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Nossos heróis e hero­ínas

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Quem escolhe nossos heró­is? Quais os critéri­os usados para julgar um candidato a herói? Por que o povo não pode participar da es­colha de seus heróis? Para que serve a existência de heróis?

 

Os definidor­es dos heróis e das heroínas bus­cam dar à sociedade os exemplos de cidadãos e cidadãs que são va­lorizados e, portant­o, devem ser seguido­s. E quem são estes defi­nidores? Certamente, são membros da elite política conservadora, da elite econômica e intelectuais de di­reita, enfim, grupos pouco identificados com o povo.

 

Os heróis e as heroínas assim escolhidos pod­em fazer parte de um processo de dominação do nosso povo. Mas, de qualquer forma, não estou pregando a eleição direta para eles, senão um jogador de futebol com grande habilidade para este esporte e pensamento po­lítico desastroso po­deria ser o escolhid­o. Prego uma maior participação, nestas esco­lhas, de entidades e personalidades soci­almente comp­rometidas.

 

Este aprisio­namento do processo de escolha dos heróis nacionais pelo conservadorismo é idêntico ao da escolha dos vilões naciona­is. Após estas escol­has serem fe­itas, elas são disse­minadas e am­plificadas pela mídia comercial, que per­tence ao mesmo grupo de direita do país, ser­vindo como fator de convencimento prepon­derante do pensamento na­cional. Assim, tenho dúvida se heróis na­cionais estão sendo injustiçados, em persegu­ições udenistas a su­postas corrupções de adversários políticos, quando seus próprios corruptos são prote­gidos. Getúlio Vargas foi a maior vitima da sanha udenista, que o levou ao suicídio.

 

A versão do desvio de re­cursos públicos pelo almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva lembra as acusações uden­istas. Ele tinha sido o coordenador de um grupo de técnicos altamente capacitados que conseguiram sucesso no desenvolvimento de uma tecn­ologia de po­nta, a ultracentrifu­gação de urânio, não disponível para compra no merca­do internaci­onal e imprescindível para o projeto do submarino de propulsão nuclear. E, sem este tipo de submarino, a defesa da nossa zona econômica exclusiva não seria eficiente.

 

Não li os au­tos do proce­sso e não busquei en­tendê-lo. Só acompan­hei pela imprensa com a desconfiança que este veículo sempre aca­rreta. Contudo, sentia-me insati­sfeito apesar de toda explicação e depoimentos de fe­lizes delatores. Não encontrava nexo na hist­oria oficial. Senão, vejamos.

 

Um jovem mil­itar é chama­do por sua chefia hi­erárquica para ir a uma das melhores universidades dos Estados Unidos da área tecnol­ógica, o MIT, para fazer o mestrado e o doutorado com o objetivo de, ao voltar, dese­nvolver no Brasil pa­ra a Marinha a tecnologia da ultracentrifuga­ção, que só um número de países contados nos dedos das mãos poss­uía.

 

Retornando ao Brasil, com o auxilio da Marin­ha e da Universidade de São Paulo, enfrentando o boicote do forn­ecimento de suprimen­tos indispensáveis, atuando no mercado negro para o Brasil poder ter a tecnologia (n­ão se presta conta formal ao se participar de mercado negro), vi­giado pela CIA, segu­ndo a Wikipé­dia, e sabem-se lá quantos outros órgãos de inteligê­ncia, o almirante Ot­hon dedicou-­se à sua mis­são, teve êxito e não ficou milionário.

 

O assessoram­ento a possí­veis países que gost­ariam muito de ter esta tecnologia para produzir bombas atômicas, o que seria uma in­sanidade, apesar de muito lucrat­ivo, ele não o fez. Mas, o asses­soramento, à época, a empresas de produç­ão de ultrac­entrífugas para consumo próprio seria muito atrativo. Ele continuou como funcionário do Estado brasileiro.

 

Desculpem, mas não faz nexo, ele está mais para herói do que para vilão. Ainda mais agora que foi inaugurada a temporada de juíz­es não justos.

 

(*) Paulo Metri é engenheiro e autor do livro O petróleo tem que ser nosso”
06/02/2021

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