O Maranhão ultrapassou o patamar dos 5 mil óbitos em decorrência da Covid-19, de acordo com o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde divulgado na noite de ontem, sábado, 27. Ao todo, já são 5.032 pessoas que perderam a vida por causa da doença, desde o início da pandemia.

 

Nesta semana,  o Hospital Carlos Macieira, em São Luís, pôs em funcionamento mais 10 leitos de UTI exclusivos para Covid-19. Para o início de março, que começa amanhã, o governo anuncia a inauguração de um hospital de campanha em Imperatriz, a segunda maior cidade do Estado, que adicionará 60 novas vagas destinadas ao tratamento da Covid-19. Ontem, os 55 leitos de terapia intensiva e os 106 de enfermaria que existem em Imperatriz estacam com 100% de ocupação.

 

Já na data de hoje, foi divulgada a decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, que determinou que o Ministério da Saúde volte a financiar através do Sistema Único de Saúde (SUS) leitos destinados ao atendimento de pacientes com Covid-19. A decisão abrange os Estados do Maranhão, Bahia e São Paulo, que haviam ingressado na Justiça para a reabilitação dos leitos.

 

Se o Maranhão tem acertado nas medidas farmacológicas, o mesmo não tem acontecido em relação às medidas não-farmacológicas. O Estado e os Municípios têm sido cautelosos em adotar medidas que comprovadamente podem diminuir a proliferação do novo coronavírus,  como o lockdown.

 

Cientistas dos mais renomados têm insistido na decretação de um lockdown nacional por um período entre 15 e 21 dias. Esse prazo mais longo é defendido pelo neurocientista Miguel Nicolélis que, até recentemente, dava assessoramento ao Consórcio Nordeste, constituído pelos nove Estados da região. Para Nicolélis, essa medida já devia ter sido adotada e acrescenta: “mas lockdown de verdade, com fechamento de tudo o que não for essencial o dia inteiro, e não só das 20 ou 22 horas até as 5 horas”.

 

O Maranhão está beirando os 10 mil casos ativos (eram 9.972 ontem), mais que quadruplicando o número existente em 29 de outubro passado (2.244), o mais baixo dos últimos quatro meses. De lá para cá, novas levas foram diagnosticadas com a doença, coincidindo com duas semanas após as campanhas eleitorais, o Natal, o Ano Novo e, mais recentemente,  o carnaval, apesar da proibição das festas momescas no território maranhense.

 

O secretário de Saúde do Maranhão, Carlos Lula, que também é presidente do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde) prevê que março será pior do que fevereiro no que se refere à covid-19. E já que o governo federal nunca assumiu o papel que lhe cabe de coordenar uma política nacional de combate à pandemia, é hora de os Estados se coordenarem entre si e tomarem a decisão de decretar um lockdown por pelo menos duas semanas.