dyson, Gilder, Keyworth e Toffler, 1994). Embora não tenha conseguido disputar os breves anos de hegemonia neoconservadora em âmbito estatal, em que os falcões do Pentágono lideraram, o grande empresariado assumiu uma posição segundo a qual “o Vale do Silício, ou melhor, sua representação encantada, é a vitrine do novo capitalismo: uma terra de oportunidades onde, graças às empresas emergentes e à sociedade de capital de risco, as ideias florescem livremente, os empregos são abundantes e os desenvolvimentos de alta tecnologia beneficiam a maioria” (Durand, 2021, p. 49).

 

 

Assim, podemos dizer que essa operação ideológica que vem se desenvolvendo desde os anos 1990 conseguiu, após o fracasso neoconservador e das iniciativas globalistas de Barack Obama, ir à ofensiva e aprimorar sua agenda política durante os anos de governo Donald Trump. O 1% mais rico do mundo pegou para si a proposição de que a criação de valor no capitalismo contemporâneo não se encontra no material, mas na inovação (seja informática, financeira ou obtenção de patentes para posterior desenvolvimento da produção física). Como nos mostra Mariana Mazzucato (2019), da Apple ao PayPal, do Goldman Sachs à Pfizer, a posição é clara: são eles que criam valor, em comparação com os ineficientes, entre os quais o Estado e os trabalhadores pobres são sempre exemplos citados. Isso se relaciona muito bem com o movimento neorreacionário que representa “um movimento antimoderno e futurista de libertários desiludidos” (Raim, 2017, p. 55).

 

 

A questão chave aqui é: quanto desses elementos estão por trás dos projetos da direita latino-americana? Podemos ver que essa “ideologia do Vale do Silício” está ditando o ritmo das demandas e propostas das classes dominantes nos países ao sul do Rio Bravo? E, em contrapartida, que vínculo as novas direitas emergentes têm com as classes dominantes locais?

 

 

Não seremos capazes de responder a essas questões de forma contundente aqui, mas podemos pelo menos propor algumas hipóteses.

 

 

A primeira é que o antipopulismo é o principal articulador do grande empresariado na América Latina. O grande empresariado considera como seus principais inimigos os diversos projetos populares (que classificam pejorativamente como populistas). Como apontamos, desde os anos de pós-neoliberalismo continental na primeira década de 2000, o reencontro entre o capital concentrado e as direitas políticas surgiu da necessidade de se contrapor aos governos que assumiram após as lutas antineoliberais. Essa articulação foi se estreitando cada vez mais, a ponto de gerar novos processos que vão de golpes de Estado suaves aos duros, passando por diversas formações de coalizões eleitorais reacionárias.

 

 

Os eixos sobre os quais os grandes capitais da região deram seu apoio às diferentes coalizões e lideranças de direita foram constantemente polarizações com relação ao “populismo”: republicanismo vs. deterioração institucional; liberdade de mercado vs. estatismo; democracia vs. autocracia; entre outros.

 

 

Nisso encontramos uma linha de continuidade com os processos atuais. Se tomarmos o Brasil como exemplo, fica claro que o grande empresariado prefere apoiar Jair Bolsonaro (Taglioni, 2021), que poderíamos definir como um neofascista, diante da possibilidade de que seu governo entre em colapso e de novo chegue ao poder um projeto popular liderado pelo ex-presidente Lula. Em geral, a elite econômica brasileira tende a se posicionar em um neoliberalismo mais clássico e globalista, que está um tanto representado na figura de Paulo Guedes, ministro da Economia. A nova síntese que surge no Brasil, com relação aos anos 1990, é uma conciliação entre o programa neoliberal clássico na esfera econômica (Filgueiras, 2021), com o neofascismo de Bolsonaro na esfera política. Do setor do agronegócio (Poder360, 2021) até os bancos (Contente, 2021), há abertamente apoio ao governo.

 

 

O ponto de articulação é o medo da volta de um governo popular. Se não puder impedir esse retorno, o bloco reacionário brasileiro está pronto para realizar todas as reformas estruturais regressivas possíveis para destruir as já reduzidas capacidades do Estado. A burguesia brasileira não pensa em articular outro projeto possível, mantendo o horizonte neoliberal no plano econômico e varrendo para baixo do tapete os excessos fascistas de Bolsonaro.

 

 

De maneira similar, o grande empresariado na Argentina teve uma postura antipopulista desde o momento da posse de Néstor Kirchner como presidente, em 2003 e, em seguida, tomaram medidas cada vez mais firmes para concretizar um projeto que substituísse o peronismo no governo pelas mãos de uma força que, chefiada por Mauricio Macri, cheirava à nova direita, mas era mais uma direita conservadora, republicana, colonialista e oligárquica que de uma direita que cresce com base em incorreções políticas, extremo antiestatismo, mobilização política e nacionalismo reacionário. Em 2015, a Associação Empresarial Argentina (a associação mais importante entre as associações empresariais do país), os grandes atores do agronegócio (expressos na Sociedade Rural Argentina e outras entidades) e os grandes grupos que atuam na União Industrial Argentina tiveram uma posição de apoio absoluto à campanha eleitoral de Macri e à manutenção de sua política que, em termos de rentabilidade, sequer os beneficiou substancialmente. No entanto, a necessidade de sustentar uma política neoliberal continuou sendo o eixo central “diante da ameaça populista” (Cantamutto e López, 2019).

