A nota foi veiculada pela imprensa baiana, como jornal Correio da Bahia e TV Bahia, no dia 31 de Maio 2021. Leia-a na íntegra

Nota de apoio ao repórter, Bruno, e ao Jornal Correio da Bahia.

 

Salvador, 31 de Maio de 2021.

 

O Jornalista Fabio Costa Pinto, sócio efetivo da Associação Brasileira de Imprensa –ABI, e o coletivo GT – Imprensa Brasil, pela democracia e dignidade, vem através dessa nota declarar apoio ao repórter Bruno Wendel, do Jornal Correio da Bahia, e repudiar os ataques sofridos pelo jornalista.

 

Colocamos-nos à disposição para encontrarmos soluções conjuntas e garantias do trabalho do profissional.

 

Tomamos conhecimento que o jornalista Bruno Wendel, especialista em segurança pública, tem uma carreira ética e responsável, sendo pautado pela busca constante da verdade e apuração profunda dos fatos.

 

O repórter vem sofrendo ataques e ameaças desde a veiculação, no dia 16/05/2021, sobre a suspeita de participação em extorsões e grupos de extermínio, do soldado da Polícia Militar Joedson dos Santos Andrade, preso na Operação Assepsia I. As ações eram cometidas em Villa de Abrantes, município de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, na Bahia.

 

Temos ciência de que o repórter Bruno, do Jornal Correio da Bahia, recebeu quatro mensagens enviadas para seu celular, com insultos, chamando-o de vagabundo. Uma ligação telefônica com ameaça de morte: “O que começou com sangue não precisa terminar com sangue”. E uma manifestação assinada pela 59ª Companhia Independente de Polícia Militar (Villa de Abrantes), classificando as informações da matéria como inverídicas, mentirosas e sem credibilidade.

 

Reivindicamos retratação por entendermos serem ações absurdas e desrespeitosas, na tentativa de intimidar o trabalho da Imprensa.

 

Diante das situações enfrentadas, nos colocamos à disposição para solicitar ao Secretário de Segurança Pública do Estado da Bahia – SSP/BA, apuração e proteção ao repórter, através de carta assinada pelo jornal, por esta representação e pelo coletivo, GT – Imprensa Brasil.

 

Aproveito para informar que essa prática e muitas outras vêm acontecendo com vários profissionais da Imprensa, não só na Bahia, mas em todos os estados do nosso país. Seguindo dados que constam em relatório, da comissão de direitos humanos da ABI.

 

A exemplo do ocorrido com a Jornalista Investigativa, Milmara Nogueira, especialista em segurança pública e estudiosa sobre organização criminosa na Bahia. A jornalista Milmara vem sofrendo perseguições e ameaças de morte. Nos últimos dois meses duas fake news foram divulgadas anunciando a sua morte, uma delas no dia do jornalista, (7 de abril). Entendemos como uma ameaça para toda a categoria.

 

A situação da repórter já vem sendo acompanhada pelo coletivo GT Imprensa Brasil, pela representação na Bahia e por órgãos de segurança, da Secretaria de Segurança Pública, Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado – Draco e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais – Gaeco do Ministério Público.

 

Estamos também dando a nossa assistência e apoio ao radialista e jornalista Davi Alves, da rádio Alvorada FM, no município de Jeremoabo, na Bahia. Em setembro de 2020, o radialista Davi realizava matéria sobre o uso de material da administração municipal em obra particular, quando foi agredido física e verbalmente por funcionários e pelo Secretário de Infraestrutura do Municipio, João Batista Andrade, na gestão do então prefeito Derisvaldo dos Santos (PP).

 

Informamos que protocolamos na tarde do dia 27/05/2021 Carta com reivindicações, nas comissões de Direitos Humanos e Segurança Pública, e na de Constituição e Justiça da Assembléia Legislativa do Estado – Alba. O documento enviado demonstra a preocupação e as reivindicações nossa, para o acompanhamento enérgico e apuração minuciosa sobre as investigações dos episódios de tortura e morte dos jovens Bruno e Yan Barros, tio e sobrinho, no dia 26 de abril, entregues por seguranças do mercado Atakarejo a supostos traficantes.

 

Bem como todo e qualquer ato que venha impedir e desrespeitar o trabalho da Imprensa baiana, na tentativa de atrapalhar o livre exercício da profissão.

 

Certo de que estamos fazendo o nosso papel de defensores e pleno exercício da Constituição.

 

Cobramos um maior diálogo sobre todos esses temas relevantes com a sociedade civil e Imprensa nos colocando à disposição para encontrarmos uma solução conjunta, num debate democrático e justo para todos. Finaliza a carta de apoio ao repórter do correio da Bahia.

Cordial abraço,

 

Fabio Costa Pinto
Jornalista (Mtb 33.166/RJ), sócio efetivo da Associação Brasileira de Imprensa ABI, e filiado a FENAJ e ao Sinjorba.