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“Meu Exército”

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Responsabilizado pelas quase 500 mil mortes da Covid-19 e por conta disso perdendo força política e base eleitoral, como claramente demonstra sua queda nas pesquisas, Bolsonaro estica a corda golpista e submete o Alto Comando do Exército aos seus objetivos políticos.

 

Desse modo ele impõe ao Exército o desrespeito à disciplina e à hierarquia, pilares fundamentais da instituição, e provoca o aprofundamento da crise militar, política e institucional do país.

 

Com essa vergonhosa decisão do Alto Comando nas mãos, Bolsonaro pode agora chamar o Exército brasileiro de “seu” exército e partir para cima das instituições democráticas. Já começou por ameaçar “derrubar” a CPI, em seguida viria a intervenção nos governos estaduais que não lhe são submissos e então submeteria o STF.

 

Se essa escalada golpista não for detida agora, esse é o plano de Bolsonaro para poder em 2022 mudar as regras ou mesmo suspender as eleições e assim garantir a sua continuidade como déspota fascista.

 

Contudo, sem se deixar intimidar por essas ameaças golpistas, a sociedade civil, inclusive a grande mídia liberal e até mesmo setores militares condenam a absurda decisão do Exército e exigem a punição da indisciplina do general Pazuello.

 

Numa democracia o respeito à hierarquia e disciplina militares são exigências constitucionais, pois somente assim as Forças Armadas podem agir como poder militar da Constituição e não de um determinado partido ou movimento político, ainda que esse movimento seja representado pelo presidente da República.

 

A posição unitária da sociedade se dá num momento em que a defesa da vida e da democracia ocupa as ruas do país e a CPI coloca a nu a política genocida de Bolsonaro, fundamentando as razões para o Poder Civil subordinar o poder militar como deve ser num verdadeiro regime democrático.

 

Ainda não foi dessa vez que Bolsonaro deu a última palavra e muita água vai rolar no rio que corre agora contra a política genocida de Bolsonaro.

 

Artigo de Val Carvalho – escritor e militante de esquerda.
Charge/ilustração de Edu Oliveira.

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