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No tabuleiro eleitoral de 2022, o jogo já começou e acordos são costurados de forma certeira e silenciosa

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No tabuleiro eleitoral de 2022, visando a Presidência da República, as regras do jogo começam a ser postas e as peças políticas começam a se movimentar na velocidade de seus próprios interesses.

 

Até o momento, apesar de a defesa de uma terceira via ainda encontrar espaço no discurso do cotidiano, o que se tem como certo é que a polarização entre o presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição, e o ex-presidente Lula, prestes a ser ungido como presidenciável da esquerda.

 

Sobre um possível “outisder” participando da corrida ao Palácio do Planalto, até o momento tudo flana nas nuvens das possibilidades, pois ainda não surgiu um nome capaz de animar o eleitorado.

 

Minha experiência política me confere tranquilidade para que as atenções se voltem para as coligações no escopo das candidaturas à Presidência da República, que já estão sendo costuradas silenciosamente.

 

Nesse enxadrismo eleitoral, chama-me a atenção o silêncio quase obsequioso do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ainda filiado ao Democratas, partido que vem ignorando a essência do próprio nome para se alinhar a Bolsonaro, que de democrata nada tem.

 

Nascido em Rondônia e com história acadêmica e política desenvolvida em Minas Gerais, Pacheco assimilou o espírito do mineiro e age com muita cautela e sem ruídos em suas decisões políticas.

 

Eleito deputado federal pelo MDB mineiro (à época PMDB) em 2014, foi presidente da CCJ da Câmara dos Deputados e terminou em terceiro lugar na disputa pela Prefeitura de Belo Horizonte.

 

De volta à Câmara após a derrocada na eleição municipal, Pacheco lançou, em 2018, candidatura ao Executivo de Minas Gerais, na ocasião já filiado ao Democratas. Seu plano de chegar ao Palácio da Liberdade foi abortado, quando Pacheco decidiu concorrer ao Senado Federal, sendo eleito com mais de 3,6 milhões de votos.

 

Rodrigo Pacheco não desistiu de governar Minas Gerais, mas no caminho há pelo menos duas pedras políticas a atrapalhar seus planos: o governador Romeu Zema, candidato natural à reeleição, e o deputado federal Aécio Neves (PSDB), que localmente precisa recuperar o terreno político.

 

Zema está alinhado ao governo Jair Bolsonaro, o que de certa forma facilita sua tentativa de um novo mandato. Aécio é integrante da velha guarda de um partido que se divide entre a fidelidade à social-democracia e uma ensaiada intifada de “cristãos novos”.

 

Se por enquanto a polarização entre esquerda e direita é o que tem à disposição do eleitorado brasileiro, é chegada a hora de Rodrigo Pacheco tomar uma decisão, pois afinal estamos a um ano do início da corrida presidencial de 2022.

 

Quem conhece a política brasileira sabe que a permanência no Democratas será maléfica a Pacheco, já que o presidente nacional da legenda, ACM Neto, não pensou duas vezes antes de se atirar no colo do governo Bolsonaro.

 

Uma das possibilidades mais viáveis para Rodrigo Pacheco é deixar o DEM e sair como candidato a vice na chapa de algum presidenciável com cacife eleitoral. Analisando o cenário atual, um caminho factível para Rodrigo Pacheco seria fazer dupla com o ex-presidente Lula.

 

O que para muitos pode parecer absurdo, em termos políticos é absolutamente viável, pois coloca sobre a mesa um quebra-cabeça fácil de ser montado.

 

Pacheco, que já foi filiado ao MDB e tem bom trânsito com os emedebistas do Senado, em especial os que fazem oposição ao governo Bolsonaro, migraria para o PSD, de Gilberto Kassab, que já está acertado com o ex-presidente Lula.

 

Nessa dança de cadeiras, o Democratas assumiria de vez sua porção governista, enquanto Pacheco retomaria para si os holofotes da política do País. Atualmente com 44 anos, Rodrigo Pacheco, caso Lula seja eleito, terá nas mãos a oportunidade de concorrer à Presidência em 2026, aos 50 anos de idade.

 

Além disso, os muitos equívocos cometidos pelo governo Bolsonaro no campo econômico e o fiasco em que se transformou o enfrentamento à pandemia do novo coronavírus impedem que Pacheco continue apoiando o Palácio do Planalto, mesmo que de maneira discreta. A insistir nessa hipótese, o presidente do Senado está fadado a submergir em termos políticos.

 

No contraponto, mas a favor de Pacheco, está a vassalagem explícita e reversa do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), que feito as vontades de Bolsonaro, a começar pela não análise de mais de uma centena de pedidos de impeachment.

 

Para reforçar o cenário, o ex-governador Geraldo Alckmin, de São Paulo, está prestes a deixar o PSDB, como forma de viabilizar um eventual retorno ao Palácio dos Bandeirantes. Alckmin, segundo consta, estaria de malas prontas para embarcar no PSD.

 

Considerando que os estados de São Paulo e Minas Gerais são os dois maiores colégios eleitorais do país, ignorar um possível acordo entre Pacheco e Lula é dar as costas à realidade política.

 

Quem viver verá, mas fato é que o bode já está na sala. Cabe aos que defendem a democracia tomar uma atitude firme, a ser referendada nas urnas, para conter a ameaça constante ao Estado de Direito e às instituições.

 

 

(*) Waldir Maranhão

 

 

 

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