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Não basta não temer ameaças golpistas. Temos de impedir que sejam feitas

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Sabendo que vão perder no voto democrático, Bolsonaro e os militares que se beneficiam do governo ameaçam as eleições sob o pretexto esfarrapado da não aprovação do voto impresso, que é uma espécie de senha para o golpe agora ou em 2022. Não será esse o significado da enigmática declaração de Bolsonaro quando disse: “Não sei nem se vou ser candidato”?

 

 

Entretanto, enquanto o golpe não chega, Bolsonaro entrega ao Centrão aquela parte do governo que se relaciona com o Congresso e com os indicação de cargos. A ideia é simples: aumentar o “aluguel” do Centrão para este continuar agindo como a última barreira contra o impeachment.

 

 

No entanto, a ameaça golpista do ministro da Defesa, general Braga Neto, feita não diretamente mas de forma covarde, por meio de intermediários, teve reação forte e imediata da sociedade e no meio político, inclusive com a oposição defendendo a sua interpelação no Congresso.

 

 

Com a evidente erosão da base de apoio de Bolsonaro e com a mobilização social ampla e crescente pelo seu impeachment, a relação de forças mudou a favor do movimento democrático e por isso este não teme mais ameaças golpistas de Bolsonaro e dos militares.

 

 

As provas de corrupção levantadas pela CPI revelando verdadeiras quadrilhas de militares “centrões” agindo no governo desgastou profundamente a imagem das Forças Armadas para o conjunto da sociedade. A parceria criminosa desses militares com o governo genocida e corrupto de Bolsonaro está ajudando a sociedade democrática a tomar consciência do enorme distanciamento existente entre as Forças Armadas e os interesses do povo e da Nação brasileira.

 

 

Uma distância que começou com o golpe de 64 e se perpetuou com a tutela militar introduzida na Constituição de 88. Tal tutela militar seria usada muitos anos depois para proteger o Estado oligárquico contra a consolidação do governo do PT como pudemos ver no respaldo que deu ao golpe do impeachment e à prisão ilegal de Lula.

 

 

Com a esquerda golpeada e a burguesia liberal enfraquecida e sem liderança civil forte, os militares viram a oportunidade de voltar ao poder direto por meio de um testa de ferro, um candidato desclassificado mas de ultradireita e defensor assumido da ditadura militar.

 

 

Diante rápido fracasso do governo neofascista, acelerado pela pandemia, e vendo a possibilidade real da volta de Lula nos braços do povo, os militares têm espasmos golpistas mas lhes falta a justificativa econômica e, portanto, o consenso da burguesia para dar um golpe e principalmente mantê-lo por muito tempo.

 

 

Contudo, as forças populares e democráticas já sabem o que as espera: uma anunciada reação golpista, no estilo Trump, contra a eleição de Lula. Daí a necessidade do tal voto impresso, para acusar a eleição de fraude e não entregar o governo ao candidato eleito.

 

 

Por conta disso, e além da defesa da vida e do combate à corrupção, o impeachment é ainda mais necessário. A ocupação das ruas pelo povo em luta é a chave dessa conquista civilizatória e a melhor garantia do aborto de mais um golpe na democracia.

 

 

Val Carvalho – escritor e militante de esquerda

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