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Nova presidenta da Caixa defende equilíbrio entre operação comercial e inclusão

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Em cerimônia de posse, Rita Serrano avisa: ‘A gestão pelo medo acabou’. Lula fala em inaugurações, disse que o Brasil “cansou de ódio” e que dinheiro no social tem que ser tratado como investimento e não gasto

 

 

Depois de receber o crachá funcional do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o pin do ministro Fernando Haddad (Fazenda), a nova presidenta da Caixa Econômica Federal, Maria Rita Serrano, funcionária de carreira, disse que a intermediação financeira deve ser instrumento de desenvolvimento econômico e social. Segundo ela, é preciso buscar “equilíbrio entre as operações comerciais e as ações de inclusão”. A posse ocorreu no dia em que o banco completou 162 anos. Rita está na Caixa há 33.

 

 

Quando a cerimônia já estava encerrada, Lula saiu do protocolo para enfatizar o papel do banco público e do investimento social. “A gente precisa construir uma narrativa diferente neste país. Porque tudo que a gente faz é (chamado pela mídia de) gasto. Dinheiro pra pobre é gasto, Bolsa Família é gasto, dinheiro na saúde, na educação… A única coisa que não é tratada como gasto neste país é o dinheiro que a gente gasta com juro pro mercado financeiro. Tudo que a gente fizer pra melhorar a vida do nosso povo tem que ser tratado como investimento”, disse o presidente.

Muitas inaugurações

 

 

Ele prometeu muitas inaugurações, algumas ainda neste mês, inclusive de casas que segundo Lula começaram a ser erguidas ainda na gestão de Dilma Rousseff. E também obras de infraestrutura: “Nós começamos, deixamos aí, pensamos que os outros iam fazer, não fizeram, nós voltamos.” O presidente falou ainda em aumento da “bancarização do povo pobre”, criação de emprego, combate à fome e – no caso específico da Caixa – empréstimos “com juro muito mais barato”.

 

 

Sem fazer referência direta aos episódios do último domingo (8) em Brasília, Lula disse que o país “cansou de ódio”. E vai caminhar na direção de uma sociedade mais humanista, fraterna e democrática, “porque é isso que é o Brasil”.

 

 

Resistência ao desmantelamento

 

 

Com vários ex-presidentes da Caixa na plateia, Rita afirmou que “o desafio de modernizar o banco, para ampliar sua atuação no sistema financeiro e na melhoria de vida da população, é auspicioso”. E citou o banco como “exemplo de resiliência”. Lembrou que a instituição sobreviveu aos governos liberais da década de 1990 e a tentativas de privatizar suas principais operações comerciais já no último governo. E mostrou sua capacidade durante a pandemia: “Oito entre 10 adultos passaram pelo banco para receber benefícios emergenciais”.

 

“Exemplo de resiliência, a Caixa resistiu novamente ao desmantelamento do patrimônio público e à avassaladora política de assédio e medo patrocinada pela gestão do último governo” afirmou Rita. Em meados do ano passado, o presidente do banco, Pedro Guimarães, foi demitido após denúncias de assédio sexual contra funcionárias. Quase no final, a presidente da Caixa falou em “humanização das relações de trabalho” e foi longamente aplaudida ao afirmar: “A gestão pelo medo na Caixa acabou”.

 

Ela também citou o economista Ladislau Dowbor, um estudioso crítico da “financeirização” da economia. Nesse sentido, os bancos não devem ser um fim, mas um meio de “facilitar atividades socialmente úteis”, proporcionando assim desenvolvimento social.

 

Estrutura por todo o País

 

 

Pelo relatório mais recente, relativo ao terceiro trimestre do ano passado, a Caixa possui 26.854 locais de atendimento (13.378 lotéricas, 9.188 correspondentes bancários e 4.288 agências). São 226,2 milhões de contas e 150,5 milhões de clientes. Tem aproximadamente 85 mil empregados.

 

 

Natural de Santo André, no ABC paulista, Maria Rita Serrano é funcionária da Caixa desde 1989. Ela representa os interesses dos funcionários no Conselho de Administração do banco desde 2014, passando a titular três anos depois. Rita também presidiu o Sindicato dos Bancários do ABC (2006-2012) e é conselheira da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae). Desde 2015, coordena o Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas.

 

 

Além disso, publicou dois livros: O desenvolvimento socioeconômico de Rio Grande da Serra (2007) e Caixa, banco dos brasileiros (2018). É coautora na publicação Se é público, é para todos.

 

 




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