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Militante político faz greve de fome em prisão de Brasília

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O conhecido militante político Rodrigo Pilha, que continua preso mesmo após determinação judicial para cumprir pena em regime aberto, entrou em greve de fome nesta sexta 9/7 por tempo indeterminado.

 

Em carta aberta à população, Pilha denuncia os maus tratos sofridos na cadeia e o sistema prisional como um todo. A prisão de Pilha se deu por causa de protestos que ele vinha fazendo contra o governo genocida de Jair Bolsonaro e por ter se manifestado contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff em 2016.

 

Pilha tem recebido solidariedade nas redes sociais e, pessoalmente, por intermédio de políticos e juristas de Brasília.

 

 

 

 

 

 

Eis a íntegra da carta-denúncia de Rodrigo Pilha:

 

“Queridos familiares e amigos,

 

Após refletir bastante na última madrugada de cárcere, decidi que inicio a partir de hoje uma greve de fome sem data para acabar.

 

Tendo em vista que o Judiciário segue me proibindo de falar, conceder entrevistas, e agora me mantém preso, mesmo eu tendo conquistado o direito ao regime aberto, optei por usar meu corpo e a resistência pacífica para protestar contra estes e diversos outros absurdos que seguem ocorrendo no sistema penitenciário do DF, por conta do autoritarismo policial e judicial.

 

Bem mais que não desejar comer aquela lavagem que chamam de comida, entregue aos apenados, lá naquela espécie de campo de concentração contemporâneo chamado de “Galpão” , minha greve de fome tem o intuito de denunciar e chamar a atenção da sociedade para os maus-tratos, as péssimas condições de cumprimento de pena e toda a sorte de violações de direitos humanos que continuam a ocorrer dentro do sistema prisional do DF, sob a vista grossa de um Judiciário que muitas vezes lava as mãos, passa o pano e acaba sendo conivente com tais atrocidades.

 

Ameaças de castigo e agressão, xingamentos e maus tratos por parte de policiais penais, seguem ocorrendo, e inquirições de apenados SEM a presença da defesa (fato que só comigo, já ocorreu em três oportunidades), são práticas corriqueiras.

 

As celas e alas seguem hiper lotadas, com pessoas dormindo por cima das outras, e até no chão sujo em meio a baratas e escorpiões.

 

O banheiro mais parece uma pocilga e os banhos de sol são de meia hora apenas.

 

Castigos excessivos e por razões banais, com o mero intuito de causar a regressão penal dos presos, acabam por institucionalizar a tortura psicológica por parte do estado no cotidiano dos presídios.

 

A diretoria penitenciária de operações especiais (DPOE) é acusada de espancamentos gratuitos , mutilações e até de ser responsável pela morte de presos após a prática do procedimento chamado de “extração” ou “guindar” apenados.

 

Por fim, sei dos riscos que corro, mas estou convicto de que minha greve de fome é o mais acertado a se fazer neste momento, para trazer luz ao terror existente nos presídios do DF, e , lhes garanto que as mazelas do sistema prisional são bem mais radicais e maléficas à vida das pessoas do que a atitude que hoje adoto como forma de protesto.

 

Ante ao exposto e já que não me deixam falar, peço que FALEM POR MIM e divulguem ao máximo esta carta-denúncia afim de que o maior número de pessoas saiba da barbárie que hoje impera no sistema prisional do DF.

 

“… podem me prender, podem me bater, podem até me deixar sem comer, que eu não mudo de opinião…”

 

Com os versos de protesto do sambista idealizador da “Voz do morro”, Zé Keti, me despeço agradecendo a todas e todos por todo apoio e carinho recebidos até aqui.

 

Um forte abraço e hasta la Victoria siempre!!!

 

Com carinho,

Brasília 9 de julho de 2021.

Rodrigo Pilha”

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