“Inclusivismo, que é o inclusivismo? A criança com deficiência era colocada dentro de uma sala de alunos sem deficiência. Ela não aprendia. Ela atrapalhava o aprendizado dos outros”, disse o ministro da Educação, Milton Ribeiro

 

 

Após afirmar que o acesso ao ensino universitário “deve ser para poucos” e que os reitores das universidades públicas “não podem ser esquerdistas e muito menos lulistas”, o ministro da Educação, Milton Ribeiro, afirmou que a inclusão de alunos portadores de necessidades especiais “atrapalha” a aprendizagem dos demais estudantes.

 

 

 

Muitas entidades nacionais criticaram mais essa declaração do ministro Milton Ribeiro. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) divulgou uma moção de repúdio com o título “Preconceito | Declaração do Ministro da Educação de que crianças com deficiência atrapalham o aprendizado das outras é repugnante”.

 

No documento, a CNTE diz que “se essa inescrupulosa fala não constrange o ministro como gestor federal da educação brasileira, deveria, ao menos, constrangê-lo como cristão que diz ser. Mas sabemos bem que, desde os tempos de Jesus Cristo, a hipocrisia dos fariseus é marca indelével ainda das sociedades humanas”.

 

 

Também destaca que “O Brasil é signatário da Convenção Internacional das Pessoas com Deficiência, aprovada pelo Decreto Legislativo nº 186, de 2008. Nesse tratado internacional, internalizado por nosso ordenamento jurídico pátrio, a inclusão da pessoa com deficiência deve ser plena e absoluta em todos os espaços e aspectos da vida social, inclusive e principalmente na educação”. Clique aqui e leia a moção na íntegra.

 

Muitas outras entidades da educação e ligadas aos movimentos em defesa da pessoa com deficiência divulgaram notas de repúdio e criticaram mais essa fala do ministro. Antônio Carlos Sestaro, presidente da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD), disse que a fala do ministro da Educação é capacitista, pois coloca a pessoa com deficiência como menos capaz: “Se a própria Constiuição diz que devemos promover o bem de todos sem qualquer forma de discriminação, não há de se falar que criança com deficiência atrapalha. O ministro desconhece ou não cumpre a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e a Lei Brasileira de Inclusão, que colocam que ninguém vai ser discriminado pela sua deficiência”.

 

Ele ressaltou que o Estatuto da Criança e do Adolescente garante o direito de estar na escola mais perto da sua casa. Como o governo quer segregar as crianças se sabemos que no Brasil há municípios de baixa população? O que acontece é que elas são transportadas para cidades distantes. “O governo vem desconstruindo as conquistas das pessoas com deficiência. Estamos, como organização, lutando pela manutenção do que as pessoas com deficiência conseguiram desde a década de 1970”.

 

 

O site 247 destacou outro aspecto da fala do ministro: “Inclusivismo, que é o inclusivismo? A criança com deficiência era colocada dentro de uma sala de alunos sem deficiência. Ela não aprendia. Ela atrapalhava o aprendizado dos outros porque a professora não tinha equipe, não tinha conhecimento para poder dar a ela atenção especial”,  disse Milton Ribeiro em entrevista ao programa Sem Censura, exibido pela Tv Brasil, no dia 9 de agosto deste ano.

 

 

Depois de falar que a universidade deveria ser para poucos, o ministro da Educação diz que alunos com deficiência “atrapalhavam” outros alunos. É inacreditável o nível de ignorância e capacitismo de Milton Ribeiro. Só no governo Bolsonaro alguém assim vira ministro da Educação.

 

 

A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) usou as redes sociais para criticar a declaração do ministro. “É inacreditável o nível de ignorância e capacitismo de Milton Ribeiro. Só no governo Bolsonaro alguém assim vira ministro da Educação”, postou no Twitter.

 

 

Confira a postagem de Fernanda Melchionna sobre o assunto.

 

 

 

 

 

Do site 247 com edição do JBP