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Mais de 113 mil crianças ficaram total ou parcialmente órfãs no Brasil em consequência da covid

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O Brasil contabilizou 1.424 mortes por covid-19 nas últimas 24 horas, de acordo com o balanço, desta quarta-feira (21), do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde).

 

 

Com este número, chega a 545.604 o total de óbitos no Brasil nesta pandemia.  Também foram notificados 54.517 novos casos, com um total de 19.473.954 infecções.

 

 

A média móvel de mortes diárias provocadas pela Covid-19 foi de 1.172. Em comparação com verificado há duas semanas, houve variação de -18,5%, sinalizando desaceleração nos óbitos. É o 25º dia em que o indicador apresenta queda.

 

 

Uma matéria divulgada pelo site Desacato informa que a revista científica The Lancet informou que a cerca de 1,1 milhão de crianças no mundo perderam ao menos um dos pais ou avós responsáveis por elas em consequência da pandemia de covid-19, estima um estudo publicado na revista científica The Lancet na terça-feira (20).

 

 

Em relação à população total, o número de menores de 18 anos nessa situação é particularmente alto no Brasil, onde 2,4 crianças a cada mil foram afetadas, atrás apenas do Peru (10,2), da África do Sul (5,1) e do México (3,5).

 

 

Segundo estimativas do levantamento, mais de 113 mil crianças ficaram total ou parcialmente órfãs em consequência da covid-19 no Brasil, sendo que 25,6 mil perderam a mãe, mais de 87,5 mil perderam o pai, e 13 crianças perderam tanto o pai quanto a mãe para a doença. Além disso, 17 mil perderam um dos avós que cuidavam delas, e 69 perderam os dois.

 

 

O estudo destaca que muitas vezes os avós, frequentemente os mais vulneráveis à covid-19, fornecem apoio prático, psicossocial ou financeiro para os netos.

 

 

No Brasil, o segundo país do mundo com mais mortes por covid-19, atrás dos Estados Unidos, 70% das crianças recebem esse apoio financeiro, apontam os pesquisadores, indicando que muitas podem ter perdido esse suporte durante a pandemia.

 

 

Se considerados ainda avós ou parentes mais velhos que vivem no mesmo lar mas não são os principais responsáveis pelas crianças, o número total de menores afetados chega a mais de 1,5 milhão no mundo.

 

 

O número de crianças que perderam o pai seria de duas a cinco vezes maior que o daquelas que perderam a mãe, segundo os pesquisadores, liderados por Seth Flaxman, do Imperial College de Londres.

 

Consequência trágica e negligenciada

 

 

“Como a maioria das mortes por covid-19 ocorre entre adultos, e não entre crianças, a atenção tem sido concentrada, compreensivelmente, nos adultos. Entretanto, uma consequência trágica do grande número de mortes de adultos é que um grande número de crianças pode perder seus pais e responsáveis para a covid-19”, diz o estudo.

 

 

“Como a covid-19 pode levar à morte dentro de poucas semanas, famílias têm pouco tempo para preparar as crianças para o trauma que experimentam quando um progenitor ou responsável morre”, destacam os pesquisadores.

 

 

Entre as consequências para as crianças órfãs ou que perdem um responsável por elas, o estudo aponta riscos de problemas de saúde mental e física, de vulnerabilidade econômica e de abusos sexuais. Tais experiências, por sua vez, aumentam os riscos de suicídio, gravidez na adolescência e doenças, afirmam.

 

 

Em comunicado sobre o estudo, os Institutos Nacionais da Saúde (NIH, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, afirmam que as crianças órfãs são uma consequência significativa, até então negligenciada, da pandemia. Segundo os NIH, a análise mostra que o apoio psicossocial e financeiro a essas crianças deve ter um papel central na resposta à pandemia.

 

 

Metodologia e subnotificação

 

 

Para o estudo, os pesquisadores fizeram cálculos usando dados como taxas de natalidade e mortes por covid-19 de 21 países, que responderam por 76,4% dos óbitos por covid-19 no mundo entre março de 2020 e abril de 2021: Argentina, Brasil, Colômbia, Inglaterra e País de Gales, França, Alemanha, Índia, Irã, Itália, Quênia, Malawi, México, Nigéria, Peru, Filipinas, Polônia, Rússia, África do Sul, Espanha, EUA e Zimbábue.

 

 

Os pesquisadores destacam que os números apontados no estudo são apenas estimativas – e o número real de crianças afetadas provavelmente é ainda maior.

 

 

Os cientistas apontam ainda que não foi possível levar em conta nas estimativas famílias formadas por dois pais ou duas mães, devido à falta de dados nos países analisados.

 

 

Do site Desacato

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