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Multidão vai às ruas de Buenos Aires em defesa de Cristina Kirchner após atentado

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Decreto de feriado nacional catalisa participação em atos, mesmo de argentinos que não apoiam o peronismo

 

 

Atos que por semanas ocuparam ruas da Argentina em defesa da vice-presidente Cristina Kirchner tornaram-se nesta sexta-feira (2) uma mobilização que reuniu dezenas de milhares em Buenos Aires, nos arredores da praça de Maio, em repúdio ao ataque que a peronista sofreu na véspera.

 

 

A maioria dos presentes defende a vice e já vinha se manifestando por acreditar que Cristina é alvo de perseguição judicial. Os atos desta sexta, porém, também galvanizaram argentinos que foram às ruas tendo como principal bandeira a crítica à violência política, escancarada no atentado à ex-presidente.

 

 

O decreto de Alberto Fernández, que transformou esta sexta em um feriado nacional em solidariedade a sua vice, também catalisou as manifestações ao favorecer o comparecimento em peso às mobilizações. As autoridades estimam que cerca de 500 mil pessoas foram às ruas.

 

Manifestantes erguem cartazes que dizem 'somos todos Cristina' em marcha em protesto contra tentativa de assassinato da vice-presidente argentina em Buenos Aires - Mariana Nedelcu - 2.set.22/Reuters
Manifestantes erguem cartazes que dizem ‘somos todos Cristina’ em marcha em protesto contra tentativa de assassinato da vice-presidente argentina em Buenos Aires – Mariana Nedelcu – 2.set.22/Reuters

 

 

Segundo o jornal La Nación, todos os ministros do governo participaram dos protestos. O presidente —que vive uma disputa interna de poder com Cristina— não se juntou a eles.

A manifestação principal aconteceu na emblemática praça de Maio, onde desembarcaram centenas de pessoas durante a manhã, vindas de diferentes partes da capital, e para onde devem fluir as demais mobilizações espalhadas por Buenos Aires. A praça abrigou não só dezenas de coletivos políticos ligados ao peronismo, como também cidadãos independentes, que não pertencem a partidos ou organizações.

 

A vice-presidente da Argentina Cristina Kirchner vai em direção a apoiadores perto de sua residência, em Buenos Aires; esta foi a primeira vez em que ela saiu de casa desde o atentado - Luis Robayo - 2.set.22/AFP
A vice-presidente da Argentina Cristina Kirchner vai em direção a apoiadores perto de sua residência, em Buenos Aires; esta foi a primeira vez em que ela saiu de casa desde o atentado – Luis Robayo – 2.set.22/AFP

 

 

Local do atentado, a área do entorno da casa de Cristina, no bairro da Recoleta, também foi ocupada por seus apoiadores.

Por volta das quatro da tarde —cerca de duas horas depois de o presidente Alberto Fernandez visitá-la, e minutos após uma ligação com o ex-presidente brasileiro Lula—, a vice-presidente saiu de casa pela primeira vez desde a véspera, cercada por sua equipe de segurança.

 

 

Acompanhadas dos pais, crianças formaram parte notável da concentração na praça de Maio. As arquitetas de La Plata Eugenia Rodriguez Daneri, 34, e Licia Ríos, 47, por exemplo, foram com os filhos de 12 e 6 anos. “Viemos defender Cristina e a democracia”, disse Ríos. Daneri atribuiu a dirigentes de direita a promoção da retórica de violência política que, na sua opinião, está por trás do atentado.

 

 

Levar as crianças, segundo as mães, é uma forma de introduzi-las na cultura nacional e permitir que criem memórias de participação política. Sentadas no gramado em frente à Casa Rosada, a sede do governo argentino, elas descansavam ao som de batuque aguardando o início dos demais atos.

 

Multidão se reúne para repudiar atentado contra Cristina Kirchner na capital

 

O pesquisador de ciências sociais e professor universitário Sérgio, 48, —que preferiu não dizer o sobrenome— foi outro que esteve acompanhado do filho, Timotio, 8. Em um país com tradição de marchas nas ruas, foi a primeira vez que o menino participou de uma.

 

 

Sérgio afirmou que achava inimaginável um atentado contra Cristina. “A Argentina sempre pode surpreender. Mas a verdade é que isso era impensável. Nos encheu de medo. Mas o medo se combate marchando.” Para ele, o ato dá fôlego à mobilização nas ruas, em parte desacelerada durante a pandemia de Covid.

 

 

A região também estava repleta de ambulantes, que vendiam comidas e bebidas e também aproveitavam para comercializar itens com símbolos do país.

 

Maximiliano Policicchio, 42, carpinteiro e músico, relatou que sempre comparece a atos para apoiar o kirchnerismo e também para vender fotografias de figuras como os Peróns, Diego Maradona e os próprios Kirchners. Em três horas na praça de Maio, havia vendido cerca de 20 imagens, cada uma a 400 pesos (cerca de R$ 8 no câmbio paralelo).

 

 

Eduardo Luna, 69, comerciante que também se identifica com o kirchnerismo, disse que a importância de participar de manifestações do tipo é “mostrar que o povo vai apoiar o sistema democrático, mesmo com todos os defeitos que pode ter, e repudiar a violência política”.

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Ao contrário do que se observou em protestos recentes em apoio a Cristina, não houve registro de confrontos entre manifestantes e a polícia na imprensa local. Por volta de 19h, as concentrações foram desmobilizadas.

 

 

Na semana passada, duas pessoas foram presas e sete policiais ficaram feridos num ato contra a promotoria argentina, que acusa a política de ter chefiado um esquema de associação ilícita e fraude ao Estado no período em que foi presidente (2007-2015).

 

 

E se nas principais avenidas o movimento era intenso, com a interdição de parte da avenida 9 de Julho aos veículos, as demais ruas da capital estavam com trânsito tranquilo e incomum para uma sexta-feira, após o governo decretar feriado nacional —o ato foi criticado por líderes da oposição, interpretado como uma atitude de oportunismo político.

 

 

As principais cidades do interior do país também organizaram eventos em apoio a Cristina.

 




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