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Morre de covid Alípio Freire, um dos fundadores da revista Sem Terra e Brasil de Fato

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O jornalista, escritor e artista plástico tinha 75 anos, cinco dos quais preso pela Ditadura Militar no Brasil

Além de ter combatido a ditadura, Alípio dedicou sua vida à comunicação popular enquanto ferramenta de resistência – Reprodução

 

Alípio Freire, jornalista, escritor e artista plástico, faleceu, nesta quinta-feira (22/4), aos 75 anos. Ele estava internado em um hospital há cerca de 20 dias em decorrência do Covid-19, mas não resistiu.

 

Um dos militantes da Ala Vermelha, grupo dissidente do PCdoB que combateu a ditadura militar, Alípio foi preso aos 23 anos pela Operação Bandeirantes (Oban) e sofreu três meses de torturas e interrogatórios, permanecendo encarcerado entre 1969 e 1974 no Presídio Tiradentes, para onde foi transferido.

 

Após a prisão, intensificou sua participação militante por meio do jornalismo contra-hegemônico. Os jornais foram parte significativa da vida de Alípio, que além de ser um dos fundadores da revista Sem Terra e do jornal Brasil de Fato, considerados porta vozes de movimentos populares no Brasil, ajudou a organizar diversos panfletos, volantes e periódicos clandestinos produzidos pela Ala Vermelha durante a ditadura, a exemplo dos Luta Proletária e Unidade Operária, que enfrentavam a censura, a falta de recursos e equipamentos.

 

Confira entrevista em que o jornalista fala sobre os jornais clandestinos:

 

 

 

 

Alípio Freire foi anistiado pelo Ministério da Justiça em 2005 e é também autor de diversos livros, entre eles “Estação Paraíso” e “Estação Liberdade”. Em 2013, lançou seu primeiro documentário, chamado “1964 – Um golpe contra o Brasil”, que expõe a participação de industriais, latifundiários e dos Estados Unidos no movimento que levou o país à ditadura.

 

 

Disponibilizado pela TV dos Trabalhadores (TVT), o documentário aborda a conjuntura nacional desde 1960 até o golpe civil-militar de 31 de março de 1964. Confira:

 

 

 

No Twitter, diversas personalidades militantes lamentam o falecimento de Alípio, a exemplo de João Paulo Rodrigues, coordenador nacional do Movimento Sem Terra (MST).

 

Entre as frases proclamadas por Alípio durante a sua vida militante, o portal em homenagem às vítimas da ditadura militar Memórias da Ditadura destaca: “É exatamente a impunidade dos criminosos de ontem que estimula, naturaliza, banaliza e torna impunes os crimes, chacinas e massacres do presente”.

 

 

Reprodução do jornal Brasil de Fato/Edição: Vinícius Segalla

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