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MST nega que acampamentos visitados por Bolsonaro sejam áreas do movimento

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Presidente fez campanha em ocupação às margens da BR-060, no Distrito Federal

 

 

O presidente Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, visitou os acampamentos Nova Jerusalém e Leão de Judá, às margens da BR-060, na região de Samambaia, no Distrito Federal, na tarde desta segunda-feira (24). Ele aproveitou a agenda de campanha para gravar propagandas para o horário eleitoral.

 

 

Matérias veiculadas por parte da imprensa destacaram que as ocupações foram organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do DF e Entorno, mas o movimento emitiu nota para negar veementemente a informação.

 

 

Leia também: É falso que o MST esteja bloqueando o rio São Francisco, como espalham perfis bolsonaristas

 

 

“Na notícia, afirmam que este acampamento foi do MST, se apresentando como ‘acampamento de ex MSTs’. O MST DFE [Distrito Federal e Entorno] nunca teve acampamento na cidade de Samambaia, portanto, esta área nunca teve vinculação com o MST. O movimento sem terra não atua no campo urbano, localidade onde existe o tal acampamento”, diz a nota pública. “A área em questão pertencia a Frente Nacional de Luta – FNL, outra organização que atua em territórios rurais e urbanos”, acrescenta o texto.

 

 

Antes da visita do presidente, a senadora eleita pelo DF e ex-ministra Damares Alves (Republicanos) esteve no local, acompanhada da vice-governadora eleita Celina Leão (PP), que também é deputada federal. A reunião ocorreu no domingo (23).

 

 

O MST criticou as lideranças dos acampamentos pelo envolvimento com o bolsonarismo, e fez questão de ressaltar que não existe nenhum tipo de relação dessas pessoas com o movimento.

 

 

Relação com grileiros

 

 

“As tais ‘lideranças’ ali presentes não tem nenhuma relação com o MST, não fazem parte de nenhuma instância, portanto, nem como ‘lideranças’ reconhecemos. Sabemos sim, que uma das principais referências desta articulação bolsonarista responde a processos por extorsão de trabalhadores, com ligação a grilagem de terras no DF, noticiadas amplamente no último período, ou seja, hoje, junto a Damares, Bolsonaro e companhia, finalmente chegou ao seu lado certo”, denuncia  texto.

 

 

A nota faz referência à Creuzenir Magalhães da Costa, conhecida como Petra Magalhães, liderança local condenada à uma pena de mais de 16 anos de reclusão por crimes de extorsão e grilagem de terras públicas. A prática era feita contra pessoas vulneráveis que buscavam acesso à terra na área.

 

 

O MST ainda destaca que foi a organização que mais ajudou no assentamento de famílias e criação de novas áreas de reforma agrária no DF e Entorno.

 

 

“Foram mais de 30 assentamentos criados e aproximadamente 10 mil famílias assentadas nesse período, nas regiões do DF e seu Entorno. Famílias que, por uma vida, foram excluídas e expulsas de seus territórios pelo desmando e exploração do latifúndio, e que no MST, como sujeito coletivo de direitos, tiveram seus sonhos e sua condição de pessoa humana reconhecida, se tornaram visíveis novamente.

 

 

O MST ainda destaca sua atuação na produção agrícola a partir de seus assentamentos no Planalto Central. “Nossa cooperativa hoje é uma das maiores da agricultura familiar e camponesa do DF, comercializando via Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, criado no governo Lula, em mais de 300 escolas em 5 regiões administrativas do DF, levando produtos saudáveis, agroecológicos, frutos da luta pela Reforma Agrária, para nossas crianças e toda a comunidade escolar”.

 

 

Confira a íntegra da nota do MST-DF:

 

Nota do MST do Distrito Federal e Entorno acerca do oportunismo Bolsonarista nos territórios do DF

 

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Distrito Federal e Entorno vem aqui, repudiar e alertar a classe trabalhadora do DF sobre acontecimentos que envolveram o nome do movimento.

 

Vem circulando na mídia do DF, notícias acerca de uma visita de Damares Alves e Celina Leão em um acampamento de luta urbana na cidade de Samambaia, organizada por supostas “lideranças” da região.

 

Na notícia, afirmam que este acampamento foi do MST, se apresentando como “acampamento de ex MSTs”.

 

O MST DFE nunca teve acampamento na cidade de Samambaia, portanto, esta área nunca teve vinculação com o MST. O movimento sem terra não atua no campo urbano, localidade onde existe o tal acampamento. Nossa luta histórica é pela Reforma Agrária, pela Agroecologia e pela produção de alimentos saudáveis em territórios de natureza estritamente agrária, áreas públicas, griladas pelo latifúndio e que não cumprem sua função social, alvos de especulação e de degradação ambiental e social.

 

A área em questão, pertencia a Frente Nacional de Luta – FNL, outra organização que atua em territórios rurais e urbanos 

 

As tais “lideranças” ali presentes não tem nenhuma relação com o MST, não fazem parte de nenhuma instância, portanto, nem como “lideranças” reconhecemos. 

 

Sabemos sim, que uma das principais referências desta articulação Bolsonarista responde a processos por extorsão de trabalhadores, com ligação a grilagem de terras no DF, noticiadas amplamente no último período, ou seja, hoje, junto a Damares, Bolsonaro e companhia, finalmente chegou ao seu lado certo. 

 

Importante ressaltar que este acampamento de famílias humildes do DF, está submetido a mesma lógica de qualquer outra ocupação em nossa cidade, sobretudo nos últimos 4 anos de gestão compartilhada Ibaneis/Bolsonaro. Descaso, ameaças de despejo, miséria, exploração e oportunismo, até porque, se fosse diferente, esse governo já teria resolvido o problema destas famílias. Pelo contrário, de forma oportunista e eleitoreira, abusam das famílias trabalhadoras, as submetem a mentiras, brincam com seus sonhos. Nos últimos 4 anos, não foi criado um assentamento sequer no Distrito Federal, pelo contrário, houve sim muitos despejos ilegais, mesmo em tempo de pandemia.

 

Por fim, o MST do Distrito Federal e Entorno, em seus 28 anos de existência, foi a organização que assentou mais famílias e criou mais assentamentos de Reforma Agrária no DF e Entorno. Foram mais de 30 assentamentos criados e aproximadamente 10 mil famílias assentadas nesse período, nas regiões do DF e seu entorno. Famílias que por uma vida, foram excluídas e expulsas de seus territórios pelo desmando e exploração do latifúndio, e que no MST, como sujeitos coletivo de direitos, tiveram seus sonhos e sua condição de pessoa humana reconhecida, se tornaram visíveis novamente.

 

Nossa cooperativa hoje é uma das maiores da agricultura familiar e camponesa do DF, comercializando via Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, criado no governo Lula, em mais de 300 escolas em 5 regiões administrativas do DF, levando produtos saudáveis, agroecológicos, frutos da luta pela Reforma Agrária, para nossas crianças e toda a comunidade escolar. 

 

Esse é o país que acreditamos, com mais livros, e menos armas, com democracia, e não com discursos autoritários e de ódio, com comida de qualidade na mesa de todas e todos, e não com venenos e com nosso povo passando fome, em detrimento do privilégio de poucos.

 

Lutar! Construir Reforma Agrária Popular!

 

Distrito Federal, 24 de outubro de 2022.

 

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Distrito Federal e Entorno. 

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