Ex-deputada federal e candidata à vice-presidência nas eleições de 2018 disse que agressão envolve pai de colega da escola onde Laura estuda. Também denunciou mais uma ameaça à morte contra si

 

“Ontem à noite, em um debate, me perguntaram se eu não sinto vontade de desistir. Sim, eu sinto. Todos os dias. Ao contrário do que muitos pensam, a violência política está cada vez mais intensa. O último mês foi muito agressivo e me impactou muitíssimo.” Assim começou o desabafo da ex-deputada federal Manuela d’Ávila em uma tread no Twitter postada no final da tarde de quarta-feira (3). Algumas linhas mais tarde, o motivo: ameaças de estupro contra Laura, a filha de apenas 5 anos.

 

Manuela explicou que um pai da escola onde Laura estuda tirou uma fotografia da menina e a entregou para grupos que distribuem ódio nas redes. “Poucos dias depois chegaram as ameaças de estupro para ela (que tem cinco anos!!!) e nova ameaça de morte para mim”, revelou a candidata à vice-presidência nas eleições de 2018.

 

Ela lembrou não ser essa a primeira vez em que a criança é vítima de hordas alimentadas por máquinas de fake news. “Quando Laura ainda era um bebê de colo, foi agredida fisicamente em função de uma mentira distribuída amplamente na internet. De lá pra cá, muitas coisas aconteceram. Mas nenhuma jamais havia envolvido sua escola e algum pai de colega. Foi devastador lidar com isso.”

 

Razões para continuar

 

Manuela informou que a polícia já acompanha o caso. “O que é evidente que não diminui o medo, a tristeza, a culpa por ver as pessoas que mais amo submetidas a essa gente inescrupulosa. São anos vivendo assim. A gente mal toma ar de uma agressão e vem a próxima. Mas quando a gente respira, a gente lembra que tem um mundo pra mudar. Que tem um genocida no governo. Que tem mãe enterrando filho e filho enterrando mãe. Que tem criança trabalhando. Se todos os dias tenho vontade de desistir, todos os dias me lembro das imensas razões que temos para continuar”, completou.

 

Solidariedade

 

Pouco depois da postagem, começaram a chegar inúmeras manifestações de apoio e solidariedade. A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) foi uma das mais contundentes. “Que tipo de pessoa fotografa uma menina pequena na porta da escola e é capaz de fazer circular a imagem dessa criança até que ela receba a ameaça de ser atingida pelas piores violências? Que falência moral e ética possui uma sociedade que aceita isso? E o absurdo de acontecer esse desrespeito a uma criança porque ela filha de uma mulher com opinião e posição política? Por favor! Deixem as crianças crescerem em paz, protegidas”, disse.

 

Ela continuou: “Deixem as mães em paz! Por todas as meninas, pela Laura, nunca desista, minha querida Manuela d’Ávila. Porque somos irmãs contra esse ódio todo. Porque o legado que queremos para nossas filhas é o amor. Porque somos mães e irmãs unidas contra tanto absurdo, não desista. Faça da dor um impulso para que todas as crianças sejam amadas e protegidas. Todo meu carinho e apoio a você e Laura”.

 

Mundo político

 

Mas não foi só ela. Diversos outros deputados federais mandaram apoio, como Alessandro Molon (PSB-RJ) e Talíria Petrone (Psol-RJ), líder do partido na Câmara. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da CPI da Covid, também se manifestou: “Manu, ofereço a você toda a minha solidariedade. Força! Conte comigo para o que precisar”. A vereadora do Rio Monica Benicio (Psol), companheira de Marielle Franco, disse: “Que barbaridade! Um horror! Meu abraço e toda minha solidariedade pra você, pra Laura e toda família, Manu!”

 

Vera Lúcia Salgado, candidata à Presidência pelo PSTU em 2018, publicou: “Ser mãe e mulher na política não é fácil. Até quando vão usar a violência machista e contra nossos filhos para tentar desmoralizar as mulheres? Minha solidariedade para denunciar, divulgar e exigir que se punam os responsáveis. Toda força!”, publicou. O perfil oficial do partido também se manifestou: “Toda solidariedade à Manuela d’Ávila, vítima da mais vil violência insuflada pelo genocida no poder e seu bando de milicianos e capangas da extrema-direita. Que os agressores covardes sejam devidamente punidos.”

 

Apoio por todos os lados

 

Além de jornalistas, médicos, advogados, personalidades, como a cantora Daniela Mercury, e inúmeros “anônimos” passaram pela postagem de Manuela d’Ávila para prestar solidariedade. “Que horror, toda solidariedade, Manu! Essa pessoa precisa ser responsabilizada, você não está sozinha. Força”, postou Luciana Boiteux, mestre e doutora em Direito Penal e Professora de Direito Penal e Criminologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

A atriz Julia Lemmertz falou: “Nossa, sinto muito, que barbaridade!! Só imagino a resistência e resiliência pra enfrentar tudo isso, mas sei da sua força, clareza e honestidade pra ajudar a construir um país mais justo e possível de se viver pra todos. Esses covardes vão ter se entender com a própria incompetência, e com suas consciências, se é que eles têm uma. Força querida Manuela D’Ávila, eu ouço a sua voz!!!”

 

 

 

Carta à esposa de vice-prefeito que espalhou foto da pequena Laura a bolsonaristas

 

No começo de maio, a ex-deputada Manuela D’Ávila escreveu para a esposa de um vice-prefeito que divulgou fotos dela com sua filha na reabertura das escolas. As imagens foram parar em grupos bolsonaristas apontando uma suposta “hipocrisia” de Manuela.

Leia a publicação na íntegra:

 

Cara Paola, como vai?

 

Hoje, Paola, identificamos que o seu telefone foi um daqueles que iniciou a distribuição dessa imagem. Você a distribuiu, repetidas vezes, em diversos grupos em que fazes parte. Grupos de pessoas comuns… trabalhadores, pais, mães. É justamente assim que a extrema direita atua em relação a distribuição de notícias falsas: as divulgando em pequenos nichos.

 

Você consegue se colocar no meu lugar, Paola? Imagine todas as redes de esquerda divulgando a sua imagem e a de seu filho, no espaço sagrado da intimidade dele?

 

Eu sofro com esse tipo de ataque baixo, envolvendo minha família, há muito tempo. Seu marido, atual vice prefeito, sabe, Paola, do que estou falando. Ele sabe muito bem da violência que sofri enquanto estava grávida de Laura e ele era cc da Assembleia. Ele conhece muitíssimo bem essa história. Minha filha, desde o meu ventre, conhece o ódio.

 

Evidentemente, Paola, sei que você sabe que eu tenho como comprovar o que estou dizendo. Mas meu pedido é apenas que você reflita sobre o mal que causou a minha filha e a minha família. Desejo que você reflita sobre quais os limites da disputa política.

 

Desejo sinceramente que esse mesmo mal nunca atinja a você e ao seu filho.

 

PS: O caso não tem relação com os ataques recentes contra Laura, filha de Manuela. Na última quarta (2), a ex-deputada denunciou que sua filha, de cinco anos, havia sido alvo de ameaças de estupro.

Reprodução dos sites Rede Brasil Atual e DCM