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Marcelo Freixo: “Por que não serei candidato a prefeito do Rio”

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O deputado federal Marcelo Freixo (PSol-RJ) escreveu uma carta à militância de seu partido, aos seus eleitores e aos demais partidos do campo democrático explicando as razões pelas quais desiste de ser candidato à prefeitura do Rio de Janeiro em 2020.

 

O deputado concorreria ao cargo pela terceira vez, depois de ficar em segundo lugar nas disputas de 2012 contra o ex-prefeito Eduardo Paes e de 2016 contra Marcelo Crivella.

 

Em entrevista ao jornal O Globo, Freixo explicou que não conseguiu uma frente ampla com os partidos de esquerda. E disse: “A esquerda precisa ter maturidade”.

 

Freixo chegou a receber uma promessa de aliança com o PT e o PCdoB, mas o PDT e PSB não toparam. A ideia era lançar uma chapa encabeçada por Freixo e com a deputada federal Benedita da silva (PT) como vice, mas a iniciativa sofreu forte resistência de setores do próprio PSol. Equivocadamente, e candidatos ao fracasso, lançaram-se candidatos o deputado federal David Miranda e o vereador do Rio Renato Cinco.

 

“Ou o PSol tem a maturidade de entender o momento que o Rio está enfrentando, ou não dá para fazer mais sacrifício pessoal do que já fiz a minha vida inteira. Não é possível concorrer com menos estrutura agora, em 2020, do que em 2016”, disse ele, com razão à colunista Berenice Seara, do jornal Extra.

 

Com a saída de Freixo, a disputa tende a ser polarizada entre o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) e o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM). Na última pesquisa Ibope divulgada em dezembro do ano passado, encomendada pelo Globo e pela Folha de S. Paulo, Freixo apareceu na segunda colocação.

 

O vereador Tarcísio Motta (PSol-RJ) acha que é possível uma mudança de decisão de Freixo: “Espero que a desistência não se concretize, mas vamos continuar defendendo uma união das esquerdas“.

 

Eis a integra da carta de Freixo:

 

“Depois das duas catástrofes que se abateram sobre o Brasil, Bolsonaro e a pandemia, não podemos pensar como pensávamos antes, nem agir como agíamos antes.

 

Estamos enfrentando um dos maiores ataques da nossa história à democracia e à vida dos brasileiros. Bolsonaro se comporta como um aspirante a ditador que usa ilegalmente o cargo mais importante do País para alimentar uma guerra à democracia. Seu projeto de poder autoritário está retirando direitos e destruindo a dignidade do povo brasileiro com uma voracidade inédita.

 

Diante destes ataques, agravados pela ação genocida do presidente em meio à pandemia, a urgência da luta em defesa da vida e da democracia se impõe como um dever ante a realização dos nossos projetos pessoais. Por isso, decido sacrificar o meu desejo de disputar novamente a prefeitura do Rio de Janeiro para dedicar todos os meus esforços à construção de uma frente ampla que una nacionalmente o campo democrático no enfrentamento ao fascismo.

 

Não é fácil abrir mão da minha candidatura, tanto do ponto de vista pessoal quanto político. Mas a escolha se faz necessária para que, em vez de cuidar exclusivamente da minha campanha, eu possa trabalhar pela formação dessa aliança nas eleições municipais deste ano, tanto no Rio de Janeiro, cidade tão desigual e assolada pelo crime organizado e pela associação entre milícias e política, quanto em outras capitais do país. Assumo esse compromisso porque entendo que o pleito de 2020 será um passo decisivo para criarmos pontes, acumularmos forças, amadurecermos um novo projeto de Brasil e derrotarmos o bolsonarismo em 2022.

 

Além de me dedicar a essa articulação nacional em prol da unidade do campo democrático antifascista, seguirei enfrentando as duras, porém necessárias, batalhas que estamos travando no Congresso Nacional, onde obtivemos vitórias relevantes. Nós aprovamos a renda básica emergencial, garantindo R$ 600 para socorrer os brasileiros na crise quando o governo queria pagar apenas R$ 200; barramos a destruição da legislação que impede o acesso indiscriminado de armas e munições e derrotamos a excludente de ilicitude.

 

Foram conquistas importantes, porém insuficientes, na Câmara dos Deputados contra a agenda autoritária e violenta do governo Bolsonaro. Diante disso, é fundamental a minha permanência nesta trincheira de lutas que se torna ainda mais necessária diante das consequências da aliança entre o centrão e o governo, que passará a ter uma tropa de choque para seu projeto autoritário e genocida.

 

Não estamos diante de uma eleição como as outras. O desafio diante de nós é a própria sobrevivência das pessoas e da democracia. Não faz nenhum sentido, nesse momento dramático, pensar apenas em nossos projetos pessoais, em nossos partidos, valorizando nossas divergências. Quem for antifascista, hoje, é meu irmão, minha irmã. Chegou a hora de termos grandeza: ou demonstramos desprendimento e capacidade de diálogo, já, ou mereceremos o pior julgamento da história, por não nos unirmos para impedir a destruição da democracia e da vida do povo brasileiro”.

 

Publicado por Romário Schettino originalmente no site www.brasiliarios.com
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