O subprocurador-geral do Tribunal de Contas da União (TCU), Lucas Furtado, acionou o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Isaac Sidney, para explicar por que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal ameaçaram sair da entidade e razão do manifesto que pede a harmonia entre os Três Poderes.

“Ao confirmar-se a notícia, haveria risco ao sistema financeiro brasileiro advindo de possível politização dos bancos, privados e públicos”, diz Furtado no ofício obtido pelo Estadão.

O subprocurador cita a visão da Febraban, que fala que um sistema financeiro “saudável, ético e eficiente é condição essencial para o desenvolvimento econômico, social e sustentável do País”.

Na área técnica do tribunal, há a avaliação de que a decisão de Caixa e Banco do Brasil demonstra claramente um movimento das instituições em favor de um posicionamento político do controlador (União), o que pode configurar ingerência. Até o momento, não houve representação formal pedindo que o TCU apure o caso, mas o entendimento entre ministros da corte é de que o episódio pode configurar alguma irregularidade devido à interferência.

O BB e Caixa resolveram deixar a Febraban e já avisaram a decisão ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, caso a Fiesp publique até amanhã o manifesto – a divulgação do texto, porém, foi adiada.

Para os bancos públicos, segundo essas fontes, “o documento tem tom político contrário ao governo”.

O manifesto não citaria o governo Jair Bolsonaro, mas é encarado como um posicionamento contra a postura hostil tomada pelo presidente em relação ao Judiciário. O documento pede aproximação e cooperação entre Legislativo e Executivo e Judiciário, o enfrentamento da pandemia e ações econômicas.

Em nota divulgada nesta tarde, a Febraban disse que o manifesto, “articulado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)” e “elaborado por representantes de diversos setores, inclusive o financeiro”, buscava harmonia e não atacar o governo ou fazer oposição à política econômica.

No governo, quem liderou o movimento de ruptura dos bancos públicos com a Febraban foi o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, que mantém grande proximidade ao presidente Bolsonaro.

A relação dos bancos públicos com os privados já estava ruim na Febraban. BB e Caixa foram contrários ao manifesto na votação da Federação. Eles entendem que os privados, não só nesse caso, vinham impondo sua vontade, muitas vezes contra o interesse dos bancos públicos.