 

 

O grande empresariado na Argentina está claramente na oposição ao governo do presidente Alberto Fernández e de sua vice, Cristina Fernández, a grande maioria contribuindo para a coalizão de direita e centro-direita da qual o ex-presidente Mauricio Macri faz parte. O fenômeno da nova direita, cuja referência máxima é Javier Milei, não tem hoje uma ascendência significativa no empresariado. O capital, com toda a sua tradição oligárquica, escolhe os neoliberais conservadores em vez dos ultraliberais e anarco-capitalistas no momento.

 

 

Esses casos nos mostram que as classes dominantes de nossa região estão em uma encruzilhada: continuar apoiando um modelo de democracia burguesa hoje em crise ou dar o salto para uma forma autoritária de governo. Em todos os casos, o único ponto de acordo é um programa econômico antipopular. A variável de ajuste é quanta violência política deve ser permitida, mas não quanta violência econômica.

 

 

Uma segunda hipótese, vinculada à anterior, é que a nova direita não possui de fato um programa econômico que possa ser apropriado pelas principais expressões do capital. Em termos concretos, a maioria das medidas de política econômica de governos considerados de “nova direita” como Bukele, em El Salvador, e Bolsonaro, no Brasil, continuam no processo de radicalização do Consenso de Washington em vez de propor novas iniciativas baseadas no exacerbação da economia do conhecimento, revolução 4.0 ou adoção das premissas da escola austríaca. As medidas macroeconômicas centrais desses projetos, como as desenvolvidas por Sebastián Piñera, no Chile, Mauricio Macri, na Argentina ou as executadas por Lacalle Pou, no Uruguai, se resumem ao programa do globalismo neoliberal. Claro que esse programa vem mostrando seu esgotamento sistemático por décadas, e é aí que começa a crescer a simpatia da comunidade empresarial por formas neorreacionárias e pelas direitas alternativas.

 

 

Talvez o único caso no qual encontramos um ensaio no sentido de produzir novas formas de uma economia política reacionária adequada aos tempos seja a adoção da criptomoeda bitcoin em El Salvador como moeda corrente. Em uma medida altamente radical, o modelo de presidente da neorreação na América Latina impulsionou essa lei, aprovada pela maioria do parlamento daquele país, acrescentando um risco de instabilidade muito importante, já que a conversão gratuita de dólares em bitcoin pode produzir efeitos especulativos generalizados, dada a volatilidade das criptomoedas (BBC, 2021). O ponto central dessa medida é que El Salvador já tem sua política monetária atrofiada pelo fato de a economia ser dolarizada, mas a adoção do bitcoin como moeda com curso legal leva diretamente à privatização da emissão monetária. Privar o Estado de toda a capacidade de intervir ou regular o dinheiro é um dos grandes sonhos neorreacionários que parecem realizar-se nesse país centro-americano.

 

 

Assim, com exceção do avanço de Nayib Bukele no salto para o vazio das criptomoedas, as propostas de política econômica da direita da região estão bastante relacionadas aos clássicos programas neoliberais, e essas são as propostas econômicas que o grande empresariado defende, opondo-se a qualquer programa de avanço popular. Em suma, nesse ponto é claro que as diferentes direitas estão unidas pelo medo e ódio às classes trabalhadoras.

 

 

Como uma terceira hipótese, ligada à anterior, cada vez é maior a distância entre a lógica de acumulação de capital e os projetos políticos das classes dominantes. A dinâmica de acumulação da Revolução 4.0 e a extrema financeirização subordinam as classes dominantes dos países da periferia do mundo aos imperativos do capital global como nunca antes. A resposta desses capitais que querem sobreviver à competição global que cada vez mais tende ao tecnofeudalismo é voltar à agenda de reforma neoliberal recarregada. Essa agenda não tem, no entanto, o apoio popular que teve na última década do século XX. As burguesias dos países da periferia latino-americana oscilam entre o apoio explícito aos governos da direita tradicional e a crescente simpatia por setores ainda hoje marginais da nova direita que prometem novos discursos, novas utopias reacionárias e novas formas de mobilização para apoiar uma refundação capitalista.

 

 

Um ponto chave nesse debate é o quanto a dinâmica da acumulação de capital global e nacional hoje precisa ser dominada por meio da democracia burguesa ou se está em otros caminhos.

 

 

Clique aqui para ler o DOSSIÊ completo na página do The Tricontinental

 




 

 

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