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Neusa Cadore relembra os 50 anos do assassinato de Lamarca e Zequinha pela ditadura militar

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A deputada estadual Neusa Cadore (PT) reviveu, nesta sexta (17), a memória do capitão Carlos Lamarca e Zequinha. Ela lembrou dos 50 anos do massacre em Brotas de Macaúbas – Ipupiara: terrorismo e assassinatos da ditadura militar 

Nesta sexta-feira, 17 de setembro, completam-se 50 anos do assassinato do ex-militar Carlos Lamarca, um dos principais líderes do enfrentamento à ditadura militar, e seu companheiro José Campos Barreto (Zequinha). Os dois foram mortos pelas Forças Armadas num massacre que também vitimou Otoniel Barreto e Luiz Antônio Santa Bárbara, além de deixar feridos e uma população inteira amedrontada.

O Exército e a Polícia Militar disseminaram o medo e o terror nas comunidades de Buriti Cristalino e Pintada, dos municípios de Brotas de Macaúbas e Ipupiara, respectivamente, e em todo o oeste da Bahia, perseguindo quem quer que fosse que questionasse os desmandos, a corrupção, os horrores, os assassinatos, entre outras tragédias promovidas pela ditadura militar, civil e empresarial entre 1964 e 1985.

A deputada estadual Neusa Cadore apresentou uma moção, na Assembleia Legislativa da Bahia, na quinta-feira (16), em solidariedade à população dos dois municípios. A parlamentar observou que a população da região ainda convive com as marcas históricas do trágico acontecimento e resgatou a história de luta e resistência protagonizada por Lamarca e Zequinha.

“Neste momento em que o Brasil convive, novamente, com um golpe de Estado também protagonizado pelas forças do autoritarismo de 1964, nosso reconhecimento e homenagem a todos e todas que se rebelaram contra as injustiças sociais e derramaram sangue na luta por um País justo. Com a frase que Lamarca costumava encerrar seus escritos, “Ousar lutar, ousar vencer”, celebramos a memória e cobramos justiça para todas as vítimas da ditadura militar”, afirmou Neusa no documento.

Lamarca e Zequinha se conheceram quando militavam na Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), organização política de enfrentamento à ditadura militar. O ex-capitão desertou do Exército por se recusar a reprimir trabalhadores e se tornou um dos principais nomes da resistência conta o regime. Também um dos principais nomes perseguidos pelas Forças Armadas, que, embora o povo brasileiro pagasse, como paga até hoje, seus salários, seguiam ordens expressas de instituições estadunidenses para defender os interesse mercadológicos dos Estados Unidos da América (EUA) em detrimento dos interesses do Brasil.

Zequinha, por sua vez, era alvo dos militares porque liderou importantes greves, como a dos metalúrgicos de Osasco, em 1968, tendo sido preso e torturado pelos agentes do Deops (Departamento de Ordem Política e Social) de São Paulo. Após se desligar da VPR, Lamarca se integrou ao MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro) e se encontrou com Zequinha, instalado na casa da família, em Buriti Cristalino, comunidade de Brotas de Macaúbas. Lá se organizavam e pretendiam estabelecer uma base dessa organização, mas foram traídos, descobertos, cassados e assassinados em Pintada, município de Ipupiara.

Celebração dos Mártires – Por causa dos acontecimentos, o dia 17 de setembro foi instituído como feriado em Brotas de Macaúbas e Ipupiara. Em homenagem aos guerrilheiros mártires e todos que tiveram suas vidas ceifadas, a Igreja Católica e os movimentos populares ergueram um santuário na região em que, desde 2000, são realizadas celebrações em defesa da verdade, da justiça e da memória. Nos últimos anos, as atividades também têm destacado outras lideranças que tombaram na defesa dos direitos, como Josael de Lima (Jota), do município de Barra, e Manoel Dias, de Muquém do São Francisco, ambos mortos por grileiros.

 

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