Chanceler nicaraguense afirmou que interferência norte-americana no país é histórica e que protestos de 2018 foram iniciativa golpista; veja vídeo na íntegra

 

 

 

No programa 20 MINUTOS INTERNACIONAL desta quinta-feira (12/08), o jornalista Breno Altman entrevistou o advogado e chanceler da Nicarágua, Denis Moncada. Segundo o ministro, o país vem sofrendo uma ofensiva dos Estados Unidos que têm descreditado o processo eleitoral nicaraguense e aprovado sanções contra a nação latino-americana.

 

 

 

“A interferência dos EUA na Nicarágua, política, militar e econômica, não é de hoje. Vamos avançando, nos empoderando, com educação gratuita, sistema de saúde gratuito, reforçando a nossa soberania e isso não agrada o imperialismo norte-americano”, disse o chanceler.

 

 

 

 

Em julho, a Casa Branca tachou o presidente Daniel Ortega de ser um ditador, acusação rejeitada por Moncada: “Nós chegamos a viver uma ditadura, a de Anastasio Somoza. Assassinavam jovens, reprimiam estudantes. Não havia liberdades. Aqui há liberdade de comunicação, de expressão, quando dentro do marco da legalidade. Não há ditadura. Nosso povo se move livremente, vai à escola. Tudo isso é um esquema criado com o apoio do poder midiático para fazer parecer que a Nicarágua é uma ditadura”.

 

 

 

Além disso, figuras como Dora Maria Téllez, ex-guerrilheira da Revolução Sandinista, vieram a público denunciar a repressão de Ortega, que teria o intuito de cancelar as eleições, programadas para acontecer em novembro. Téllez, assim como outros dissidentes sandinistas, foi presa em junho.

 

 

 

“Os EUA não aceitam o governo da Nicarágua, eleito democraticamente, e segue tentando derrubá-lo, desrespeitando a soberania e autodeterminação da Nicarágua. Eles financiam essas pessoas que estão sendo processadas e investigadas, usando-as como cavalos de Troia para desestabilizar o governo de Ortega”, alegou Moncada.

 

 

 

Para o chanceler, apesar do papel importante que desempenhou durante a revolução, Téllez, assim como outros dissidentes sandinistas, “já estão aliados ao imperialismo”. Ele ainda destacou que, ao contrário do que diz a mídia internacional, os presos não são candidatos presidenciais, pois não estão ligados a nenhum partido e que as eleições estão programadas para acontecer normalmente em novembro.

 

 

 

“Existe plena liberdade para que os partidos que sigam os processos da lei participem da disputa eleitoral, mas essas pessoas nem sequer estavam inscritas em partidos para poder ser candidatos”, reforçou.

 

 

 

O chanceler ainda explicou que receber financiamento estrangeiro, “para realizar projetos que não sejam aqueles para os quais servem a organização que tenha recebido o dinheiro, por exemplo”, utilizando-o para outros fins, se trata de um delito de traição à pátria. “O espírito do governo é apenas proteger o direito do povo para que viva com tranquilidade”, defendeu.

 

 

 

 

Chanceler nicaraguense afirmou que interferência norte-americana no país é histórica. Foto: Reprodução

 

 

 

Protestos de 2018

 

 

Em 2018, a Nicarágua viveu uma onda de protestos que estourou após o governo anunciar uma reforma da previdência, mas, de acordo com Moncada, “uma tentativa de golpe já vinha sendo desenhada desde antes, só estavam buscando um pretexto”.

 

 

 

“Os protestos foram uma manobra bem montada que gerou confusão. Em pouco tempo, dividiram amigos e companheiros em uma guerra psicológica enorme. Convenceram delinquentes a cometer crimes, incendiar universidades, destruir a nossa infraestrutura. Uma estratégia desenhada para derrubar um governo constitucional, legítimo e que avançava pelo bem comum da população”, argumentou o chanceler.

 

 

 

O saldo das manifestações, que duraram três meses, foi mais de trezentos mortos: “Fizeram parecer com que essas mortes se deram por atuação do Estado, mas isso é falso”.

 

 

 

Nesse período, também ocorreram mobilizações a favor de Ortega, “porque em todo o país a população saiu a dizer que parassem com a agressão e o golpe”.

 

 

 

O governo chegou a convocar as partes ao diálogo, pedindo à Igreja que servisse de mediadora, “mas as negociações não tiveram sucesso porque quiseram continuar com o golpe, inclusive setores da própria igreja episcopal”.

 

 

 

Cerca de três anos após os protestos de 2018, Moncada fez um balanço da situação no país: “Com todo o dano que provocaram os golpistas, a nossa população é resistente. Tivemos perdas humanas devastadoras, perdas multimilionárias, vieram dois furacões, a pandemia, mas o país não se paralisou e vamos continuar lutando. As perspectivas econômicas para a Nicarágua são positivas. Temos que lutar, trabalhar e combater, ver o sol da liberdade, como dizia Sandino”.

 

 

 

hoje. Vamos avançando, nos empoderando, com educação gratuita, sistema de saúde gratuito, reforçando a nossa soberania e isso não agrada o imperialismo norte-americano”, disse o chanceler.

 

 

 

Por Camila Alvarenga/ Madri (Espanha)
Reproduzido do Opera Mundi