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Nesta quinta (26/11) tem ato pelo fim da ocupação colonial e das agressões do Marrocos ao Saara Ocidental

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Um protesto contra a ocupação ilegal de 80% do território do Saara Ocidental e as agressões a civis saarauis pela polícia e pelo exército do Marrocos, que levaram ao rompimento do cessar fogo em vigor desde 1991, será realizado nesta quinta-feira (26.11) pela Asaaraui (Associação de Solidariedade e pela Autodeterminação do Povo Saaraui).

 

Diversas entidades e partidos também participarão: Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL), Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz), Comitê Anti-imperialista General Abreu e Lima, Centro Brasileiro de Estudos da Saúde (Cebes), Juntos, Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultural do DF (Sindsacs), PT, PSol, PCdoB, PCB e UP.

 

O ato será às 10 horas, em frente à Embaixada do Marrocos, no Setor de Embaixadas Norte. Nos próximos dias, a Asaaraui e as entidades entregarão, no escritório da Organização das Nações Unidas em Brasília, uma carta dirigida ao secretário-geral Antonio Guterres, reclamando da omissão dele e do Conselho de Segurança diante das ações beligerantes do Marrocos e do não cumprimento do acordo de cessar fogo.

 

O Saara Ocidental, antiga colônia espanhola, foi invadido pelo Marrocos e pela Mauritânia em 1975, quando a Espanha abandonou o território. A Frente Polisario, que lutava desde 1973 pela independência do Saara Ocidental, proclamou a República Árabe Saaraui Democrática (RASD) em 1976. Seu Exército de Libertação do Povo Saaraui (ELPS) expulsou a Mauritânia em 1979 e prosseguiu combatendo o Marrocos até 1991, quando foi assinado, sob auspícios da ONU, um acordo de cessar fogo.

 

Para manter a área que mantinha ocupada e isolar a região controlada pela Frente Polisario, o Marrocos construiu no deserto um muro de 2.720 quilômetros, guarnecido por tropas e cercado de minas. O acordo de cessar fogo previa a realização de um referendo em 1995, para que os saarauis decidissem livremente se queriam a independência ou a autonomia do território, sob a soberania do Marrocos.

 

A ONU criou então a Missão das Nações Unidas para o Referendo no Saara Ocidental (Minurso), mas, com apoio da França e dos Estados Unidos no Conselho de Segurança, o Marrocos tem conseguido protelar por 29 anos a realização do referendo e mantém a ocupação e a exploração ilegal de riquezas saarauis.

 

O cessar fogo foi rompido em 13 de dezembro, quando tropas marroquinas, diante da omissão da Minurso, atacaram civis saarauis desarmados que impediam o tráfego de veículos na passagem de Guerguerat, em uma zona de amortização perto da fronteira da área controlada pela RASD com a Mauritânia. Essa passagem, aberta no muro marroquino e usada pelo Marrocos para exportar produtos do Saara Ocidental, cruzando território da RASD, é considerada ilegal pela ONU.

 

Atualmente há cerca de 50 presos políticos saarauis no território ocupado pelo Marrocos, sendo frequentes as denúncias de maltratos e torturas. Saarauis, incluindo crianças, têm sido perseguidos e agredidos por policiais e colonos marroquinos.

 

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