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Lula passou por suas quartas de final

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Lula antecipou para antes do jogo do Brasil com a Croácia o anúncio dos primeiros nomes de seu ministério, que estava agendado para um momento apertado entre esse jogo e o da Argentina.

 

Assim, o anúncio não foi feito no clima da derrota na Copa e não poderia ser engolido pelas comemorações de uma vitória. O ponto nevrálgico desse anúncio sem novidades foi o Ministério da Defesa – caso resolvido em conjunto com uma transição pacífica nos comandos militares e bem recebido até por um Bolsonaro, que já admite passar a faixa a Lula.

 

A inexistência de novidades ou surpresa nos nomes anunciados não foi acidental. Com a conveniente antecipação, todos eles tinham sido habilidosamente vazados a jornalistas de boa credibilidade, de modo que se pudesse sentir como foram recebidos ou se foram recebidos com aceitação ou resistência nos setores interessados, caso das Forças Armadas e do mercado financeiro.

 

Foram de fogo amigo as maiores resistências às escolhas de Lula, e em relação apenas ao futuro Ministro da Defesa, José Múcio, maiores até que as resistências do mercado financeiro à escolha de Fernando Haddad para o Ministério da Fazenda.

 

Mesmo considerando como podem ser traiçoeiras todas as metáforas, talvez dê para dizer que Lula passou bem por suas quartas de final.

 

UM AVISO NA CONDENAÇÃO DE CRISTINA KIRCHNER?

 

Três semanas antes da posse de Lula e quase quatro anos depois de sua prisão no momento supremo da Lava Jato brasileira, uma Lava Jato argentina condenou a ex-Presidente Cristina Kirchner a seis anos de prisão e ao impedimento perpétuo de exercer qualquer função pública na Argentina.

 

Como Cristina só pode ser presa depois de terminar seu mandato atual de Vice-Presidente e os recursos cabíveis serão necessariamente demorados, dá para esperar que, como no Brasil, uma Vaza Jato argentina revele os podres dessa condenação e se por acaso um de seus objetivos ocultos seria intimidar Lula.

 

POR FALAR EM LAVA JATO…

 

O noticiário registrou e não foi desmentido que Sérgio Moro propôs ou pediu a Bolsonaro que o partido deste, o PL, desista da ação que decidiu mover na Justiça Eleitoral contra sua diplomação e posse como senador pelo partido União Brasil. Em troca, Moro deixaria esse partido e entraria no PL de Bolsonaro. Se isso acontecesse, Moro praticaria a façanha de ter pertencido sucessivamente a três partidos diferentes na mesma campanha eleitoral – o PL, o União Brasil e antes o Podemos, pelo qual chegou a ser lançado candidato a Presidente.  

 

UMA PROPOSTA DE GABEIRA

 

Em entrevista ao “Roda Viva”, Fernando Gabeira teve de responder a muitas perguntas sobre como espera que Lula se comporte diante de vários dos desafios à sua frente e acabou por dar uma sugestão a propósito dos evangélicos, embora deixando claras as suas reservas em relação ao novo governo.  

 

Os evangélicos – disse ele- têm como prioridade a defesa da famlia e muitos são contra a reabertura do jogo no Brasil, que bolsonaristas como o filho 01, o senador Flavio, andaram ou andam se mexendo para conseguir. O governo Lula poderia atrair a boa vontade dessa maioria evangélica declarando desde logo que é contra a reabertura dos cassinos. 

 

SHARON STONE FOI ALÉM DOS PRESERVATIVOS

 

Nos últimos anos, a grande atriz americana Sharon Stone teve mais presença na mídia, por sua ação nas frentes de luta contra a Aids e em defesa de suas vítimas, que nas telas de cinema e dos streamings. Ela há dias explicou porquê.

 

Quando foi convidada para substituir sua amiga Elizabeth Taylor, depois da morte desta em 2011, como dirigente e porta voz da amfAR, uma fundação de pesquisa e informação sobre a Aids, sua amiga Cindy Berger alertou-a:

 

—  Se você fizer isso, destruirá sua carreira… 

 

Sharon, porém, acreditava tanto na causa que não foi capaz de recusar o convite. Isso custou seu trabalho em Hollywood – ela ficou oito anos sem conseguir trabalho.

 

— Destruiu a minha carreira – disse Sharon – Fui chamada aos escritórios [dos produtores] e informada de que, se eu dissesse a palavra “preservativo”, perderia financiamentos. 

 

Mas além de “preservativos”, Sharon teve de recorrer a outras palavras então proibidas, para informar e orientar seu público. Uma recomendação explícita que ela fez logo no início de sua participação na campanha pode ter salvo vidas, mas baniu-a das telas: 

 

—  Se não tiverem preservativo, recorram à masturbação recíproca, que é mais segura. 

 

 

(*) Por José Augusto Ribeiro – jornalista e escritor. Publicou a trilogia A Era Vargas (2001); De Tiradentes a Tancredo, uma história das Constituições do Brasil (1987); Nossos Direitos na Nova Constituição (1988); e Curitiba, a Revolução Ecológica (1993). Em 1979, realizou, com Neila Tavares, o curta-metragem Agosto 24, sobre a morte do presidente Vargas.

 

 

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