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Nicolelis prevê “colapso nacional” se País não adotar lockdown

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Cientista também defende a ampliação da cobertura da vacinação contra a Covid-19, com o uso de mais imunizantes

 

Com o aumento da média diária de casos de Covid-19 e a volta da superlotação de UTIs, estamos próximos de viver um “colapso nacional”. Primeiro, vai colapsar o sistema de saúde. Depois, os serviços funerários. É o que prevê o neurocientista Miguel Nicolelis, que deixou, na semana passada, a coordenação do Comitê Científico do Consórcio Nordeste para a Covid-19. A única saída para evitar a tragédia, segundo ele, é um lockdown em todo o Brasil por 21 dias, “com barreiras sanitárias nas estradas, aeroportos fechados”.

 

Em 18 de dezembro, ainda à frente do Comitê Científico do Nordeste, Nicolelis alertou para o agravamento da crise sanitária. Pouco mais de dois meses depois, vários estados enfrentam o acelerado avanço da pandemia. “Santa Catarina anunciou que colapsou, o Rio Grande do Sul está dramático, o triângulo mineiro colapsou. Rondônia já foi, Mato Grosso, o próprio Distrito Federal”, lista o cientista, em entrevista ao O Globo publicada nesta sexta-feira (26).

 

“São Paulo tem menos de três semanas de reservas de leitos de UTI – o que, para a cidade que é a capital de medicina brasileira, é assustador. No Estado do Rio, a letalidade é recorde no Brasil”, agrega Nicolelis. “Esperava-se que o colapso ficasse restrito à região Norte. É surpreendente que o Sudeste tenha se saído tão mal.”

 

Em sua opinião, fatores como eleição, festas de fim de ano e carnaval fizeram a segunda onda da pandemia chegar simultaneamente nos estados. “Tudo está explodindo ao mesmo tempo. Isso significa que não tem medicação, não tem como intubar, não vai dar para transferir de uma cidade para outra, não vai ter como transferir para lugar nenhum”, alerta. “Não é que todo canto vá colapsar, mas boa parte das capitais pode colapsar ao mesmo tempo. Se eliminar o genocídio indígena e a escravidão, é a maior tragédia do Brasil”.

 

O presidente Jair Bolsonaro é diretamente responsabilizado pela crise. “A ausência de comando do governo federal é danosa. Isso é uma guerra”, acusa. “Ninguém esperava que o Brasil fosse ter uma performance tão baixa. Poderíamos estar vacinando 10 milhões, mais do que qualquer país.”

 

Ao defender um lockdown nacional, o neurocientista explica que a medida deve ser acompanhada de “uma campanha de comunicação, porque a gente precisa da colaboração da população. A população precisa acordar para a dimensão da nossa tragédia”. Como o governo Bolsonaro nega a gravidade da pandemia, Nicolelis propõe a criação de “uma comissão de salvação nacional, sem Ministério da Saúde, organizado pelos governadores, para resolver a logística”.

 

Além disso, é necessário ampliar a cobertura da vacinação contra a Covid-19, com o uso de mais imunizantes: “Não dá para ficar discutindo. Estamos falando da vida de 1.500 pessoas por dia, são 5 boeings caindo. Vacinação, vacinação, vacinação, testagem e isolamento social. Não tem jeitinho numa guerra. Estamos diante de um prejuízo épico, incalculável, bíblico.”

 

Reprodução do Vermelho com informações do O Globo

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