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Moro abandona o barco e sai atirando no chefão

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Na manhã desta sexta-feira (24/4), Sergio Moro pediu demissão do cargo de ministro da Justiça. Depois de ter colaborado em muito para que Jair Bolsonaro fosse eleito presidente, ao condenar Lula sem provas e tirá-lo do páreo da disputa eleitoral, agora parece que ele não serve mais aos caprichos da família Bolsonaro, quer precisa usar a Polícia Federal a todo custo para livrar seus membros de investigações que podem levá-los a duras condenações.

 

A gota d’água para Moro foi a demissão do diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, que era de sua total confiança. Mas a verdade é que Moro aproveitou a oportunidade para deixar um governo que já está desgastado, apenas por ambição política e não por qualquer compromisso ético, pois até o momento silenciou diante de todos os crimes pelos quais são acusados membros da família presidencial.

 

E como afirmou a deputada federal, Érika Kokay, “Moro ajudou a eleger Bolsonaro e seu projeto fascista. Sempre soube da relação dos Bolsonaros com a milícia, da existência do gabinete do ódio. Ficou calado com as ameaças à democracia e ainda quer sair do governo com a pose de ‘herói’?”

 

Guilherme Boulos lembrou que “no ano passado, quando o laranjal do PSL foi revelado, Bolsonaro disse que “Moro mandou a cópia do que foi investigado pela Polícia Federal pra mim’. Moro revelou que seu chefe queria ter acesso a relatórios da PF. Queria ou teve?”

 

E o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), disse que “do ponto de vista jurídico, o depoimento de Moro constitui prova de crimes de responsabilidade contra a probidade na Administração, contra o livre exercício dos Poderes e contra direitos individuais. Artigo 85 da Constituição Federal e Lei 1.079/50”. E afirmou ainda que “Moro está para Bolsonaro como o Fiat Elba esteve para Collor. A prova que faltava. Agora não falta mais”.

 

O que mais precisa para que Bolsonaro seja afastado? Moro acaba de dizer que o presidente “queria alguém na PF para passar informações sigilosas”. Essa interferência política na PF para “pedir relatórios”, como acusou Moro, é crime de responsabilidade. “Falei ao presidente que seria uma interferência política” a troca de Valeixo. “Ele disse que seria mesmo”, denunciou Moro.

 

Pouco depois do pronunciamento de Moro, o deputado federal, Marcelo Freixo (Psol-RJ), anunciou que vai pedir a convocação do agora ex-ministro para falar na CPI das Fake News. Ele quer que Moro preste esclarecimento sobre a demissão de Valeixo e sobre as interferências de Bolsonaro na PF para proteger a própria família. Resta saber se o pedido de Freixo será aprovado pela maioria dos integrantes da CPI.

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