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Morre Maria Duarte, ex-secretária e militante da cultura do DF

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Artistas, produtores culturais, professores de arte-educação do Distrito Federal acordaram hoje (30/12) com uma notícia triste. Vítima de câncer, morreu Maria Duarte, militante da vida cultural da cidade há cinco décadas.

 

Maria Duarte era muito querida por todos. No Facebook, dezenas de manifestações de pesar. Além de Cidadã Honorária de Brasília, Maria Duarte foi uma revolucionária diretora do Sesc da Asa Sul, onde criou o Teatro Garagem, escreveu livros (dentre eles, Educação pela Arte – o caso Brasília) e exerceu o cargo de secretária de Cultura do DF no primeiro governo do PT, período em que fui seu secretário Adjunto. Por isso, sou também testemunho de sua paixão pela cidade e dedicação à cultura.

 

Segundo a família, há um ano e meio ela lutava contra um câncer de estômago. “Minha mãe lutou o tempo todo por um mundo melhor”, disse a filha Natália Duarte ao site Metrópoles.

 

O sepultamento será amanhã, quinta (31/12), às 13h, no Campo da Esperança, no Plano Piloto de Brasília.

 

A jornalista Maria do Rosário Caetano disse que a morte de Maria Duarte deixa no “meio educacional e cultural de Brasília uma grande, imensa, lacuna. Como responsável pelo setor cultural e recreativo do Sesc Brasília ela fez uma enorme diferença”.

 

Maria do Rosário lembra que “Maria Duarte transformou o Sesc da 914 Sul num centro cultural vivo, aberto, democrático e fertilizador. Lá vicejou o grupo teatral de Humberto Pedrancini, shows e sessões cinematográficas, oficinas e seminários. Destaco um, em especial: Paulo Freire a Educação Brasileira, organizado pela Frente Cultural de Brasília, de sucesso imenso (auditório do Sesc abarrotado e gente brigando para entrar). O seminário resultou até em livreto, com texto de equipe dela (mestrandas em Pedagogia, pela UnB), que localizou nos arquivos do MEC (ainda em tempos de ditadura militar) fotos de núcleo de alfabetização de adultos pelo Método Paulo Freire, além de textos do professor Venício Artur de Lima e Francisco Weffort. Ela deixa muitas saudades! Muitas mesmo!”.

 

O ator e diretor de teatro Humberto Pedrancini, assim registrou a morte de Maria Duarte: “Morreu hoje minha mestra e amiga Maria Duarte, criadora do Teatro Sesc/Garagem.  Mulher maravilhosa, amava a arte e cultura como poucos! À arte e à cultura dedicou sua vida! A ela minha gratidão, incentivou-me sempre, me orientava e puxava minhas orelhas quando eu exagerava na farra! Devo-lhe muito!”.

 

Alexandre Ribondi, diretor e dramaturgo, lembrou a importância da passagem de Maria Duarte pelo Sesc: “Eram os anos 1970 e havia em Brasília uma mulher muito especial. Era a Maria Duarte, diretora do Sesc Asa Sul. Contra os preconceitos e os risinhos de deboche, foi ela quem abriu as portas do Sesc para que o Grupo Homossexual Beijo Livre pudesse se formar e se reunir. Ela também ocupou o cargo de secretária de Cultura do DF na gestão PT – aí, ela realmente nos representou.  A morte de Maria Duarte me deixa com uma dor incalculável no peito. Brasília é o que é hoje por causa de mulheres como ela. Um beijo, Maria Duarte. E divirta-se por aí, minha querida”.

 

As manifestações de pesar chegam de todas as partes no universo virtual. O ator e ativista cultual, Guilherme Reis, também ex-secretário de Cultura do DF, comentou em sua página no Facebook: “Para fechar esse ano tão triste e tão difícil, perdi hoje uma amiga. E todos nós perdemos uma mestra, uma pessoa muito importante para Brasília, em especial para a história da Educação e da Cultura no DF. Maria Duarte foi fundamental, junto com outras pessoas, para definir a vocação cultural do Sesc, foi uma grande Secretária de Cultura, uma das companheiras na aventura bonita que foi a realização do Festival Latino-americano de Arte e Cultura, na UnB.

 

Mas, antes de tudo, foi uma grande amiga. Uma amiga de tantos amigos.

 

Nos últimos anos, Maria, que não descansava, vinha lutando, junto com o seu companheiro da vida toda, Ítalo, pela implantação de uma política nacional de incentivo ao turismo pedagógico para oferecer a experiência da arte para crianças e jovens do meio rural. E a gente vai ficando órfão de gente como ela.”

 

Do Pedro Eugênio, atualmente morando no Rio de Janeiro, veio a declaração: “Nossa! Lembro muito dela quando fazia teatro no Sesc em 75/76. Era uma grande incentivadora das artes na direção do Sesc”.

 

O ator Antônio Biancho, por sua vez, disse que teve a “honra de participar da inauguração do Teatro Garagem com a peça A Capital da Esperança, do Grupo De Teatro Carroça. Era um projeto completo, foi fundamental para a minha formação. Educação pela Arte. Viva Maria Duarte”.

 

Assim era Maria Duarte, uma lutadora imprescindível, que deixa sua marca na cidade que tanto amou em vida.

 

Romário Schettino, do brasiliarios.com
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